{"id":2368,"date":"2010-10-26T19:21:35","date_gmt":"2010-10-26T21:21:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2368"},"modified":"2010-10-26T19:22:07","modified_gmt":"2010-10-26T21:22:07","slug":"selva-politica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/selva-politica","title":{"rendered":"SELVA POL\u00cdTICA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nPalavras feitas para ferir dominam a pol\u00edtica, que assim se transforma na arena bruta de um imagin\u00e1rio perverso, o que exclui, numa pr\u00e1tica que deveria ser pautada pelo esp\u00edrito p\u00fablico. O amor ao pr\u00f3ximo, base da religi\u00e3o, ou a solidariedade, fundamento do conv\u00edvio social, cedem \u00e0 desaven\u00e7a como profiss\u00e3o, ou pelo menos como postura de indiv\u00edduos aparelhados em grupos de exterm\u00ednio. Haver\u00e1 ressaca de tanto fio usado para o corte dos advers\u00e1rios. As elei\u00e7\u00f5es passam, mas a dor continuar\u00e1.<\/p>\n<p>Amizades antigas se esfarinham no ba\u00fa coletivo de confrontos. Cumprimentos s\u00e3o suspensos, como pontes desamarradas nas pontas, a navegar o abismo. Nem sempre o motivo \u00e9 s\u00f3lido. O que se destaca \u00e9 o detalhe, o conflito \u00e0 toa. N\u00e3o h\u00e1 convic\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s da maioria das falas, apenas vontade de ganhar a parada. Queremos vencer a discuss\u00e3o e para isso viramos cavaleiros medievais de armaduras vistosas, pontuadas pela ilus\u00e3o de verdades.<\/p>\n<p>Este embate \u00e9 o mais intenso que vimos em nossa longa vida. Talvez mais do que nos meses anteriores ao golpe de 64, quando a campanha presidencial j\u00e1 tinha tomado conta de tudo e, no col\u00e9gio, arm\u00e1vamos campanhas ferinas contra inimigos postados na cadeira ao lado. Hoje nos cruzamos nas redes digitais, onde confluem as palavras mais amargas. Focados numa luta que decide futuros, fazemos parte da sucess\u00e3o de chances perdidas no pa\u00eds que n\u00e3o acerta o passo.<\/p>\n<p>Talvez sejamos excessivos no momento que antecede o voto e escassos no per\u00edodo que se segue. Dever\u00edamos manter a guarda no exerc\u00edcio dos mandatos, mas sabemos como funciona: tudo cai nas m\u00e3os de conluios, negociatas, verbas paralelas, obras inacabadas, projetos p\u00edfios e uma arenga intermin\u00e1vel, pontuada por esc\u00e2ndalos. N\u00e3o deveria ser assim. Os problemas que nos levam ao debate feroz deveriam ser as \u00fanicas v\u00edtimas da cidadania engajada nos sonhos de melhoria.<\/p>\n<p>Mas o que vemos s\u00e3o ru\u00ednas. Principalmente do discurso que, quebrado por in\u00fameras investidas, se aliena no ressentimento ou se consome da vontade de emigrar. O fato \u00e9 que n\u00e3o podemos adiar esse compromisso. Pol\u00edtica n\u00e3o comporta o amor secreto, que \u00e9 a aus\u00eancia da palavra. O cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 na pra\u00e7a, mas a raz\u00e3o, irm\u00e3 da \u00e9tica, deve dar as cartas.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada no dia 19 de outubro de 2010, no caderno Variedades do Di\u00e1rio Catarinense.<br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Palavras feitas para ferir dominam a pol\u00edtica, que assim se transforma na arena bruta de um imagin\u00e1rio perverso, o que exclui, numa pr\u00e1tica que deveria ser pautada pelo esp\u00edrito p\u00fablico. 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