{"id":2521,"date":"2011-02-09T14:17:30","date_gmt":"2011-02-09T14:17:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2521"},"modified":"2011-02-09T14:17:30","modified_gmt":"2011-02-09T14:17:30","slug":"amigos-do-peito","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/amigos-do-peito","title":{"rendered":"AMIGOS DO PEITO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nFico triste quando termino um livro. \u00c9 como se despedir de um amigo. Mesmo que fique perto, n\u00e3o viajamos mais juntos. Amizade nunca esquecida, mas nem sempre presente na mem\u00f3ria de maneira completa. Tanto \u00e9 que, muitas vezes, o relemos como se fosse a primeira vez. \u00c9 quando acontece a alegria do reencontro e agradecemos a mente cansada por nos devolver essa aventura de refazer a mesma viagem.<\/p>\n<p>H\u00e1 muita oferta pelo mundo, mas acabamos fi\u00e9is a alguns compadres que batizaram nossos pensamentos, essas criaturas que participam das nossas conversas, textos, mem\u00f3rias, poemas. Chamam de acervo ou cabedal o patrim\u00f4nio que nos acompanha, mas acho isso muito pomposo. Prefiro v\u00ea-lo como camarada de guerra, que nos entende no sil\u00eancio de suas palavras impressas e mudas. E nos aconselha, revela, orienta e \u00e0s vezes leva uns cascudos, pois somos tamb\u00e9m protagonistas dessa rela\u00e7\u00e3o longeva.<\/p>\n<p>Muitos livros s\u00e3o presentes de pessoas queridas, que assim repassam suas paix\u00f5es para quem \u00e9 chegado, numa esp\u00e9cie de confid\u00eancia, de segredo repartido. Pois quando um livro nos conquista, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o ego\u00edsmo. Precisamos urgente contar a boa nova. Mas essa \u00e9 uma provid\u00eancia complicada. O interlocutor n\u00e3o costuma estar preparado e passa batido pela sugest\u00e3o. Aconteceu v\u00e1rias vezes comigo. Algu\u00e9m me falou de um volume que eu tinha inclusive na estante, esquecido, mas s\u00f3 quando resolvi aceitar a sugest\u00e3o pude navegar na obra-prima.<\/p>\n<p>Sugerir corre o risco de n\u00e3o encontrar repercuss\u00e3o na pessoa que queremos presentear. H\u00e1 o constrangimento de for\u00e7ar a leitura ou a decep\u00e7\u00e3o de notar que o assunto nunca emerge, permanecendo oculto em sua sofrida serenidade. H\u00e1 tamb\u00e9m soberba. Custamos a nos convencer que algu\u00e9m tem uma j\u00f3ia para mostrar e adiamos o evento para provar que n\u00e3o precisamos dele. Mas enfim cedemos e acabamos abra\u00e7ando o que pertencia a outra pessoa. Ficamos s\u00f3cios do clube, nos engajamos naquela tropa, nos adotamos na fam\u00edlia. H\u00e1 tantas: os Borges, os Carpentier, os Lobato, os Ramos, os Morais, os Cabral, os Saint-Exupery. As Meirelles, as Prado, as Lispector.<\/p>\n<p>E h\u00e1 n\u00e3o apenas as comunidades liter\u00e1rias, mas as dos historiadores, pensadores, soci\u00f3logos. Sou Buarque de Holanda, pai e \u00e0 revelia dos autores, fa\u00e7o parte dos Foucault, dos Barthes. N\u00e3o os exibo como medalhas de leitura. S\u00f3 pr\u00f3ximos e s\u00e9rios demais para esse tipo de falsidade. S\u00e3o, como disse, amigos do peito, camaradas de verdade. Se algu\u00e9m mexer comigo, mexe com eles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Fico triste quando termino um livro. \u00c9 como se despedir de um amigo. Mesmo que fique perto, n\u00e3o viajamos mais juntos. Amizade nunca esquecida, mas nem sempre presente na mem\u00f3ria de maneira completa. 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