{"id":2726,"date":"2011-06-22T21:04:23","date_gmt":"2011-06-23T00:04:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2726"},"modified":"2011-06-22T21:04:23","modified_gmt":"2011-06-23T00:04:23","slug":"imagens-solenes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/imagens-solenes","title":{"rendered":"IMAGENS SOLENES"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>O grande impacto visual da mocidade foi uma sess\u00e3o de Os Dez Mandamentos, de Cecil B. de Mille, no novo cinema Corbacho, que tinha feito uma reforma e estendido o mezanino at\u00e9 o teto, com poltronas logo abaixo do facho de luz da proje\u00e7\u00e3o. \u201cAqui \u00e9 suave\u201d disse algu\u00e9m, para expressar a emo\u00e7\u00e3o e o deslumbramento das novas instala\u00e7\u00f5es, diante de um filma\u00e7o em cinemascope. O filme era t\u00e3o comprido que imagino nunca ter sa\u00eddo dele e ainda estou l\u00e1, com amigos e as poss\u00edveis namoradas vistas de longe. Havia um intervalo para o guaran\u00e1, mas voltamos e permanecemos para todo o sempre, vendo o mar Vermelho se abrir e Charlton Heston descendo do Sinai transfigurado pela revela\u00e7\u00e3o das leis divinas. \u201cEle era o Mois\u00e9s\u201d, nos dizia o Gilberto Gick, sacando profundamente o ator que se transfigura no of\u00edcio e encarna o personagem de verdade.<\/p>\n<p>As imagens tinham grandeza. Eram como um altar-mor permanente, com esculturas sagradas. Cenas b\u00edblicas, como as de Fulvio Pennachi na nossa catedral Santana, nos levava para o alto. O toscano Pennachi ambientou Jerusal\u00e9m na sua Italia perdida e foi assim que vemos Nossa Senhora no parto deitada numa cama rodeada de parentes, em casa com varandas que d\u00e3o para campos de oliveiras, entre outras preciosidades. T\u00ednhamos forma\u00e7\u00e3o na solenidade visual . Os faroestes ou filmes de aventuras ou mesmo os grande musicais e com\u00e9dias rom\u00e2nticas nos repassavam esse esplendor para os olhos, pois pol\u00edticos, religiosos, educadores, a tradi\u00e7\u00e3o, a fam\u00edlia queriam nos ver de olhos bem abertos para o fato grandioso de existirmos num mundo que girava em torno de uma estrela e navegava pelo espa\u00e7o vestindo azul, como notou o primeiro astronauta, que tamb\u00e9m adicionou novas imagens espetaculares \u00e0 nossa vida.<\/p>\n<p>Mesmo folheando uma revista t\u00ednhamos a vis\u00e3o desse excesso. Tudo sobrava. As atrizes maravilhosas, com seu g\u00eanero bem definido pela vol\u00fapia das formas que encantavam nosso olhar, as fotos de cidades gigantescas, opostas \u00e0 fronteira onde viv\u00edamos. Mas Uruguaiana tamb\u00e9m n\u00e3o ficava atr\u00e1s. Os arcos da ponte, o rio nas cheias, os campos infinitos, as torres da Igreja, as ruas e cal\u00e7adas largas, eram os elementos desse acervo que nos pegava pela emo\u00e7\u00e3o de enxergar muito acima e al\u00e9m do que nos cercava. E se isso nos faltasse de alguma forma, bastava olhar para o c\u00e9u estrelado, em qualquer esta\u00e7\u00e3o, a grande lua amarela do ver\u00e3o, as r\u00e1pidas luzes dos sat\u00e9lites cruzando enigmaticamente as constela\u00e7\u00f5es. E o por-de-sol nas \u00e1guas do Uruguai. Al\u00e9m, \u00e9 claro, dos amores de nossa vida que passavam na cal\u00e7ada pisando em nuvens e nos mantinham sob o jugo do amor jamais correspondido.<\/p>\n<p>Hoje vejo a hegemonia das imagens vadias, tudo atirado de qualquer forma, as cenas repetidas dos filmes, a chatice dos apelos, a mesquinharia das dan\u00e7as. Perdemos essa no\u00e7\u00e3o de grandeza que nos encantava. Pelo menos para quem era foi garoto naquela \u00e9poca, e tudo parecia permeado pela esperan\u00e7a e pela transcend\u00eancia.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada no jornal Momento de Uruguaiana<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s O grande impacto visual da mocidade foi uma sess\u00e3o de Os Dez Mandamentos, de Cecil B. de Mille, no novo cinema Corbacho, que tinha feito uma reforma e estendido o mezanino at\u00e9 o teto, com poltronas logo abaixo do facho de luz da proje\u00e7\u00e3o. \u201cAqui \u00e9 suave\u201d disse algu\u00e9m, para expressar a emo\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2726"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2726"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2726\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2727,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2726\/revisions\/2727"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}