{"id":2077,"date":"2010-04-24T21:13:45","date_gmt":"2010-04-25T00:13:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2077"},"modified":"2010-04-24T21:13:45","modified_gmt":"2010-04-25T00:13:45","slug":"mais-vogais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/mais-vogais","title":{"rendered":"MAIS VOGAIS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Pa\u00edses imperiais cevados no frio s\u00f3 descobriram as vogais quando aportaram nas terras banhadas pelo sol. Excesso de luz, brisa marinha nas palmeiras, abund\u00e2ncia natural liberaram as emiss\u00f5es fon\u00e9ticas de todos os obst\u00e1culos e foi assim que na\u00e7\u00f5es consonantais foram seduzidas por algo mais valioso do que o ouro. Levaram alguns exemplares para exibir nas Cortes junto com papagaios e \u00edndios, onde foram incorporadas em parte.<\/p>\n<p>H\u00e1 resqu\u00edcios de vogais em l\u00ednguas europ\u00e9ias, como o portugu\u00eas de Portugal e o alem\u00e3o. Em outras na\u00e7\u00f5es ganharam conota\u00e7\u00f5es bizarras, como no franc\u00eas, em que se faz biquinho na hora de emitir um u, que, como dizia meu professor de gin\u00e1sio, tem o som de buzina de fordeco velho. Ou no italiano, em que as vogais se transformaram em atra\u00e7\u00f5es nas manifesta\u00e7\u00f5es coletivas.<\/p>\n<p>Os italianos s\u00e3o mestres do ilusionismo, o que ficou provado definitivamente quando juntaram milhares de fabriquetas de roupas altamente perec\u00edveis, jogaram dentro de ton\u00e9is de tinta, fizeram campanhas publicit\u00e1rias com pacientes terminais rodeados de familiares desesperados e batizaram tudo isso de design. Uma li\u00e7\u00e3o para quem, como n\u00f3s, vive gerando escassez com o que possui de sobra .<\/p>\n<p>As vogais s\u00f3 n\u00e3o conquistaram pa\u00edses mais remotos, naquele cintur\u00e3o de aster\u00f3ides \u00e9tnicos que faziam parte da mat\u00e9ria-prima da antiga Cortina de Ferro. Para amenizar a dureza que \u00e9 falar s\u00f3 por consoantes, eles malharam em ferro frio o que dispunham, enchendo as letras de chumbo com articula\u00e7\u00f5es variadas, molhando-as com arranques agudos. Amigos que visitaram recentemente um desses lugares ficaram impressionados como eles precisam de frases longas para avisar a pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o do trem el\u00e9trico. Ignorar vogais gera esse tipo de transtorno.<\/p>\n<p>No Kirguist\u00e3o, que se situa na \u00c1rea Consonantal Profunda, na recente revolu\u00e7\u00e3o popular que derrubou o governo corrupto, um engra\u00e7adinho colocou \u201cmais vogais\u201d na lista de reivindica\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma demanda justa. Vogais servem para o grito indignado em pra\u00e7a p\u00fablica. N\u00e3o se acaba com uma tirania se submetendo \u00e0 ditadura das consoantes. Ao mesmo tempo, vimos entre n\u00f3s que uivos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para mandar embora os meliantes da pol\u00edtica. Bem que precis\u00e1vamos de uma cultura fon\u00e9tica mais concreta para fazer valer nossa vontade de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p><em> Cr\u00f4nica publicada no dia 13 abril de 2010 no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Pa\u00edses imperiais cevados no frio s\u00f3 descobriram as vogais quando aportaram nas terras banhadas pelo sol. Excesso de luz, brisa marinha nas palmeiras, abund\u00e2ncia natural liberaram as emiss\u00f5es fon\u00e9ticas de todos os obst\u00e1culos e foi assim que na\u00e7\u00f5es consonantais foram seduzidas por algo mais valioso do que o ouro. 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