{"id":2328,"date":"2010-09-29T10:40:47","date_gmt":"2010-09-29T13:40:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2328"},"modified":"2010-09-29T10:40:47","modified_gmt":"2010-09-29T13:40:47","slug":"no-jardim","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/no-jardim","title":{"rendered":"NO JARDIM"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nPrecoce, o pequeno p\u00e9 de laranja lima arrisca sua segunda florada antes de completar tr\u00eas anos de vida. Sonhamos com a fruta colhida no quintal s\u00f3 pelo gosto de homenagear a do\u00e7ura que ela oferece, imbat\u00edvel diante das outras modalidades c\u00edtricas, mas ainda \u00e9 cedo e o esfor\u00e7o costuma forrar o ch\u00e3o de p\u00e9talas abandonadas. A primavera tamb\u00e9m enche de esperan\u00e7a os novos brotos do limoeiro, devidamente podado e com um porte orgulhoso frente ao sol que se manifesta com mais freq\u00fc\u00eancia. Ele come\u00e7a a gerar pequenos bot\u00f5es, que se transformar\u00e3o no mais apraz\u00edvel suco da temporada, como j\u00e1 aconteceu uma vez, h\u00e1 tempos, antes da grande crise que se abateu sobre o jardim.<\/p>\n<p>Pragas diversas interferiram no canteiro de ervas arom\u00e1ticas, com exce\u00e7\u00e3o de um solit\u00e1rio p\u00e9 de alfazema, j\u00e1 exuberante no cheiro que se espalha no quintal. Primeiro, foi o c\u00e3o importado da grande cidade, que n\u00e3o estava acostumado a conviver pacificamente com plantas e acabou impedindo que elas vingassem. Depois vieram os caramujos, agora devidamente erradicados por dedicado profissional da grama e dos ancinhos, que nos visita mensalmente. E ainda houve outros eventos, dos quais nem \u00e9 bom lembrar, j\u00e1 que estamos fazendo as pazes com este territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Chegamos n\u00e1ufragos da megal\u00f3pole, ermos por terra. Depois de comprar a casa, que disp\u00f5e de terreno razo\u00e1vel, sem excessos, mas sem escassez, contratamos operoso casal de uruguaios que fez uma limpa em regra na quantidade de problemas que se acumularam com o antigo dono. Depois, foi a vez de nos livrar de alguns im\u00e3s de bichos diversos, como vetusta bananeira que mais era casa de moradores indesejados do que fornecedora de cachos. As fortes ventanias da \u00e9poca dos ciclones nos obrigaram a exilar tamb\u00e9m o p\u00e9 de abacateiro, que, j\u00e1 com tamanho razo\u00e1vel, se vergava perigosamente para a parte dos fundos da morada. Mas vingou uma novidade de nossa lavra, um arbusto no canto do muro, que abriga \u00e0s vezes um casal de aves nativas, e que ali permanece sempre florido, para alegria dos insetos.<\/p>\n<p>O excesso de problemas nos afastou bastante do lugar. Ficamos recolhidos \u00e0s pe\u00e7as internas, nos reservando o direito de substituir o pedregulho herdado, por uma grama que precisou de tempo para nos acostumar a ela e a dar-lhe tratamento merecido. De toda a faina, resistiram algumas roseiras corajosas, que de vez em quando explodem em s\u00f3is de cores variadas, do amarelo ao rosa, como a nos lembrar que vale a pena pelo menos semear. Nem \u00e9 preciso tanto cuidado, basta dar uma chance \u00e0s criaturas. N\u00e3o conseguimos manter xaxins e trepadeiras, que se estiolaram nos in\u00fameros contratempos clim\u00e1ticos e tamb\u00e9m devido \u00e0 nossa falta de conhecimento b\u00e1sico no abra\u00e7o com a natureza.<\/p>\n<p>Cultivamos essa ilus\u00e3o desde a juventude, quando quer\u00edamos voltar \u00e0s origens da inf\u00e2ncia solta, j\u00e1 que est\u00e1vamos exaustos do mundo da gasolina e do ru\u00eddo. Depois de muitas vidas, aportamos no litoral, a uma dist\u00e2ncia respeitosa do mar, para evitar a muvuca na temporada e tamb\u00e9m porque ele precisa ficar fora do alcance da nossa vista, para que possamos usufruir de alguma surpresa e encanto quando nos encontramos. Praticamente vivemos no interior. Nos longos invernos, s\u00e3o espor\u00e1dicas as visitas \u00e0 praia, sempre batida pelo vento frio, e econ\u00f4mica em atra\u00e7\u00f5es quando longe do veraneio.<\/p>\n<p>Conseguimos, mas nada obedece completamente ao sonho. Assim mesmo, quando as baixas temperaturas come\u00e7am a ceder e a laranjeira, menina-mo\u00e7a, a florir, sentimos que valeu a pena. \u00c9 quando podemos ent\u00e3o colher a flor mais arisca do jardim conquistado, a poesia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Precoce, o pequeno p\u00e9 de laranja lima arrisca sua segunda florada antes de completar tr\u00eas anos de vida. 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