{"id":2273,"date":"2010-09-01T10:21:37","date_gmt":"2010-09-01T13:21:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2273"},"modified":"2010-09-01T10:21:37","modified_gmt":"2010-09-01T13:21:37","slug":"o-que-faco-com-as-esferas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-que-faco-com-as-esferas","title":{"rendered":"O QUE FA\u00c7O COM AS ESFERAS?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\n<em>Tenho dedicado algumas noites no Twitter aos ser\u00f5es de poesia. Escrevo on line poemas de um ou dois versos, seguidos por pessoas que se conectam nessa rede infinita. Aqui, uma seleta dessas sess\u00f5es po\u00e9ticas, e alguns tuits sobre pol\u00edtica, j\u00e1 que candidato \u00e9 linguagem e eleitor tamb\u00e9m \u00e9 texto.<\/em><\/p>\n<p>O que fa\u00e7o com a esferas? perguntou o Criador depois que tudo estava pronto. Invente o horizonte, disse o anjo. O resto vem por si<\/p>\n<p>Faltam as estrelas, soprou o anjo para o Criador orgulhoso de ter inventado o Caos. Vem os poetas de contrapeso, mas vale a pena<\/p>\n<p>J\u00e1 estive aqui uma vez, disse o senhor de bengala num s\u00fabito d\u00e8ja vu. N\u00e3o esteve, explicou o anjo. O lugar \u00e9 que viciou em te visitar<\/p>\n<p>L\u00e1 vem a Madrugada, disse a Noite em suas vestes de Mist\u00e9rio. Parece comigo, mas sempre me expulsa com lanternas ocultas<\/p>\n<p>O amor \u00e9 a \u00fanica bagagem que n\u00e3o podemos esquecer numa conex\u00e3o complicada<\/p>\n<p>Voc\u00ea joga poesia a esmo no cosmo cheio de becos? pergunta o amigo. \u00c9 onde vingam as plantas que al\u00e7am os voos mais altos, disse o poeta<\/p>\n<p>A poesia surpreende at\u00e9 a pena que pensa invent\u00e1-la<\/p>\n<p>Por falta de papel e caneta perdia poemas, que pulavam para fora do seu bolso nas viagens. Ficava o esquecimento, como um sino ao longe<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera do amor, h\u00e1 sempre uma bacia de \u00e1gua pura tremendo de frio no meio do quintal, banhando de alegria os futuros amantes<\/p>\n<p>A Lua Cheia sujava o dorso rolando no deserto. Pode voltar, disse Quixote para Sancho. Encontrei finalmente a Dulcin\u00e9ia.<\/p>\n<p>J\u00e1 estivemos aqui em outras vidas. \u00c9ramos criaturas insol\u00faveis a olhar com desconforto o futuro se aproximando como um ex\u00e9rcito<\/p>\n<p>A vida \u00e9 um dia de mudan\u00e7a, quando carregamos nossos m\u00f3veis para lugares afastados onde n\u00e3o h\u00e1 casas<\/p>\n<p>Agora que tudo cai na vala comum da madrugada, \u00e9 hora de abrigar os sonhos que tivemos e que se esgueiram nos becos como suspeitos<\/p>\n<p>Quando os poetas passeiam no parque, os p\u00e1ssaros se agitam e pulam para as \u00e1rvores mais pr\u00f3ximas, onde arrulham vogais de poemas poss\u00edveis<\/p>\n<p>Perto da meia noite, ele desistiu de convencer o Tempo a dar-lhe raz\u00e3o e entregou-se ao som de sino que bate insistente no bronze da Lua<\/p>\n<p>Chegamos cedo demais ao navio que partir\u00e1 de madrugada e ficamos com os pacotes no ch\u00e3o olhando a \u00e1gua suja do cais a afogar mariposas<\/p>\n<p>Quando ningu\u00e9m est\u00e1 olhando, o poeta amarra os t\u00eanis debaixo das estrelas<\/p>\n<p>Quando pequeno, sentado no banco de tr\u00e1s do carro, eu sabia que a estrada acabaria na primeira curva e levaria a fam\u00edlia para o abismo<\/p>\n<p>Os poetas fazem biscates ao longo da vida para escapar do destino de morrer em cada palavra que salta do ombros dos anjos para a sarjeta<\/p>\n<p>Os poemas s\u00e3o moedinhas de