{"id":2242,"date":"2010-08-17T16:12:42","date_gmt":"2010-08-17T19:12:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2242"},"modified":"2010-08-17T16:12:42","modified_gmt":"2010-08-17T19:12:42","slug":"o-paradoxo-de-while","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-paradoxo-de-while","title":{"rendered":"O PARADOXO DE WHILE"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nPesquisador brasileiro, que se esconde sob o pseud\u00f4nimo de While (talvez para fugir de um Jondertson) levantou uma hip\u00f3tese pol\u00eamica, que depois de abandonada no meio acad\u00eamico alcan\u00e7ou s\u00fabita notoriedade. Trata-se de uma rela\u00e7\u00e3o entre duas situa\u00e7\u00f5es incomensur\u00e1veis. A primeira \u00e9 a da linha cont\u00ednua que forma o c\u00edrculo e que, em tese, jamais se fecha, pois n\u00e3o alcan\u00e7a o n\u00famero infinito de pontos que existe antes de chegar ao final. A segunda \u00e9 o perfil auto-definido das personalidades humanas, que tamb\u00e9m funcionaria como uma sucess\u00e3o infinita de pontos, as imagens superpostas, como num espelho em frente ao outro. O c\u00edrculo que jamais se fecha e a consci\u00eancia que nunca chega \u00e0 cristaliza\u00e7\u00e3o teriam uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima, que encerra um paradoxo. Qual seria?<\/p>\n<p>Tanto a figura geom\u00e9trica que nunca atinge sua concretiza\u00e7\u00e3o final, quanto o ethos pessoal sempre incompleto existem de fato e s\u00e3o vistos como definitivos. A exist\u00eancia da roda ou do Porf\u00edrio permite que pessoas andem de carro e xinguem os outros porque sempre t\u00eam raz\u00e3o. Mas sob o ponto de vista do paradoxo de While, nem o carro poderia rodar nem Porf\u00edrio teria chance de dirigir, pois n\u00e3o contaria com suas certezas para abrir caminho no tr\u00e1fego.<\/p>\n<p>Parece uma bobagem, e \u00e9. Mas n\u00e3o fosse o scholar Branden Der Wolf, que veio pesquisar os nativos a partir de uma bolsa fornecida pelo governo de Luxemburgo e da universidade de Branderbugo, talvez While continuasse no anonimato, como acontece com todos os produtores de pensamentos que tiveram a infelicidade de nascer no Brasil.<\/p>\n<p>Wolf adorou o estudo de While, que n\u00e3o passa de seis p\u00e1ginas datilografadas em espa\u00e7o dois em papel of\u00edcio A4 . O que o encantou foi, a principio, um paper escrito numa velha Olivetti, apesar de ser datado de mar\u00e7o de 2010. E depois, ao colocar o texto no Google Tradutor, as possibilidades lucrativas de desdobramentos.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que Wolf tinha se amasiado com uma mulata na Baixa do Sapateiro e deixado escorrer miseravelmente o tempo para sua tese. Ao selecionar pap\u00e9is para uma necessidade premente, descobriu que tinha descoberto ouro em p\u00f3. E voltou do reservado com os olhos esbugalhados. Ali estava a possibilidade de estender sua estadia no Brasil por mais 20 anos. \u00c9 o tempo que leva uma carreira bem sucedida nas universidades brasileiras. Bastaria encher alguns formul\u00e1rios, verter para o ingl\u00eas a barafunda de While e pronto.