{"id":2119,"date":"2010-06-01T19:59:56","date_gmt":"2010-06-01T22:59:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2119"},"modified":"2010-06-01T19:59:56","modified_gmt":"2010-06-01T22:59:56","slug":"girias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/girias","title":{"rendered":"G\u00cdRIAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nExpress\u00f5es populares que fizeram grande sucesso e agora est\u00e3o em desuso parecem aquelas pe\u00e7as de cole\u00e7\u00e3o que guardamos para mostrar \u00e0s visitas. \u00c9 fogo na roupa, se dizia quando o assunto era quente. Na tampa da chocolateira sugeria precis\u00e3o, era algo como ali na batata. O bicho n\u00e3o deu foi mais pontual, em fun\u00e7\u00e3o de uma chanchada que popularizou o jarg\u00e3o e que vinha precedido pela isca: voc\u00ea sabe da \u00faltima? O esperado n\u00e3o tinha acontecido, a sorte ficou em compasso de espera. Era esse, acho, o significado.<\/p>\n<p>Como se costuma fazer confus\u00e3o sobre as d\u00e9cadas passadas, \u00e9 bom lembrar que na modernidade dos 1950 j\u00e1 haviam enterrado coisas como macacos me mordam ou homessa, mais afeitas a gera\u00e7\u00f5es do in\u00edcio do s\u00e9culo. Rec\u00e9m americanizados, t\u00ednhamos predile\u00e7\u00e3o por palavras como big, que n\u00e3o demonstrava apenas o tamanho de algu\u00e9m ou alguma coisa, mas seu potencial cool, seu carisma e sedu\u00e7\u00e3o. Fulana \u00e9 big: al\u00e9m de muito bonita, era gentil e inteligente. Mas tudo isso sumiu com o tempo.<\/p>\n<p>Assim mesmo, noto ressurrei\u00e7\u00f5es. A meninada gosta de tiradas e palavras obsoletas ditas em tom de novidade. Isso renova a esperan\u00e7a de revisitarmos os cl\u00e1ssicos da linguagem. Muitas vezes uma palavra vira de uso corrente e perde seu impacto pornogr\u00e1fico. Como ainda mant\u00e9m o aspecto bruto da origem, costuma evoluir, como \u00e9 o caso de caracas, que veio do velho caramba e passou por uma fase mais expl\u00edcita e que n\u00e3o \u00e9 usada em ambiente conservador. O \u00e9 fogo mudou para uma palavra que lembra o patu\u00e1 de alcova, mas de tanto ser invocada acaba na boca at\u00e9 de quem tem avers\u00e3o \u00e0s g\u00edrias perversas.<\/p>\n<p>Gosto de lembrar esse assunto porque aos poucos o internet\u00eas est\u00e1 tomando conta de todos os espa\u00e7os. As pessoas postam textos longos em vez de \u201cperpetrar cartap\u00e1cios\u201d &#8211; n\u00e3o \u00e9 mais sonoro, mais com jeito de tico-tico no fub\u00e1? A nacionalidade, em ano de Copa, pode voltar a ser mal vista pelo excesso de exposi\u00e7\u00e3o. Mas ser\u00e1 sempre nossa aliada, n\u00f3s, que viemos de longe a carregar o tempo como um c\u00e3o na coleira.<\/p>\n<p>As palavras s\u00e3o carruagens a trafegar pela vida cheia de perigos. Quando a adversidade assoma, podemos at\u00e9 gritar em portugu\u00eas hisp\u00e2nico: Aqui del Rei! N\u00e3o em defesa da tradi\u00e7\u00e3o, mas do nosso direito de morar na l\u00edngua que ajudamos a formar.<\/p>\n<p><em> Cr\u00f4nica publicada no dia 25 de maio de 2010 no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Express\u00f5es populares que fizeram grande sucesso e agora est\u00e3o em desuso parecem aquelas pe\u00e7as de cole\u00e7\u00e3o que guardamos para mostrar \u00e0s visitas. \u00c9 fogo na roupa, se dizia quando o assunto era quente. Na tampa da chocolateira sugeria precis\u00e3o, era algo como ali na batata. 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