{"id":2564,"date":"2011-03-04T20:10:04","date_gmt":"2011-03-04T20:10:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2564"},"modified":"2011-03-04T20:10:04","modified_gmt":"2011-03-04T20:10:04","slug":"estilo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/estilo","title":{"rendered":"ESTILO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nEstilo \u00e9 quando voc\u00ea acerta o texto de modo t\u00e3o definitivo que todos duvidam da autoria. Isso lembra algu\u00e9m, dizem, uma sumidade de onde foi tirado o tesouro. \u00c9 evidente, comentam, que isso nunca te pertenceu, deve fazer parte de um capital simb\u00f3lico mais consolidado e n\u00e3o medrar em territ\u00f3rio sem dono, no caso, voc\u00ea e seu talento perdido. V\u00e1rios textos de qualidade correm pela rede e s\u00e3o atribu\u00eddos a celebridades, impedindo assim que se revelem novos autores. Estes, continuam no limbo, por mais que insistam e at\u00e9 mesmo quando o equ\u00edvoco \u00e9 denunciado pelo escritor beneficiado.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a cita\u00e7\u00e3o virou ind\u00fastria. H\u00e1 milhares de antologias e cursos fundados em insights consagrados, religiosos, corporativos ou pol\u00edticos. \u00c9 preciso concentrar riqueza em alguns e n\u00e3o dispersar o patrim\u00f4nio em gente an\u00f4nima. N\u00e3o d\u00e1 lucro citar algu\u00e9m que n\u00e3o faz parte da nobreza. Se voc\u00ea escreveu bem, naturalmente o que est\u00e1 dito gruda no paradigma e o cr\u00e9dito justo voa. Assim, meia d\u00fazia de nomes se destacam, enquanto amargam no anonimato todos aqueles que tentam vir a furo. Li recentemente a autocr\u00edtica de um editor que matou no ovo um romancista, que acabou desistindo e hoje se recolheu a um emprego med\u00edocre. Ele poderia ter sido algu\u00e9m, como diz Marlon Brando na cena cl\u00e1ssica do filme \u201cSindicato dos Ladr\u00f5es\u201d, de Elia Kazan.<\/p>\n<p>N\u00e3o fosse Gustave Flaubert, ter\u00edamos seu pupilo Guy de Maupassant? Ambos geniais, foram lembrados num recente artigo de Claudia Lage do jornal Rascunho. Diz Flaubert para Maupassant: &#8220;O escritor n\u00e3o deve se impor ao texto, como um patr\u00e3o aos seus empregados. \u00c9 um trabalho de abnega\u00e7\u00e3o, sensibilidade e escuta. Mais vale ao autor a singularidade do que o estilo. Deve-se seguir o fluxo das palavras e das frases dos personagens. Em todas as coisas existe algo de inexplorado. \u00c9 isto o que devemos procurar. Cada conto \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. \u00c9 como se cada palavra nunca tivesse sido usada antes. Faz parte de sua ilus\u00e3o e sua beleza. A meta do escritor n\u00e3o \u00e9 contar uma hist\u00f3ria, comover ou divertir,mas revelar o sentido oculto e profundo dos fatos. Na arte, n\u00e3o se busca o que \u00e9 perfeito, mas o que \u00e9 exato. O essencial em cada a\u00e7\u00e3o, o principal de cada fato\u201d.<\/p>\n<p>Flaubert \u00e9 rei e n\u00f3s, escribas de todos os calibres, seus abnegados s\u00faditos.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada dia 15\/02\/2011 no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Estilo \u00e9 quando voc\u00ea acerta o texto de modo t\u00e3o definitivo que todos duvidam da autoria. 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