{"id":2416,"date":"2010-11-24T19:34:39","date_gmt":"2010-11-24T21:34:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2416"},"modified":"2010-11-24T19:34:39","modified_gmt":"2010-11-24T21:34:39","slug":"comer-rezar-amar-alteridade-a-servico-do-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/comer-rezar-amar-alteridade-a-servico-do-mesmo","title":{"rendered":"COMER, REZAR, AMAR: ALTERIDADE A SERVI\u00c7O DO MESMO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o basta conquistar o mundo economicamente pelo capital especulativo, politicamente pela pax americana e militarmente pela invas\u00e3o do Oriente M\u00e9dio. \u00c9 preciso mostrar que o mundo est\u00e1 a seus p\u00e9s na ind\u00fastria do espet\u00e1culo para a coisa funcionar direito. Nem \u00e9 preciso homens para isso, esses est\u00e3o torturando e matando civis em Bagd\u00e1. Uma mulher \u00e9 suficiente, uma personagem de best-seller interpretada por Julia Roberts, para colocar o planeta no chinelo: a It\u00e1lia e seus &#8220;macarroni&#8221; e gestos exagerados, a \u00cdndia com sua mis\u00e9ria e espiritualidade tornada de resultados e de auto-ajuda e o Brasil na pele de um latin lover interpretado por um espanhol, Javier Barden, no mais rid\u00edculo papel de sua carreira (sentindo \u201csaudade\u201d e tocando bossa nova para dan\u00e7ar).<\/p>\n<p>O que me espanta \u00e9 que fazem um au\u00ea em cima de um filme como <em>Comer, Rezar, Amar <\/em>(2010) e tudo n\u00e3o passa da velha hist\u00f3ria da americana enjoada que vai para o terceiro mundo mudar de testosterona, j\u00e1 que os conterr\u00e2neos que n\u00e3o queimam vivos as popula\u00e7\u00f5es pobres n\u00e3o d\u00e3o no couro, pelo menos \u00e9 o que parece. Um \u00e9 infantil, o outro gelado e o outro velho e sofrido demais. Enquanto isso, a pobre da americanazinha se desespera pelo que suas necessidades clamam.<\/p>\n<p>Fora a obviedade da falta que deve fazer a for\u00e7a do carv\u00e3o de pedra, os motivos de tanta infelicidade n\u00e3o ficam muito claros, j\u00e1 que relationship \u00e9 a palavra guarda-chuva que abriga tudo, de casamento a transas espor\u00e1dicas sob sua sombra. S\u00f3 sabemos que ela reza por um homem, exausta dos que se atravessaram no caminho. Dinheiro, emprego, casa, comida e roupa lavada n\u00e3o s\u00e3o suficientes, a mo\u00e7a parte para terras ignotas saborear petiscos e farejar algo que a livre da solid\u00e3o tenebrosa a que est\u00e1 condenada, por raz\u00f5es misteriosas.<\/p>\n<p>Trata-se de uma grande suruba mental globalizada, num clima de barcos singrando o entardecer, fogos f\u00e1tuos de lareiras e fornos com perus e pizzas, paisagens buc\u00f3licas onde se anda de bike para, \u00f3 clich\u00ea, ser atropelada pelo futuro amor. Mas a trag\u00e9dia maior s\u00e3o os di\u00e1logos, com frases do tipo &#8220;abra-se para um novo amor, que est\u00e1 na hora&#8221;, ou &#8220;deixe o universo entrar com tudo no v\u00e1cuo que voc\u00ea criar se perdoando&#8221;, ou algo assim. \u00c9 um tro\u00e7o escabroso essa cultura pret-a-porter que encanta as mentes rasas como pires na grande festa da comunica\u00e7\u00e3o de massas caseiras.<\/p>\n<p>No fundo, \u00e9 filme tur\u00edstico, esp\u00e9cie de teaser de ag\u00eancia de viagens, propaganda de ong que faz rica\u00e7a de Nova York lavar o ch\u00e3o do templo para expiar culpas, ou sil\u00eancios obsequiosos falsos que servem apenas para melhorar a performance da garganta. O filme \u00e9 de chorar de raiva, principalmente quando vemos uma atriz razo\u00e1vel como Julia Roberts, com sua boca de bagre que parece rec\u00e9m ter sa\u00edda do bisturi do cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico, fazer o papel da mo\u00e7oila em busca de um amor jamais correspondido.<\/p>\n<p>Enquanto ela bate cal\u00e7ada fingindo que est\u00e1 \u00e0 procura do teu verdadeiro tu, o fato \u00e9 que precisa casar, como dita a velha lei do mercado. Tanto \u00e9 verdade que o rid\u00edculo casamento indiano arranjado, em que os noivos se conhecem nas bodas, \u00e9 tratado como grande coisa, uma esp\u00e9cie de encontro compuls\u00f3rio com a felicidade. O que derruba por terra todo o palavr\u00f3rio de escolhas. O que pega mesmo \u00e9 ganhar um marido e n\u00e3o se fala mais nisso. E continuar americana, claro, porque disso eles n\u00e3o abrem m\u00e3o. \u00cdndia, Bali, N\u00e1poles, tudo bem para passar um tempo. Mas o que vale \u00e9 a home, a Am\u00e9rica velha de guerra, em que uma vaquinha de 18 mil d\u00f3lares pode comprar a casa da curandeira pobre divorciada.<\/p>\n<p>Pobre S\u00e9tima Arte. Virou clipping de almanaque de curiosidades, com l\u00e1grimas de crocodilo inundando as praias como um tsunami de idiotias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s N\u00e3o basta conquistar o mundo economicamente pelo capital especulativo, politicamente pela pax americana e militarmente pela invas\u00e3o do Oriente M\u00e9dio. \u00c9 preciso mostrar que o mundo est\u00e1 a seus p\u00e9s na ind\u00fastria do espet\u00e1culo para a coisa funcionar direito. Nem \u00e9 preciso homens para isso, esses est\u00e3o torturando e matando civis em Bagd\u00e1. 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