{"id":2662,"date":"2011-05-04T21:56:35","date_gmt":"2011-05-05T00:56:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2662"},"modified":"2011-05-04T21:56:35","modified_gmt":"2011-05-05T00:56:35","slug":"habitos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/habitos","title":{"rendered":"H\u00c1BITOS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s <\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1bito faz parte da nossa natureza. Incorporamos comportamentos sempre da mesma forma: no come\u00e7o \u00e9 estranho, mas aos poucos nos adaptamos e no fim nem sabemos como nos livrar daquilo que come\u00e7ou de maneira t\u00e3o bizarra. Quem segue os passos de um beb\u00ea nota que tudo precisa ser aprendido. Desde a respira\u00e7\u00e3o no primeiro momento (quando, no tempo do barato, o tapa providencial desencadeava o mecanismo), at\u00e9 fazer as refei\u00e7\u00f5es. Sem falar na disciplina para os estudos, dormir e acordar cedo etc.<\/p>\n<p>Ao crescer, diversificamos. Adotamos o h\u00e1bito de ler, por exemplo,ou de fumar e beber. Uma p\u00e1gina de qualquer autor sempre causava alguma estranheza at\u00e9 que n\u00e3o pod\u00edamos mais largar os volumes. A tosse da primeira tragada \u00e9 o in\u00edcio de uma trajet\u00f3ria que n\u00e3o costuma acabar bem. O consumo da bebida, mostram as pesquisas, cresce no Brasil, principalmente entre os jovens. N\u00e3o que o livro ou \u00e1lcool possam ser comparados. Mas estamos falando de h\u00e1bitos. Melhor escolher os melhores para n\u00e3o perder o rumo.<\/p>\n<p>Existe ainda o orgulho pelos nossos h\u00e1bitos. Pensamos que eles nos diferenciam, mas somos id\u00eanticos em tudo. Precisamos nos decidir a prestar aten\u00e7\u00e3o em aula, por exemplo, n\u00e3o nos dispersar, focar no que realmente importa, selecionar. O ambiente interfere em tudo, principalmente as amizades e os sentimentos. As rela\u00e7\u00f5es familiares conduzem as pessoas a h\u00e1bitos diversos, mas estes s\u00e3o definidos por decis\u00e3o pessoal. Somos respons\u00e1veis pelo que acumulamos nos gestos di\u00e1rios.<\/p>\n<p>O que pesa s\u00e3o as coisas que aprendemos na primeira inf\u00e2ncia. Tomar caf\u00e9 de manh\u00e3 (muitos de manh\u00e3 \u00e0 noite), almo\u00e7ar ao meio dia, ficar enrolando o cabelo na hora de divagar, bater nas quinas das mesas&#8230;opa, a\u00ed vira mania. Imagino que os dist\u00farbios desse processo de formatar nossos h\u00e1bitos s\u00e3o essas coisas esdr\u00faxulas que fazemos principalmente quando crian\u00e7as, como andar na cal\u00e7ada pulando as lajotas de duas em duas. Ou raspar o t\u00eanis no p\u00e9 do muro. Existem as sacanagens, como se acostumar a jogar carrapicho no cabelo das gurias, como acontecia at\u00e9 os anos 60 (depois alguns cascudos mais s\u00e9rios resolveram a parada; ou talvez tenha sido o fim dos terrenos baldios) .<\/p>\n<p>No ano letivo, todos os dias eu fazia a mesma coisa. Ia para aula de manh\u00e3, almo\u00e7ava e descansava at\u00e9 as duas da tarde, escutando r\u00e1dio. Pegava nos temas at\u00e9 as quatro, hora do caf\u00e9. Voltava \u00e0s quatro e meia e ficava at\u00e9 as cinco de olho no teto ou continuando minha sess\u00e3o radiof\u00f4nica. A\u00ed estudava at\u00e9 as seis. Dividia o numero de p\u00e1ginas de cada livro das 11 mat\u00e9rias pelo tempo que me restava para as provas finais, quando ainda existiam . Veio depois a baba de passar por m\u00e9dia, o que os cdfs como eu conseguia j\u00e1 em setembro. Isso mudou meus h\u00e1bitos para sempre e para pior.<\/p>\n<p>Passar por m\u00e9dia me transformou. Come\u00e7ava a vagabundear na primavera. Jogava ping pong aos berros enquanto muitos colegas solfejavam na labuta. Com tempo de sobra, intensifiquei um h\u00e1bito adquirido desde os nove anos: escrever alguma coisa. Poesia, prosa, o relat\u00f3rio do gr\u00eamio da aula. N\u00e3o teve ent\u00e3o qu\u00edmica, f\u00edsica ou matem\u00e1tica que me segurasse. Estava fisgado pelas letrinhas. Pobres leitores.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada originalmente no jornal Momento de Uruguaiana.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s H\u00e1bito faz parte da nossa natureza. Incorporamos comportamentos sempre da mesma forma: no come\u00e7o \u00e9 estranho, mas aos poucos nos adaptamos e no fim nem sabemos como nos livrar daquilo que come\u00e7ou de maneira t\u00e3o bizarra. Quem segue os passos de um beb\u00ea nota que tudo precisa ser aprendido. 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