{"id":2357,"date":"2010-10-26T19:07:07","date_gmt":"2010-10-26T21:07:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2357"},"modified":"2010-10-26T19:07:07","modified_gmt":"2010-10-26T21:07:07","slug":"rodizio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/rodizio","title":{"rendered":"ROD\u00cdZIO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s <\/strong><\/p>\n<p>O universo \u00e9 limitado e se expande at\u00e9 suas fronteiras, quando ent\u00e3o volta ao ponto de partida. O tempo \u00e9 sua met\u00e1fora quando se comporta como um p\u00eandulo. Em vez do rel\u00f3gio antigo de parede, prefiro a id\u00e9ia de uma barca de parque de divers\u00f5es, lotada de gente. Cada ponto da trajet\u00f3ria oscilante \u00e9 um momento da hist\u00f3ria humana, em que encarnamos com o \u00fanico objetivo de permanecermos eternamente vivos.<\/p>\n<p>N\u00e3o embarcamos em esta\u00e7\u00f5es postadas em fila como numa estrada reta at\u00e9 o desconhecido, mas numa esp\u00e9cie de carrossel. Nem sempre descemos no futuro. Podemos ter a surpresa de \u201cvoltar\u201d, amanhecer num s\u00e9culo considerado morto e l\u00e1 interagirmos com nosso acervo de viv\u00eancias acumuladas.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso, talvez, que algumas pessoas s\u00e3o consideradas \u201c\u00e0 frente do seu tempo\u201d. Na estrutura do p\u00eandulo, esse \u00e9 um conceito inadequado. As crian\u00e7as trazem do Outro Lado a mem\u00f3ria de \u00e9pocas que est\u00e3o por vir. N\u00e3o que n\u00e3o tenham acontecido, mas se situam adiante no rod\u00edzio misterioso do tempo. Ou ent\u00e3o trazem o que j\u00e1 esteve por aqui como se fosse hoje.<\/p>\n<p>Noto isso nos filmes de anima\u00e7\u00e3o do g\u00eanio japon\u00eas Hayao Miyazaki. Em suas obras preciosas, que nos deslumbram h\u00e1 mais de 30 anos, as cidades t\u00e3o generosas em detalhes fazem parte de uma soma de eras urbanas. Os personagens navegam nelas com dons poderosos. S\u00e3o adolescentes bruxas em rito de passagem ou garotas conformadas com seu destino de isolamento e que acabam sendo arrastadas para uma viagem assombrosa, como em Howl&#8217;s Moving Castle, o castelo voador que tinha portas variadas para tempos distintos.<\/p>\n<p>Os escritores de literatura, fonte de inspira\u00e7\u00e3o para Miyazaki, como Diana Wynne Jones, s\u00e3o capazes de revelar esse cruzamento de pontos distintos do p\u00eandulo em hist\u00f3rias em que as pessoas rompem barreiras sem se impressionar com isso. Tratam o m\u00e1gico como se fosse o prosaico e nos carregam para possibilidades bem mais perto da real estrutura do universo do que muito cientista. Jorge Luis Borges, que jamais ganhou o Nobel de Literatura, \u00e9 assim. Wynne Jones, com livros que fazem sombra ao megasucesso Harry Potter, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O perigo que corremos \u00e9 ter a mediocridade no leme dessa barca oscilante. Isso faz com que n\u00e3o prestemos aten\u00e7\u00e3o nos verdadeiros talentos. Mas sempre temos a chance de nos redimir. Basta abrir o livro certo, ver o cineasta maior e pronto.<br \/>\n<em><br \/>\nCr\u00f4nica publicada no dia 12 de outubro de 2010, no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s O universo \u00e9 limitado e se expande at\u00e9 suas fronteiras, quando ent\u00e3o volta ao ponto de partida. O tempo \u00e9 sua met\u00e1fora quando se comporta como um p\u00eandulo. 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