<\/p>\n<p>Desconfio que foi o pr\u00f3prio Wolf que arranjou o pseud\u00f4nimo para Jondertson. Assim convenceria seus orientadores teuto-sax\u00f5es de que estava \u00e0s voltas com um fen\u00f4meno da fenomenologia, uma esp\u00e9cie de Schopenhauer de tanga, um Wittegenstein tardio. Como ca\u00e7ador de paradoxos, Wolf sabia que poderia incrementar o estudo com teorias bizarras sobre contradi\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es de infinitude. O que havia de novidade \u00e9 que pela primeira vez um estudo combinava a perfei\u00e7\u00e3o e os abismos da geometria e da matem\u00e1tica com a situa\u00e7\u00e3o da diversidade e da sustentabilidade humana contempor\u00e2nea. N\u00e3o haveria mais como escapar da possibilidade de encarar cada candidato pol\u00edtico, por exemplo, ou cada celebridade, como algo a ser enfrentado como um teorema complexo ancestral.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o egr\u00e9gio conselho da Universidade de Brandeburgo refutou a hip\u00f3tese e mandou suspender a mordomia, que era de uns cinco paus de euros por m\u00eas, uma fortuna na periferia de Salvador. Foram suspensas tamb\u00e9m as viagens de Wolf a Santa Cruz do Sul, onde mora While, estudante por correspond\u00eancia do Instituto Unviersal Sowak-Brasileiro, de exist\u00eancia virtual, mas significativa, p\u00e1 que tem costas quentes, com tr\u00eas senadores lutando por sua regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o foi o p\u00e9ssimo curr\u00edculo da institui\u00e7\u00e3o de ensino freq\u00fcentado pro While que definiu o desenlace desfavor\u00e1vel. Hoje \u00e9 moda cacifar grot\u00f5es, a culpa primeiromundista alcan\u00e7ou n\u00edveis estratosf\u00e9ricos. Mas sim a natureza do paradoxo, de implic\u00e2ncia pol\u00edtico-perigosas. Os professores doutores n\u00e3o queriam amarrotar suas rela\u00e7\u00f5es com o governo brasileiro, pois todos os anos ganhavam do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o uma verba para visitar as praias do nosso litoral. Wolf j\u00e1 tinha usufru\u00eddo bastante dos tr\u00f3picos, por que haveria de estragar o esquema deles?<\/p>\n<p>Foi assim que While caiu temporariamente no anonimato e s\u00f3 recentemente foi resgatado por uma reportagem do jornal O Parcial, de Sururucu da Serra. O rep\u00f3rter Ben\u00edcio Vagalume descobriu a tese reescrita por Wolf num site sobre c\u00e3es, e colocou no Google Tradutor, ganhando de presente um belo calhau para preencher lacuna deixada por malho na prefeitura local. N\u00e3o tinham o que colocar l\u00e1, mas a p\u00e1gina era em cores e fechava um caderno especial. O paradoxo de While ent\u00e3o abrilhantou os ser\u00f5es deste inverno e virou um must n\u00e3o s\u00f3 na regi\u00e3o, como nas catacumbas das universidades marginalizadas do Pa\u00eds.<br \/>\nWhile\/Wolf viraram s\u00edmbolos do saber que jamais \u00e9 considerado. J\u00e1 tem candidato prometendo elevar os dois ao n\u00edvel de consultores regiamente pagos, para que distribuam suas luzes em cursos de auto-ajuda, superfaturados, pelo pa\u00eds afora.<\/p>\n<p>Nem tudo est\u00e1 perdido. O c\u00edrculo jamais se fecha, portanto a verba nunca acaba. E esse neg\u00f3cio de perfil pessoal incomensur\u00e1vel, j\u00e1 sabemos: faz parte da pol\u00edtica brasileira atual. Ningu\u00e9m tem uma s\u00f3 cara, isso n\u00e3o d\u00e1 mais lucro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Pesquisador brasileiro, que se esconde sob o pseud\u00f4nimo de While (talvez para fugir de um Jondertson) levantou uma hip\u00f3tese pol\u00eamica, que depois de abandonada no meio acad\u00eamico alcan\u00e7ou s\u00fabita notoriedade. Trata-se de uma rela\u00e7\u00e3o entre duas situa\u00e7\u00f5es incomensur\u00e1veis. 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