{"id":2309,"date":"2010-09-17T11:31:25","date_gmt":"2010-09-17T14:31:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2309"},"modified":"2010-09-17T11:31:25","modified_gmt":"2010-09-17T14:31:25","slug":"provocacoes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/provocacoes","title":{"rendered":"PROVOCA\u00c7\u00d5ES"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO que chamam de novas m\u00eddias j\u00e1 existe h\u00e1 mais de dez anos, pelo menos potencialmente, desde que a internet come\u00e7ou a se difundir entre a popula\u00e7\u00e3o. Hoje faz parte da respira\u00e7\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 sentido mais em se chamar de internauta quem usa a rede mundial de computadores. Seria o mesmo que chamar de tvnautas os telespectadores ou jornalautas os que preferem o impresso. Implico com termos que tentam manter a dist\u00e2ncia entre o tradicional e o emergente, como se este precisasse ocupar sempre a posi\u00e7\u00e3o de coadjuvante.<\/p>\n<p>Ainda hoje h\u00e1 preconceito contra blogs, vistos como di\u00e1rios pessoais, quando s\u00e3o ambientes de tecnologia onde cabe tudo. J\u00e1 existe pr\u00eamio importante para reportagens que s\u00f3 conheceram a vers\u00e3o on line. Isso n\u00e3o significa um novo c\u00e2none, imperme\u00e1vel a outras solu\u00e7\u00f5es. Uma edi\u00e7\u00e3o impressa \u00e9 permanente, enquanto na rede h\u00e1 formas infinitas de manipula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, por mais amig\u00e1vel que seja um visor, sempre existir\u00e3o as vantagens da revolu\u00e7\u00e3o de Gutenberg, que continua a mil.<\/p>\n<p>Vemos prateleiras forradas de livros, bancas cheias de jornais e revistas por todo o canto. H\u00e1 gritos e ranger de dentes, mas isso faz parte das mudan\u00e7as de paradigma. O que n\u00e3o pode \u00e9 achar que tinta no papel continuar\u00e1 dando as cartas na comunica\u00e7\u00e3o, sem concorr\u00eancia na sua credibilidade. Ou sugerir que tudo agora deva ser por bits e bytes, como se f\u00f4ssemos escravos de bot\u00f5es. O desequil\u00edbrio da percep\u00e7\u00e3o \u00e9 normal quando existe, como aconteceu recentemente, jeito de um leigo filmar jornalistas sob a mira de louco e imediatamente divulgar na rede um \u201cfuro\u201d conseguido por algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 do ramo, o que ajudou a reprimir o atentado.<\/p>\n<p>A internet \u00e9 a m\u00eddia das fontes e multiplicou a agilidade e o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es. Mas permanece a import\u00e2ncia do profissional inteiramente dedicado ao of\u00edcio, que no fundo \u00e9 a origem da massa de dados que circulam livremente por canais virtuais. Junto com as novas facilidades, proliferaram as chances de fazer provoca\u00e7\u00f5es. Mas passar ao largo da matilha que ladra contra a caravana do c\u00e2none n\u00e3o deve resultar na indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pulsa\u00e7\u00f5es de in\u00fameras coletividades. Precisamos como nunca de equil\u00edbrio, desde que este n\u00e3o tenha como objetivo a paz dos cemit\u00e9rios, mas sim o dinamismo necess\u00e1rio dentro de padr\u00f5es civilizados.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada no dia 7 de setembro de 2010 no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s O que chamam de novas m\u00eddias j\u00e1 existe h\u00e1 mais de dez anos, pelo menos potencialmente, desde que a internet come\u00e7ou a se difundir entre a popula\u00e7\u00e3o. Hoje faz parte da respira\u00e7\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 sentido mais em se chamar de internauta quem usa a rede mundial de computadores. 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