cinco centavos que ningu\u00e9m faz quest\u00e3o de ter e que se acumulam, in\u00fateis, no lado sem bolso do cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A poesia bate, suave, como um tambor de veludo, na noite infinita<\/p>\n<p>As redes sociais ser\u00e3o bairros abandonados no futuro, habitados por c\u00e3es vadios, nossos tuits, a farejar algo escondido para sempre<\/p>\n<p><strong>UM POUCO DE POL\u00cdTICA<\/strong><\/p>\n<p>Ganho followers \u00e0 noite, com poesia, e perco de manh\u00e3, com pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A alian\u00e7a anti-empreendedora entre os sistemas financeiro e tribut\u00e1rio alimenta as gangs do estamento pol\u00edtico e a ilus\u00e3o da pseudorebeldia<\/p>\n<p>O uso pol\u00edtico e a vilaniza\u00e7\u00e3o do sistema produtivo s\u00e3o sintomas graves de doen\u00e7a social e econ\u00f4mica de um pa\u00eds de escravos<\/p>\n<p>Pelo menos a cara de pau deveria ser menos intensa nesta campanha, depois de tantas den\u00fancias e esc\u00e2ndalos. Mas parece que piorou<\/p>\n<p>Pol\u00edticos n\u00e3o deveriam falar em setor produtivo. N\u00e3o obedecem nem aos principios tradicionais do livro caixa (receita e despesa)<\/p>\n<p>Quando um empreendedor consegue gerar um emprego, o pol\u00edtico vai para a TV dizer que o governo dele foi o respons\u00e1vel<\/p>\n<p>Por que os pol\u00edticos usam o setor produtivo como argumento, se as empresas crescem \u00e0 revelia dos pol\u00edticos?<\/p>\n<p>Nem tudo o que \u00e9 antigo \u00e9 ultrapassado e nem tudo o que \u00e9 de hoje \u00e9 novidade. Chovo no molhado, mas \u00e9 preciso dizer<\/p>\n<p>Algumas campanhas de comportamento correto sugerem um clima de recente descoberta da p\u00f3lvora, como se tudo fosse obra do presente<\/p>\n<p>Falam em diversidade cultural e di\u00e1logo intercultural como grande novidade. Blues, Jazz, samba, artes ancestrais, seriam o que?<\/p>\n<p>Um problema n\u00e3o deixa de ser pessoal s\u00f3 porque &#8220;acontece com todo mundo&#8221;<br \/>\n.<br \/>\nOs candidatos representam for\u00e7as pol\u00edticas em disputa pelo butim e n\u00e3o a favor da na\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Zero para todos os candidatos. Quando passar as elei\u00e7\u00f5es vai cair a ficha sobre a ins\u00e2nia dos votos dados a esses tipos<\/p>\n<p>O voto indeciso \u00e9 o mais decidido: nenhum de v\u00f3s<\/p>\n<p>A fome \u00e9 capitalista. Somos revolucion\u00e1rios depois das refei\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Como \u00e9 bom saber que est\u00e1 acess\u00edvel uma s\u00e9rie de recursos para melhorar nossa performance na web e nem sequer clicar no link. Deixar para l\u00e1<\/p>\n<p>Uma boa biblioteca atualizada \u00e9 uma esp\u00e9cie de Bienal do Livro sem atra\u00e7\u00f5es de circo<\/p>\n<p>Proposta casa com Projeto. Nasce Prospecto<\/p>\n<p><strong>E FALANDO EM FUTEBOL<\/strong><\/p>\n<p>Colorado \u00e9 marca de nascen\u00e7a que pulsa em dias de grandes tempestades.<\/p>\n<p>O microconto tamb\u00e9m entrou em campo. Mas foi atrapalhado pelos quero-queros<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Tenho dedicado algumas noites no Twitter aos ser\u00f5es de poesia. Escrevo on line poemas de um ou dois versos, seguidos por pessoas que se conectam nessa rede infinita. Aqui, uma seleta dessas sess\u00f5es po\u00e9ticas, e alguns tuits sobre pol\u00edtica, j\u00e1 que candidato \u00e9 linguagem e eleitor tamb\u00e9m \u00e9 texto. 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