{"id":2410,"date":"2010-11-11T11:03:00","date_gmt":"2010-11-11T13:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2410"},"modified":"2010-11-11T11:03:00","modified_gmt":"2010-11-11T13:03:00","slug":"rio-do-exagero","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/rio-do-exagero","title":{"rendered":"RIO DO EXAGERO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO Rio \u00e9 puro exagero, sobra em tudo. A voca\u00e7\u00e3o para o excesso se manifesta n\u00e3o apenas nas imagens, mas tamb\u00e9m nas palavras, quando ousamos abordar um lugar que n\u00e3o cabe na nossa percep\u00e7\u00e3o. Isso nos permite dizer que a paisagem do Rio n\u00e3o \u00e9 obra do acaso. \u00c9, antes, uma arquitetura concebida para a cidade que nela nasceu. Uma inspira\u00e7\u00e3o misteriosa desenhou com anteced\u00eancia o abra\u00e7o singular entre a natureza e o universo urbano. Como se a Cria\u00e7\u00e3o fosse disposta de maneira precisa, pautada pela comunh\u00e3o da montanha com o monumento, da ba\u00eda com o aterro.<\/p>\n<p>Bairros pr\u00f3ximos e distantes trazem ainda esse pacto de nascen\u00e7a. \u00c9 quando o granito inspira o alicerce, a praia convida o porto, o sol conversa na cal\u00e7ada, a brisa namora o esfor\u00e7o e tudo des\u00e1gua num momento especial, como em tarde luminosa ao som de Tom Jobim. Ou manh\u00e3s animadas pelo ritmo dos passos, como num samba de Candeia. Ou ainda crep\u00fasculos definitivos, como se cada entardecer fosse a \u00faltima pincelada na secreta arte de encerrar o dia.<\/p>\n<p>Esse abra\u00e7o entre cidade e ambiente obedece a uma tradi\u00e7\u00e3o \u00e1rdua, de uma Hist\u00f3ria de grandes feitos, hoje esquecidos diante dos desafios do para\u00edso. Foi preciso uma dura adapta\u00e7\u00e3o diante da ousadia dos pioneiros. O cora\u00e7\u00e3o balan\u00e7ou entre tantas etnias e nacionalidades, mas no fim a op\u00e7\u00e3o foi a entrega a um povo que inclui todas as cores.<\/p>\n<p>Foi uma decis\u00e3o a favor da busca pela perfei\u00e7\u00e3o. A tradi\u00e7\u00e3o evoluiu para a modernidade, assim como a contempla\u00e7\u00e3o abriga hoje a a\u00e7\u00e3o e o movimento. Ser sede das Olimp\u00edadas em 2016 \u00e9 um sintoma dessa heran\u00e7a que gira em torno da esperan\u00e7a. A paz \u00e9 a chance de vit\u00f3ria quando as amea\u00e7as parecem eternas.<\/p>\n<p>O patrim\u00f4nio do Rio segura o futuro como o Corcovado ampara o Redentor em seu v\u00e9rtice. Trata-se do registro de uma transcend\u00eancia, capturada desde cedo entre n\u00f3s, pelos viajantes que conheceram a obra j\u00e1 definida. Como aconteceu com o bom pastor anglicano R. Walsh, que percorreu o pa\u00eds a p\u00e9 e em lombo de mula e escreveu Not\u00edcias do Brasil (1828-1829).<\/p>\n<p>Quando estava cruzando a Serra dos \u00d3rg\u00e3os, entre picos altos e esguios como minaretes turcos, ele viu a plan\u00edcie ornada de vilas, que se estendia at\u00e9 a beira da \u00e1gua, onde come\u00e7ava a linda ba\u00eda escoltada por ilhas e navios de todas as partes do mundo. Al\u00e9m, era a cidade que ia da onda at\u00e9 os morros, com encostas cheias de ch\u00e1caras e no alto, igrejas e conventos. Mais para o fundo, o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar e o Corcovado e por fim, ao longe, as \u00e1guas azuis do Atl\u00e2ntico, estendendo-se pelo espa\u00e7o infinito at\u00e9 se perderem no azul do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a vis\u00e3o de um estrangeiro, que soube descrever a exuber\u00e2ncia de um lugar que rompe todos os limites. Do samba ao rap, do poema ao romance, da pintura \u00e0 performance, do banho de mar ao trabalho, o Rio \u00e9 um canal de viv\u00eancias intensificadas. \u00c9 um convite permanente para o exerc\u00edcio da arte e para os talentos da mente e do corpo. H\u00e1 nele a certeza de estar pronto desde o in\u00edcio da Cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso mant\u00e9m a forma. E nos leva para o exagero, que \u00e9, no fundo, a ess\u00eancia da Cidade Maravilhosa.<\/p>\n<p><em>Texto publicado originalmente na revista Legado, da editora Letras &amp; Lucros, da minha amiga Mara Luquet<br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s O Rio \u00e9 puro exagero, sobra em tudo. A voca\u00e7\u00e3o para o excesso se manifesta n\u00e3o apenas nas imagens, mas tamb\u00e9m nas palavras, quando ousamos abordar um lugar que n\u00e3o cabe na nossa percep\u00e7\u00e3o. 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