{"id":2730,"date":"2011-06-22T21:06:39","date_gmt":"2011-06-23T00:06:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2730"},"modified":"2011-06-22T21:06:39","modified_gmt":"2011-06-23T00:06:39","slug":"o-sino-da-estacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-sino-da-estacao","title":{"rendered":"O SINO DA ESTA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p><em>Mais um ser\u00e3o po\u00e9tico no twitter gerou os post-poemas a seguir, que giram em torno de uma despedida, do amor que n\u00e3o se concretiza, do eclipse, entre outros vest\u00edgios . Para complementar, alguns conceitos pelo avesso sobre \u00e9tica e jornalismo.<\/em><\/p>\n<p>Agora se conforme, disse o anjo. Volte para seu corpo. Ainda h\u00e1 tempo de fazer as pazes com o Destino<\/p>\n<p>Poderia ter insistido, amor perdido. Mas desisti cedo demais, quando ainda podia mudar a dire\u00e7\u00e3o das velas e preparar a recep\u00e7\u00e3o no cais<\/p>\n<p>Pronto, passou. O dia virou a p\u00e1gina. Desembarcamos no ex\u00edlio, bem no in\u00edcio da madrugada. Uma fogueira vela a noite, como um fantasma<\/p>\n<p>Fique, falei. Mas ela escutou apenas o sino da esta\u00e7\u00e3o, que se sobrep\u00f4s ao meu pedido<\/p>\n<p>Adeus, me disse. E subiu no \u00f4nibus, sem desgrudar os olhos. Ficou assim, muda, pendurada no amor que compartilhamos e que se foi para sempre<\/p>\n<p>Quando o rel\u00f3gio junta ponteiros, a poesia corre atr\u00e1s de quem foge e n\u00e3o deixa pistas. S\u00f3 fica esse sapato jogado fora, sem p\u00e9 que sirva<\/p>\n<p>Um cometa cruza o espa\u00e7o do poema. Atrai o verso com sua elipse. Depois some, levando a alma de quem ama<\/p>\n<p>Nada faz sentido, amor distante. \u00c9 bom que estejamos separados por mar e continentes. Pr\u00f3ximos, fugir\u00edamos. Longe, somos indissol\u00faveis<\/p>\n<p>Acumulo o que n\u00e3o possuo. Me desfa\u00e7o do que me falta. Vou atr\u00e1s do que jamais se entrega. Desisto quando encontro. Depois, recome\u00e7o<\/p>\n<p>Perto da meia noite, voltava para a casa na rua abandonada. Uma luz bateu no muro, com o ru\u00eddo de alma de outro mundo. Corri, mas era tarde<\/p>\n<p>Fomos nos despedir da cidade.Est\u00e1vamos no outono.P\u00e1ssaros migrantes fugiam para o sul.\u00cdamos em outra dire\u00e7\u00e3o, para onde apontavam os navios<\/p>\n<p>Poesia \u00e9 verbo que se fez nuvem. E \u00e9 t\u00e3o espessa que d\u00e1 para cortar em peda\u00e7os como um algod\u00e3o de estrelas<\/p>\n<p>J\u00e1 estivemos aqui e voltaremos. Fomos vento, depois pedra. At\u00e9 que a cria\u00e7\u00e3o nos tocou com seu amor violento<\/p>\n<p>Ontem, o eclipse, m\u00e1scara de barro que preparou o esplendor de hoje. E a Terra deve ser o seu espelho<\/p>\n<p>Falar de amor \u00e9 demagogia quando exerc\u00ea-lo \u00e9 uma impossibilidade. Sonhamos o amor na cama feita do desencontro<\/p>\n<p>A Lua \u00e9 caprichosa. Usa um biombo, as nuvens, para se trocar e aparecer lampeira, toda maquiada de luz<\/p>\n<p>As nuvens deram uma folga e o eclipse apareceu. Tiraram uma tampa da Lua! \u00c9 tal e qual uma laranja cortada<\/p>\n<p>Fechei para balan\u00e7o. Oscilo entre o gr\u00e3o e a nuvem, numa redoma que atende pelo nome de Lua cheia<\/p>\n<p>ANTI-CONCEITOS<\/p>\n<p>Amor \u00e9 um metal semi-precioso s\u00f3 encontrado em morros de granito situados nos contrafortes da Serra Geral<\/p>\n<p>Princ\u00edpios s\u00e3o brinquedos de pl\u00e1stico acumulados em sarjetas depois das enxurradas<\/p>\n<p>Idealismo \u00e9 um jogo de bot\u00e3o que os astronautas inventaram quando os primeiros acidentes no cosmo viraram rotina<\/p>\n<p>Ideologia \u00e9 uma esp\u00e9cie de massa feita com f\u00e9culas de beterraba selvagem, s\u00f3 encontrada em encostas dos Apeninos<\/p>\n<p>Respeitar opini\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de ida ao shopping onde s\u00f3 vendem quinquilharias<\/p>\n<p>Trocar id\u00e9ias \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o escrita em papiros descobertos nas escava\u00e7\u00f5es do alto Nilo no s\u00e9culo XIX, e mais tarde abandonados<\/p>\n<p>Discutir propostas \u00e9 um torneio medieval exercido por povos que mais tarde foram anexados aos p\u00e2ntanos da Baixa Eslob\u00f3via<\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m fala contigo virando a cara para o lado \u00e9 porque est\u00e1 economizando olhar para coisas mais importantes<\/p>\n<p>Link em shopping em data festiva n\u00e3o \u00e9 cobertura jornal\u00edstica, \u00e9 departamento comercial<\/p>\n<p>Not\u00edcia \u00e9 reportagem. M\u00e1 not\u00edcia \u00e9 diagn\u00f3stico m\u00e9dico<\/p>\n<p>Not\u00edcia \u00e9 jornalismo. Boa not\u00edcia \u00e9 propaganda<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria humana \u00e9 a que sente pena dos animais<\/p>\n<p>Jornalismo investigativo \u00e9 a reportagem escrita pelos escriv\u00e3es<\/p>\n<p>Jornalismo liter\u00e1rio \u00e9 quando o jornalista lan\u00e7a mais livros do que os autores que reporta<\/p>\n<p>Jornalismo opinativo \u00e9 quando a sua opini\u00e3o coincide com a do dono do jornal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Mais um ser\u00e3o po\u00e9tico no twitter gerou os post-poemas a seguir, que giram em torno de uma despedida, do amor que n\u00e3o se concretiza, do eclipse, entre outros vest\u00edgios . Para complementar, alguns conceitos pelo avesso sobre \u00e9tica e jornalismo. Agora se conforme, disse o anjo. Volte para seu corpo. 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