{"id":2247,"date":"2010-08-17T16:19:38","date_gmt":"2010-08-17T19:19:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2247"},"modified":"2010-08-17T16:19:38","modified_gmt":"2010-08-17T19:19:38","slug":"encantos-eternos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/encantos-eternos","title":{"rendered":"ENCANTOS ETERNOS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s <\/strong><\/p>\n<p>Tentei ver um filme que mostra um antigo ditador na alcova fazendo sexo por v\u00e1rios minutos, v\u00e1rias vezes. Exausto da baixaria, migrei para um Hitchcock de 1938, <em>The Lady Vanishes<\/em>, sobre a governanta que some numa viagem de trem e todo mundo finge que nunca a viu, para desespero da protagonista, a bela Margaret Lockwood, no papel de uma americana liberada e noiva de algu\u00e9m que n\u00e3o ama. Ela acaba sendo ajudada pelo pesquisador de dan\u00e7as da Europa Oriental, interpretado por Michael Redgrave que, claro, ser\u00e1 seu futuro marido. Ambos decifram a charada do sumi\u00e7o da velha senhora.<\/p>\n<p>Hitchcock faz um filme que \u00e9 soma de tudo o que hoje se divide em nichos, como se a S\u00e9tima Arte tivesse de ficar sob o tac\u00e3o de g\u00eaneros. O filme de 1938 \u00e9 com\u00e9dia, suspense, romance, drama, thriller pol\u00edtico etc. \u00c9 anti-pacifista, j\u00e1 que a Europa estava conflagrada desde 1936 com a guerra espanhola, onde os nazistas pontificavam. \u00c9 hil\u00e1rio, quando mostra o casal gay de ingleses da classe m\u00e9dia fan\u00e1ticos por cricket. \u00c9 de chorar quando um deles diz que n\u00e3o sabia que o hino da Hungria era uma raps\u00f3dia com dura\u00e7\u00e3o de 20 minutos.<\/p>\n<p>A cena de briga entre o casal em busca da chave do mist\u00e9rio e o m\u00e1gico envolvido na trama do desaparecimento, se sobressai a pantomina \u00e9 um n\u00famero de palha\u00e7os de circo, com mordias na m\u00e3o, pontap\u00e9s errados, golpes na cabe\u00e7a, desmaios c\u00f4micos. E o mais incr\u00edvel: tudo funciona maravilhosamente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m impressiona o que hoje chamam de efeitos especiais. O her\u00f3i fora da janela do trem enquanto fica praticamente prensado entre duas composi\u00e7\u00f5es que trafegam em sentido contr\u00e1rio \u00e9 um ponto alto da a\u00e7\u00e3o eletrizante. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 preciso muitos recursos para deslumbrar a plat\u00e9ia. Basta a compet\u00eancia ao criar ilus\u00f5es e \u00e9 disso que , no fundo, o cinema trata. \u00c9 uma arte que dribla o nosso olho ,que fica \u00e0 merc\u00ea de imagens fixas navegando diante de n\u00f3s. Ou n\u00e3o \u00e9 mais assim com a tecnologia digital?<\/p>\n<p>Criado no tempo do celul\u00f3ide onde o cinema, como dizia Godard, \u00e9 a verdade 24 vezes por segundo, continuo encantado com o acervo produzido em d\u00e9cadas passadas. H\u00e1 muita coisa boa recente, mas \u00e9 insuport\u00e1vel a voca\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria hoje tentar nos impactar com apela\u00e7\u00f5es visuais. Precisamos de mais qualidade, de mais Hitchcock e um bom zero para a mediocridade e o mau gosto.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada no dia 17 de agosto de 2010, no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Tentei ver um filme que mostra um antigo ditador na alcova fazendo sexo por v\u00e1rios minutos, v\u00e1rias vezes. 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