{"id":266,"date":"2009-12-10T09:16:28","date_gmt":"2009-12-10T11:16:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=266"},"modified":"2010-02-25T22:29:32","modified_gmt":"2010-02-26T01:29:32","slug":"o-heroi-da-lenda","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-heroi-da-lenda","title":{"rendered":"O HER\u00d3I DA LENDA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nPermaneci muito tempo calado<br \/>\nAntes desta \u00e9poca eu n\u00e3o tinha voz<br \/>\nAgora posso professar o indiz\u00edvel<br \/>\nCosturar o incostur\u00e1vel<br \/>\nAtrair o espanto, celebrar o sol<\/p>\n<p>Meu trigo selvagem cresce todo dia<br \/>\nSou convocado por uma insana compuls\u00e3o<br \/>\nDe me expor inteiro para os indiferentes<br \/>\nDe publicar mem\u00f3rias em p\u00edlulas amargas<br \/>\nDe abrir os bra\u00e7os para o que foi embora<\/p>\n<p>Deveria deixar tudo a cargo dos experts<br \/>\nQue com expertise comprovariam espertezas<br \/>\nSem jamais compartilhar suas divindades<br \/>\nEles poderiam continuar impunes at\u00e9 o final<br \/>\nFormando opini\u00f5es como se fossem fara\u00f3s<\/p>\n<p>Sou o exclu\u00eddo al\u00e9m das teses, a imp\u00e1vida chama<br \/>\nde dizer verdades vindas das estrelas<br \/>\nTanto lutaram para tanto que aqui estamos<br \/>\nEfeito colateral de um acordo entre fac\u00ednoras<br \/>\nA mirar no alvo das mentiras elegantes<\/p>\n<p>Somos a luta contra falsos g\u00eanios e ladr\u00f5es do talento<br \/>\nO que eles ostentam, em n\u00f3s sobrou e virou lixo<br \/>\nTemos algo mais valioso, palavras cultivadas no horizonte<br \/>\nna pregui\u00e7a ancestral contra religi\u00f5es de espuma<br \/>\nSomos os fundamentalistas da falta de estilo<\/p>\n<p>Estamos atentos para os crimes contra nosso canto<br \/>\nSe nos proibirem de falar sairemos como rebanhos<br \/>\nsoltos no campo a devorar a idade dos tiranos<br \/>\nPois agora em que somos livres para errar<br \/>\nN\u00e3o vamos voltar \u00e0 estupidez das estufas<\/p>\n<p>Queremos ser uma avalanche soterrando o Olimpo<br \/>\nOnde compartilham a ambrosia do sil\u00eancio<br \/>\nEnquanto vomitam jarg\u00f5es do ventre da viol\u00eancia<br \/>\nT\u00e3o brilhantes que parecem diamantes lapidados<br \/>\nQue formam catedrais onde todos devem ir rezar<\/p>\n<p>Pois sou o herege, o cara mau que invade a cerim\u00f4nia<br \/>\nInterrompo o serm\u00e3o bordado a ouro, esse latim fin\u00f3rio<br \/>\nTrago o patu\u00e1 sem brilho, g\u00edrias do medo, a dor de ser outro<br \/>\nSei que jamais v\u00e3o dizer: eis algu\u00e9m que mere\u00e7a ser ouvido<br \/>\nPor isso grito e parto os vitrais com a brutalidade do carisma<\/p>\n<p>Serei esquecido e minha vingan\u00e7a \u00e9 a minha presen\u00e7a<br \/>\nA que acossa os mandarins, e sobe nas torres de marfim<br \/>\nSou uma academia de equ\u00edvocos, antologia de flores duras<br \/>\nN\u00e3o tenho perfume, apenas a pot\u00eancia do que digo ao cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nPorque tenho um cora\u00e7\u00e3o, mas dispenso o amor entre as ru\u00ednas<\/p>\n<p>Vai, cala meu gesto, me chama do que n\u00e3o deveria ter nascido<br \/>\nAssim mesmo medrarei como plantas em megal\u00f3poles t\u00e9tricas<br \/>\nAtrairei p\u00e1ssaros do deserto, que sobreviveram comendo cactos<br \/>\nTrarei besouros improv\u00e1veis, lagartos de cal, mortas borboletas<br \/>\nTrof\u00e9us que ofere\u00e7o de p\u00e9, porque eu sim sou o her\u00f3i da lenda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Permaneci muito tempo calado<br \/>\nAntes desta \u00e9poca eu n\u00e3o tinha voz<br \/>\nAgora posso professar o indiz\u00edvel<br \/>\nCosturar o incostur\u00e1vel<br \/>\nAbra\u00e7ar o espanto, celebrar o 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