{"id":2490,"date":"2011-01-15T12:36:07","date_gmt":"2011-01-15T12:36:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2490"},"modified":"2011-01-15T12:36:07","modified_gmt":"2011-01-15T12:36:07","slug":"persepolis-a-mulher-sob-a-ditadura-do-ira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/persepolis-a-mulher-sob-a-ditadura-do-ira","title":{"rendered":"PERS\u00c9POLIS, A MULHER SOB A DITADURA DO IR\u00c3"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Qualquer sistema de valores serve para impor uma ditadura: um nacionalismo que aspira ao imperialismo, uma religi\u00e3o fechada, uma democracia engessada, uma burocracia que finge efici\u00eancia. No Ir\u00e3, como em alguns outros pa\u00edses, \u00e9 o islamismo que se presta ao tac\u00e3o que esmaga opositores e pro\u00edbe o lazer, a m\u00fasica, a dan\u00e7a e a sexualidade. Em Pers\u00e9polis (2007), anima\u00e7\u00e3o autobiogr\u00e1fica da iraniana emigrada para a Europa, Marjane Satrapi (que assina o filme junto com Vincent Paronnaud), n\u00e3o \u00e9 Al\u00e1 o culpado da situa\u00e7\u00e3o, mas os bandidos que se aproveitam da espiritualidade e da tradi\u00e7\u00e3o para reinar impunemente.<\/p>\n<p>As origens da tomada do poder s\u00e3o rapidamente apresentadas em tom de narrativa familiar para a menina, futura insurgente. Um coronel\u00e3o do Ex\u00e9rcito derruba um imperador de longa linhagem e, por obra dos brit\u00e2nicos, de olho no petr\u00f3leo da regi\u00e3o, se transforma em Imperador. Repassa o poder para o filho, o X\u00e1 da P\u00e9rsia, que \u00e9 derrubado pela revolu\u00e7\u00e3o popular. Nas primeiras elei\u00e7\u00f5es, vence o Isl\u00e3 com absoluta maioria dos votos. Desce ent\u00e3o a tirania sobre todos, inclusive os que tiveram participa\u00e7\u00e3o, por gera\u00e7\u00f5es, na luta contra a opress\u00e3o.<\/p>\n<p>A garota protagonista faz parte de uma fam\u00edlia de revolucion\u00e1rios comunistas e acaba sendo enviada para Viena, para escapar da barb\u00e1rie. L\u00e1, conhece a marginalidade, o comportamento liberado, as drogas, o amor livre e quase morre no inverno, solta nas ruas. Volta sob promessa de que a fam\u00edlia n\u00e3o perguntaria sobre essa sua experi\u00eancia. Cai em depress\u00e3o profunda, j\u00e1 que v\u00ea o pa\u00eds destru\u00eddo, sua gera\u00e7\u00e3o mutilada e quem sobrou entregue \u00e0 superficialidade. Mas reage, entra na universidade e se torna uma militante do comportamento, sempre se opondo ao que ensinam nas escolas e denunciando os abusos do machismo contra as liberdades m\u00ednimas das mulheres.<\/p>\n<p>Tirar a burka publicamente por alguns minutos, fazer festa escondida, reclamar dos conferencistas do governo s\u00e3o atitudes individualistas da jovem mulher agora desenraizada, que n\u00e3o se encontra no pa\u00eds onde foi criada, pois n\u00e3o apenas ela mudou, f\u00edsica e mentalmente, mas a na\u00e7\u00e3o inteira, que sai da guerra do Iraque com um perfil de cemit\u00e9rio. Em todo o filme, as exposi\u00e7\u00f5es da situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds s\u00e3o s\u00ednteses esclarecedoras sobre o horror que se abateu sobre a sociedade. A sua fam\u00edlia sobrevive gra\u00e7as aos pais que n\u00e3o se separaram e \u00e0 lucidez da av\u00f3, sempre cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s viol\u00eancias de todos os calibres.<\/p>\n<p>Ela tenta formar a sua fam\u00edlia, casando com algu\u00e9m que imaginava amar (o que n\u00e3o dura nem um ano) mas n\u00e3o d\u00e1 certo. Acaba voltando para a Europa, desta vez para a Fran\u00e7a, pois em Viena costumava negar suas ra\u00edzes apresentando-se como francesa, sem nunca ter ido antes a Paris. Acompanhamos as mem\u00f3rias da anti-heroina sentada no aeroporto esperando a vez de embarcar. Na sua frente e diante dos nossos olhos desfilam os horrores das persegui\u00e7\u00f5es, das chances perdidas, dos amores desfeitos, da lenta e dolorosa tomada de consci\u00eancia, das frustra\u00e7\u00f5es e da luta, sempre em p\u00e9, apesar dos altos e baixos. Vemos como as mulheres podem ser a\u00e7oitadas se forem flagradas de m\u00e3os dadas em p\u00fablico e como s\u00e3o estupradas depois de casarem \u00e0 for\u00e7a na pris\u00e3o (pois a religi\u00e3o pro\u00edbe seviciar virgens).<\/p>\n<p>\u00c9 um bom filme, indicado para o Oscar de 2008 de melhor anima\u00e7\u00e3o. Gostei. Poderia ter resvalado no feminismo tosco ou na den\u00fancia vazia. Mas \u00e9 eficiente ao costurar a vida pessoal com a coletiva, a mem\u00f3ria com a realidade pol\u00edtica, a narra\u00e7\u00e3o tradicional com a Hist\u00f3ria. Conhe\u00e7a um pouco do Ir\u00e3 e saiba como funciona uma ditadura. Veja Pers\u00e9polis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Qualquer sistema de valores serve para impor uma ditadura: um nacionalismo que aspira ao imperialismo, uma religi\u00e3o fechada, uma democracia engessada, uma burocracia que finge efici\u00eancia. 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