{"id":2192,"date":"2010-08-01T21:23:07","date_gmt":"2010-08-02T00:23:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2192"},"modified":"2010-08-01T21:23:07","modified_gmt":"2010-08-02T00:23:07","slug":"espiritos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/espiritos","title":{"rendered":"ESP\u00cdRITOS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s <\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 fantasmas que respiram. N\u00e3o se contentam em aparecer no canto do olho exausto, l\u00e1 no territ\u00f3rio cada vez maior das ilus\u00f5es visuais. Outros se formam no ar, aproveitando alguns sinais soltos, como um galho fino que se desprende e risca o cen\u00e1rio onde procuramos calor no inverno irrevers\u00edvel. Apoiadas pelo v\u00f4o de insetos maiores, sobreviventes de um ver\u00e3o remoto, essas evid\u00eancias acabam formando um corpo em movimento, numa cena perdida. Ela n\u00e3o faz parte da mem\u00f3ria, e sim da imagina\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que n\u00e3o somos, mas existe, num dos in\u00fameros lados do poliedro do universo.<\/p>\n<p>Sentados no sof\u00e1, a respira\u00e7\u00e3o quase impercept\u00edvel no outro extremo da sala nos faz virar bruscamente a cabe\u00e7a. O foco ent\u00e3o se firma no aparato dom\u00e9stico: pia, fog\u00e3o, geladeira, estante, e nada mais. Para onde foi aquele aceno que tentava puxar conversa e agora deve estar amargando seu passeio solit\u00e1rio numa alameda ainda n\u00e3o capturada pelos pintores? Que mist\u00e9rio \u00e9 esse, situado fora do c\u00e2none, do Olimpo dos enigmas aceitos?<\/p>\n<p>Aprendemos que o universo \u00e9 m\u00faltiplo, a anti-mat\u00e9ria existe mas n\u00e3o d\u00e1 as caras (ou d\u00e1?), um f\u00f3ton pode ter outra natureza al\u00e9m da emana\u00e7\u00e3o de energia e todas essas portas abertas para especula\u00e7\u00f5es variadas. Os cientistas s\u00e3o ladinos, gostam de deixar algo pendente para n\u00e3o serem desmoralizados novamente por teorias da relatividade, das cordas ou dos buracos de minhoca. Aparentemente, est\u00e1 tudo dito e o que fica impl\u00edcito \u00e9 assunto confinado aos especialistas. N\u00f3s temos de nos conformar com o que percebemos, e imaginar a chave para descobrir do que \u00e9 feito nossa passagem pela terra.<\/p>\n<p>Minhas conversas sobre ci\u00eancia nunca v\u00e3o adiante porque n\u00e3o acredito no big bang, na estrutura do \u00e1tomo ou na gravidade. Li recentemente um renomado cientista dizer que, para ele, a gravidade n\u00e3o existe, \u00e9 apenas sintoma de uma qualidade inerente \u00e0 mat\u00e9ria, ou algo assim. Agora estamos liberados para achar estranho que corpos celestes se atraiam e se afastem mutuamente, num conflito que deixa as coisas suspensas no \u00e9ter. E se dissermos que os astros s\u00e3o criaturas obedientes a outros princ\u00edpios, como o deslizamento sobre superf\u00edcies invis\u00edveis? Poder\u00e3o rir at\u00e9 n\u00e3o poder mais.<\/p>\n<p>Talvez s\u00f3 os fantasmas nos escutem. Os esp\u00edritos, que vivem no que parece ser penumbra e que para eles deve ser dia claro.<\/p>\n<p><em> Cr\u00f4nica publicada no dia 20 de julho de 2010, no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s H\u00e1 fantasmas que respiram. N\u00e3o se contentam em aparecer no canto do olho exausto, l\u00e1 no territ\u00f3rio cada vez maior das ilus\u00f5es visuais. Outros se formam no ar, aproveitando alguns sinais soltos, como um galho fino que se desprende e risca o cen\u00e1rio onde procuramos calor no inverno irrevers\u00edvel. 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