{"id":2811,"date":"2011-09-05T10:14:40","date_gmt":"2011-09-05T13:14:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2811"},"modified":"2011-09-05T10:14:40","modified_gmt":"2011-09-05T13:14:40","slug":"o-rolo-da-situacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-rolo-da-situacao","title":{"rendered":"O ROLO DA SITUA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Nem bem a maquiagem para pintar a cara saiu da gaveta e a faxina j\u00e1 deu sinais de cansa\u00e7o. Era tudo mentira, claro, como diria Tarso de Castro. Base aliada n\u00e3o abre m\u00e3o do sistema, que garante o acesso indefinido ao butim, da bufunfa desviada desde a merenda escolar municipal at\u00e9 o uso do helic\u00f3ptero de 16,5 milh\u00f5es da PM para o lazer. Mas as evid\u00eancias n\u00e3o desarmam os esp\u00edritos aparelhados, contra os quais debato incessantemente no Twitter e Facebook. Vejo tamb\u00e9m nos blogs cabe\u00e7as esclarecidas embarcarem na ilus\u00e3o de que o Planalto estaria ref\u00e9m do esquema que capitaneia. Isso \u00e9 t\u00e3o absurdo quanto um unic\u00f3rnio sendo devorado por borboletas asi\u00e1ticas. Qual a fonte do rolo da situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A fonte dos equ\u00edvocos \u00e9 o diagn\u00f3stico que se faz da realidade. \u00c9 a percep\u00e7\u00e3o formatada em linguagem que est\u00e1 atravessada por n\u00f3s sem perspectiva de solu\u00e7\u00e3o. Isso se reflete em todo o espectro social. Nem sei por onde come\u00e7ar. Podemos pegar o caso dos menores de idade. Para defend\u00ea-los, criou-se um estatuto que serve tamb\u00e9m para proteger o crime, j\u00e1 que o mandioc\u00e3o de 17 anos, que estupra e mata, \u00e9 considerado \u201cdimenor\u201d (corruptela de linguagem jur\u00eddica que reflete bem a incapacidade de lidar com o problema). E meninos s\u00e3o os avi\u00f5es do tr\u00e1fico. Qual o rolo?<\/p>\n<p>A humanidade n\u00e3o nasce inocente, nasce zerada, o que \u00e9 outra coisa. Se n\u00e3o implantar nela a cultura, brutaliza. Se a lei n\u00e3o pressionar, ser\u00e1 criminosa. Crime, em qualquer idade, precisa de puni\u00e7\u00e3o. N\u00e3o adianta apenas enxugar gelo e trancafiar os meliantes mirins que aprontam sem parar, como j\u00e1 est\u00e1 acontecendo com gangs de crian\u00e7as de 10 anos que apavoram hot\u00e9is e pedestres e quando presos destroem a delegacia. Precisa enquadr\u00e1-los cedo. E isso s\u00f3 pode ser feito por uma rede id\u00f4nea de autoridades, o que n\u00e3o temos, pois o crime est\u00e1 instalado na c\u00fapula e se dissemina por todo lugar.<\/p>\n<p>Podemos pegar a literatura. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 complicada. Toda a press\u00e3o exercida pelos autores emergentes (em cada regi\u00e3o, milhares de autores) ou marginalizados (em cada gera\u00e7\u00e3o, milhares de escritores) bate no pared\u00e3o do cinismo instalado no poder, nos concursos nicados (como todos sabem, principalmente os que envolvem altas granas).<\/p>\n<p>Como h\u00e1 incompet\u00eancia para conviver com tanto barulho, costuma-se selecionar algumas cabe\u00e7as coroadas e atribuir a elas tudo o que de importante ou interessante \u00e9 escrito pela massa de escribas nolimbo. Por isso hoje temos Einstein autor de auto-ajuda, Mario Quintana injustamente sendo alvo de poesia de platitudes e a Clarice Lispector, coitada, assinando tudo que \u00e9 abobrinha.<\/p>\n<p>A culpa \u00e9 da internet! dizem os famosos anal\u00f3gicos, os que n\u00e3o suportam a concorr\u00eancia de milh\u00f5es de novos escribas que a cada segundo emitem suas obras. O que era dito antigamente como pose \u2013 aquele tom democr\u00e1tico dos falsos g\u00eanios que falavam \u201cora, sou apenas uma pessoa comum\u201d, mas ficavam sentados no trono &#8211; hoje \u00e9 uma realidade inc\u00f4moda para quem quer disputar lugares bem fornidos, como academias, diretorias, ex\u00edlios dourados, aposentadorias r\u00e9gias etc.<\/p>\n<p>Na pol\u00edtica temos uma ditadura civil mascarada de democracia, como canso de falar h\u00e1 anos por aqui, uma evid\u00eancia que cada vez mais \u00e9 provada pelos fatos. O rolo da situa\u00e7\u00e3o atingiu todas as institui\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que a condenada, juridicamente, distribui\u00e7\u00e3o de dinheiro p\u00fablico para comprar votos no Congresso, o mensal\u00e3o velho de guerra, prescreve nas fu\u00e7as da na\u00e7\u00e3o indignada. Enquanto isso, continua a terceiriza\u00e7\u00e3o de responsabilidades para o eleitor acossado, que n\u00e3o tem op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o as vetustas raposas, os burocratas novidadeiros, os palha\u00e7os introduzidos nas campanhas por dinheiro farto etc.<\/p>\n<p>O que voc\u00ea fizer em qualquer n\u00edvel de vida social ter\u00e1 sempre pela frente a negociata, o acordo p\u00edfio, a imposi\u00e7\u00e3o bruta. N\u00e3o h\u00e1 margem para a intelig\u00eancia. Esta, s\u00f3 tem uma sa\u00edda: desmascarar o discurso que segura as pontas da canalha, para criar condi\u00e7\u00f5es de uma a\u00e7\u00e3o mais efetiva, que n\u00e3o caia na esparrela das caras pintadas ou das fichas limpas (que s\u00f3 servem para limpar a ficha dos fichas sujas). Convencer quem est\u00e1 envolvido por ela que o buraco \u00e9 bem mais embaixo. Argumentar sem emitir \u201copini\u00e3o\u201d, j\u00e1 que n\u00e3o implica voluntarismo do pensamento e sim l\u00f3gica e transpar\u00eancia, para usar uma palavra contaminada.<\/p>\n<p>O discurso fajuto toma conta do sistema corporativo, todo ele envolvido pela especula\u00e7\u00e3o financeira, a entrega da soberania \u00e0 China,o arrocho tribut\u00e1rio, a exporta\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas e de recursos naturais, um regime que gera bilion\u00e1rios e miser\u00e1veis, enquanto as casinhas dos pombais da ditadura de sempre proliferam enriquecendo tubar\u00f5es imobili\u00e1rios e aimenta o discurso oficial, que se manifesta por campanhas publicit\u00e1rias milion\u00e1rias. Bandidos atacam postos policiais e estes fecham. Qual a solu\u00e7\u00e3o encontrada? Propaganda cara mostrando montes de policiais fazendo contin\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 porque o discurso decide a parada, a formata\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio \u00e9 quem tem a chave da cadeia. Precisamos achar o segredo desse mecanismo e escancarar as portas para a liberdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Nem bem a maquiagem para pintar a cara saiu da gaveta e a faxina j\u00e1 deu sinais de cansa\u00e7o. Era tudo mentira, claro, como diria Tarso de Castro. 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