{"id":2066,"date":"2018-02-15T15:10:24","date_gmt":"2018-02-15T17:10:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2066"},"modified":"2018-02-15T15:10:24","modified_gmt":"2018-02-15T17:10:24","slug":"servico-completo-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/servico-completo-3","title":{"rendered":"SERVI\u00c7O COMPLETO"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s(*)<\/p>\n<p>Recebo um ba\u00fa de fotos com cenas da fam\u00edlia. Quase todas se referem \u00e0 escola: o desfile com o uniforme do Jardim da Inf\u00e2ncia, a entrega do diploma, a reuni\u00e3o com os colegas, o time do gin\u00e1sio, os professores conversando com os pais, as rodas das bicicletas com papel crepom, ao lado de uniformes azuis e brancos, a sa\u00edda do col\u00e9gio.<\/p>\n<p>A vida estudantil era hegem\u00f4nica antes da reforma da educa\u00e7\u00e3o promovida pelo regime de 1964, que hoje leva a fama da excel\u00eancia do estudo, quando apenas usufruiu das gera\u00e7\u00f5es formadas antes do golpe de estado. A aprova\u00e7\u00e3o por decreto, dos anos 90 para c\u00e1, e agora a imposi\u00e7\u00e3o de cotas raciais para driblar o vestibular apenas completam o servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Lembro da cartilha Caminho Suave, criada pela educadora brasileira Branca Alves de Lima (1911-2001), que alfabetizou mais de 40 milh\u00f5es de brasileiros, antes da atual febre de analfabetismo institucionalizado. Aprendi a ler no primeiro ano prim\u00e1rio com ela. As letras eram identificadas com o desenho do significado das palavras que ajudavam a formar. A barriga do b era humana, o marfim do elefante fazia parte do e, as vogais unidas \u00e0s consoantes levavam \u00e0s s\u00edlabas, estas \u00e0s palavras at\u00e9 chegar \u00e0 frase e ao texto.<\/p>\n<p>Debocharam at\u00e9 derrubar o famoso \u201cIvo viu a uva\u201d. Mas com apenas uma consoante e quatro vogais era poss\u00edvel formar uma ora\u00e7\u00e3o completa, suprema s\u00edntese de f\u00e1cil e r\u00e1pido entendimento, reveladora das possibilidades da linguagem. No seu lugar, atropelaram a mente infantil com palavras completas, que n\u00e3o fazem sentido \u00e0 primeira vista. Mas esse sistema sil\u00e1bico caiu h\u00e1 tempos de moda.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o que sacode afirmativamente a cabe\u00e7a, de maneira muda depois de grandes frases te\u00f3ricas, aguarda que a plat\u00e9ia dos eventos entre luminares chegue \u00e0 altura dos seus conhecimentos, enquanto a estudantada entra numa espiral \u00e1grafa. O que existe \u00e9 soberba. O que inexiste s\u00e3o pol\u00edticas publicas, a come\u00e7ar pela remunera\u00e7\u00e3o decente de quem escolheu a profiss\u00e3o de ensinar (ou foi empurrado para ela, diante da falta de perspectivas).<\/p>\n<p>Lembro que os professores retratados nas fotos que recebi exibiam voca\u00e7\u00e3o, no caso dos religiosos, somada a uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica est\u00e1vel, entre os mestres leigos. Isso transparecia na sala de aula, lugar de respeito, onde ningu\u00e9m puxava a faca no meio da li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em> Cr\u00f4nica publicada no dia 6 de mar\u00e7o de 2010, no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense.<br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s(*) Recebo um ba\u00fa de fotos com cenas da fam\u00edlia. 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