{"id":2055,"date":"2010-04-06T11:09:40","date_gmt":"2010-04-06T14:09:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2055"},"modified":"2010-04-06T11:09:40","modified_gmt":"2010-04-06T14:09:40","slug":"o-jn-e-a-ditadura-que-ganha-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-jn-e-a-ditadura-que-ganha-o-mundo","title":{"rendered":"O JN E A DITADURA QUE GANHA O MUNDO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>O Jornal Nacional, da Rede Globo, n\u00e3o mudou o jornalismo, ajudou a mat\u00e1-lo. Concebido logo depois do AI-5, em 1969, obedeceu ao formato americano por obra de Walter Clark, o executivo da publicidade festejado como g\u00eanio, mas o conte\u00fado precisava de um ajuste, adaptado \u00e0s necessidades da ditadura. Foi a\u00ed que entrou Armando Nogueira, prestigiado no jornalismo impresso, hegem\u00f4nico, na \u00e9poca, na comunica\u00e7\u00e3o de massa, e excelente cronista. Falecido recentemente, Nogueira est\u00e1 sendo lembrado como o grande art\u00edfice do JN, quando a obra deve ser creditada a Clark e a Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Oliveira Sobrinho, que no JN de ontem tentou tirar da reta atribuindo toda a responsabilidade do jornal sacana ao editor chefe.<\/p>\n<p>Foi assim que se consolidou entre n\u00f3s a imposi\u00e7\u00e3o oficial das vers\u00f5es por meio de recursos t\u00e9cnicos (equipamentos e rede de transmiss\u00e3o, movidos a muito dinheiro) e ideol\u00f3gicos (o sucateamento da oposi\u00e7\u00e3o ao regime, o que levou \u00e0 divis\u00e3o bipolar MDB\/Arena, atualizada no tucano-petismo, que depende totalmente do poder do JN para governar).<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso o primeiro ato de Lula quando eleito pela primeira vez foi comparecer ao JN, obedecer ao William Bonner e servir de \u00e2ncora para o notici\u00e1rio global (aquele do \u201chor\u00e1rio nobre\u201d, ou seja, elitista), numa cena premonit\u00f3ria do que estava por vir, por mais que n\u00e3o acredit\u00e1ssemos. \u00c9 fundamental recordar tamb\u00e9m que Armando Nogueira participou como protagonista do evento sinistro da manipula\u00e7\u00e3o dos resultados das elei\u00e7\u00f5es para o governo do Rio em 1982, quando a totaliza\u00e7\u00e3o dos votos pela Proconsult aparecia na Globo sem fazer justi\u00e7a ao candidato vitorioso, Leonel Brizola. Este chamou a imprensa internacional (mais s\u00e9ria h\u00e1 30 anos) e denunciou a patranha. Nogueira teve de comparecer ao vivo (exig\u00eancia de Brizola,que n\u00e3o iria permitir manipula\u00e7\u00e3o da sua fala) diante do governador j\u00e1 eleito que estava sendo esbulhado nas fu\u00e7as da na\u00e7\u00e3o mergulhada em nova fase de tirania.<\/p>\n<p>Foi uma lavada. Brizola arrasou com um gaguejante Nogueira, que n\u00e3o teve mais condi\u00e7\u00f5es de insistir na falcatrua. Nos bastidores do JN, lembro quando Jorge Escosteguy, grande jornalista com quem trabalhei mais de uma vez, me contou com detalhes como foi fritado na Globo depois de transformar a sucursal paulista do JN numa unidade de jornalismo da pesada. Foi fritado pelo sil\u00eancio e a lenta demiss\u00e3o, levando-o a uma situa\u00e7\u00e3o desesperadora. Nunca \u00e9 demais repetir que a Globo ajudou a esconder as gigantescas manifesta\u00e7\u00f5es das Diretas J\u00e1, o que \u00e9 p\u00fablico e not\u00f3rio. Mas n\u00e3o vou insistir no que todo mundo sabe, apesar de ficar escandalizado que ningu\u00e9m se manifeste quando come\u00e7am de novo a transformar o JN num fato hist\u00f3rico a favor da democracia, que at\u00e9, veja bem, teria lutado (ah ah ah) contra os anos de chumbo. A Globo \u00e9 a era de chumbo, ponto.<\/p>\n<p>O que pega \u00e9 o jornalismo rastaquera que tomou conta do mundo. Le Monde, que nunca fez algo aparecido, elege Lula o Homem do ano. Pois bem, sabemos que o Le Monde foi comprado pela industria de armas, n\u00e3o por acaso cliente do governo brasileiro. Os franceses nos vendem armas (agora s\u00e3o os car\u00edssimos helic\u00f3pteros) desde a \u00e9poca da Miss\u00e3o Francesa, nos anos 20 do s\u00e9culo passado. O Wal Street Journal, por sua vez, usou o velho expediente de bater para depois cobrar a conta. H\u00e1 uma semana, fez mat\u00e9ria sobre o excesso de corrup\u00e7\u00e3o no Brasil. Dias atr\u00e1s, fez outra, sobre esse fen\u00f4meno que \u00e9 o Brasil onde, pasmem, a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 relativamente baixa comparada com outros gigantes. Os jornal\u00f5es viraram jornalecos de meia pataca.<\/p>\n<p>Para substituir o magn\u00edfico jornalismo impresso que t\u00ednhamos at\u00e9 os anos 60, por uma falcatrua metida a besta e vazia como Jornal Nacional, foi preciso fazer o servi\u00e7o completo, ou seja, destruir a alfabetiza\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o escolar, bases de uma opini\u00e3o p\u00fablica l\u00facida e atuante. Mandaram para as calendas cartilhas eficientes, como a Caminho Suave, que alfabetizou mais de 40 milh\u00f5es de brasileiros e colocaram no seu lugar o analfabetismo puro e simples. Como era imposs\u00edvel, no sistema tradicional, passar de ano sem saber ler, inventaram a aprova\u00e7\u00e3o por decreto. Assim est\u00e1 feito o p\u00fablico para consumir JN, em que o par\u00e2metro, segundo o pr\u00f3prio Bonner, \u00e9 o Homer Simpson, o idiota da s\u00e9rie americana.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o grande sucesso do Brasil foi transformar um regime sinistro numa ditadura consentida com vestes de democracia. Com a crise mundial, em que os jornal\u00f5es mais not\u00f3rios perdem leitores e faturamento, est\u00e1 tudo sendo loteado e comprado. A ditadura brasileira faz a festa, como provam alguns artigos pesquisados pela equipe do Di\u00e1rio da Fonte. Leiam aqui e aqui. Mesmo no Translate Google, fica leg\u00edvel. D\u00e1 trabalho, mas n\u00e3o muito. \u00c9 de explodir os gargomilhos. Simplesmente estamos cacifando a pirataria internacional com o aval do Banco Central, transformamos os respons\u00e1veis pelos milion\u00e1rios fundos de pens\u00e3o em especuladores que comp\u00f5em hoje uma nova elite, entre outras mumunhas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s O Jornal Nacional, da Rede Globo, n\u00e3o mudou o jornalismo, ajudou a mat\u00e1-lo. Concebido logo depois do AI-5, em 1969, obedeceu ao formato americano por obra de Walter Clark, o executivo da publicidade festejado como g\u00eanio, mas o conte\u00fado precisava de um ajuste, adaptado \u00e0s necessidades da ditadura. 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