{"id":2860,"date":"2011-09-05T11:12:21","date_gmt":"2011-09-05T14:12:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2860"},"modified":"2011-09-05T11:15:29","modified_gmt":"2011-09-05T14:15:29","slug":"karta-kaotica-de-caio-fernando-abreu","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/karta-kaotica-de-caio-fernando-abreu","title":{"rendered":"KARTA KA\u00d3TICA DE CAIO FERNANDO ABREU"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p><em>J\u00e1 t\u00ednhamos tempo acumulado, e n\u00e3o era pouco. Das cartas que Caio Fernando Abreu me endere\u00e7ou em 1976, esta \u00e9 a mais dark, pesada e absurdamente luminosa. Aqui temos o escritor aos 27 anos, com um livro poderoso na pra\u00e7a, &#8220;O Ovo Apunhalado&#8221;, sendo alvo de cr\u00edticas, an\u00e1lises, elogios da grande imprensa e dos ve\u00edculos especializados e se sentindo um lixo, desconfort\u00e1vel no seu papel de escritor, duvidando agora do seu of\u00edcio, se perguntando porque nos metemos nessa e falando sobre surtos, loucuras, interna\u00e7\u00f5es, psiquiatria, porres. E, ao mesmo tempo, declarando mais uma vez sua f\u00e9 na dignidade humana. Esta que ele batiza de \u201ckarta ka\u00f3tica\u201d \u00e9 muito longa (seis p\u00e1ginas), por isso deixo a \u00faltima parte para a pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o. Pois no fundo esta \u00e9 uma soma de cartas, j\u00e1 que ele deixava o que escrevia para mim na gaveta e no dia seguinte retomava. O in\u00edcio n\u00e3o tem data, mas na continua\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 publicada aqui, est\u00e1 26\/5 (certamente de 1976).<\/em><\/p>\n<p><em>Dividi o texto (tr\u00eas p\u00e1ginas e meia da carta original)em cap\u00edtulos, j\u00e1 que a palavra \u00e9 do Caio, mas a disposi\u00e7\u00e3o desse trabalho in\u00e9dito aqui no Di\u00e1rio da Fonte obedece \u00e0 minha edi\u00e7\u00e3o. Nada foi cortado, nem nesta nem nas cartas anteriores, como podem verificar nas p\u00e1ginas escaneadas que acompanham os textos. Com todas as letras, vamos revisitar o Caio dos meus arquivos, que agora vem \u00e0 tona como um vulc\u00e3o. Fiquem atentos. \u00c9 barra. A mais genu\u00edna.<\/em><\/p>\n<p><strong>I &#8211; AO SOM DE BELCHIOR<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nei:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Salve: hoje to tomando ch\u00e1 com lim\u00e3o e ouvindo Belchior: \u201ceu sou apenas um rapaz latinoamericano\/ sem dinheiro no banco\/ sem parentes importantes\/e vindo do interior\u201d. Eu tamb\u00e9m. Grilei com a cr\u00edtica e as cartas-pixativas de Escrita \u2013 ainda n\u00e3o chegou aqui \u2013 sei l\u00e1, to numa fase de an\u00e1lise em que fico me achando um lixo (apaga o cigarro no peito), outras putas-velhas-de-div\u00e3 dizem que \u00e9-assim-mesmo and I hope so, da\u00ed fica pintando esse tipo de coisa e s\u00f3 piora, n\u00e3o \u00e9? Sabe que desde janeiro n\u00e3o escrevo NADA? Foi em janeiro que come\u00e7ou essa badala\u00e7\u00e3o em torno do Ovo, que me fez muito mal, tanto a positivo como a negativa \u2013 j\u00e1 n\u00e3o tenho naturalidade para escrever. Al\u00e9m disso in\u00fatil.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nair, minha m\u00e3e, hoje veio de novo com o velho papo: na sua ronda costumeira por casas esp\u00edritas, umbandistas e o que pinta, sempre dizem que \u201cuma mulher fez um trabalho para mim num cemit\u00e9rio\u201d, many years ago \u2013 \u00e9 uma coisa pra me enlouquecer, e que s\u00f3 n\u00e3o enlouqueci porque tenho muita for\u00e7a, mas o tal trabalho bodeia num outro sentido, causando depress\u00f5es, autodeprecia\u00e7\u00f5es. O psiquiatra hoje de manh\u00e3 disse que tenho como uma esp\u00e9cie de \u201cculpa original\u201d: acho que n\u00e3o mere\u00e7o nada de bom que me acontece, da\u00ed nos momentos em que devia estar meio contente \u00e9 quando estou mais bodiado (vide Laing, \u201cO Eu Dividido\u201d, falso-self &amp; outros bichos). Eu n\u00e3o sei. Sei que tem um neg\u00f3cio errado.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tua carta, lida quatro vezes, me deu uma vontade absurda de estar em SP. Absurda porque tive a oportunidade de ficar a\u00ed em fevereiro e n\u00e3o quis. Voc\u00ea me pergunta pela minha paix\u00e3o&#8230;Saco, acho que aqui to sentindo falta de est\u00edmulos-externos: barras mui violentas, batalha por grana, por casa, por emprego, essas coisas. Nas vezes em que estive mais pressionado de fora para dentro foi quando mais produzi. Estou cansado da meia boca daqui: sentimentos mornos \u2013 quanto tempo faz que n\u00e3o me apaixono? quanto tempo faz que n\u00e3o sinto \u00f3dio? quanto tempo faz que n\u00e3o tenho vontade de morrer? \u00c9 como um filme de Antonioni fase- antiga, longas tomadas, lent\u00edssimas, mui sacais &#8211; &amp; nada acontecendo. Quanto tempo faz n\u00e3o beijo algu\u00e9m na boca? Many time, my friend.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sa\u00ed a catar o Dudu San Martin ontem \u2013 n\u00e3o teve espet\u00e1culo, chovia pra caralho (\u201co maior caldo\u201d, como dizem no IAPI) \u2013 da\u00ed li os poemas que ele mandou pro livro-coletivo-do-Valdir (que me mandou o livro, tudo bem, escrevi a ele). Wow! Ou u\u00e1u, para ser mais nacionalista. S\u00e3o muito fortes? vivos? bons? s\u00e3o fortes-vivos-bons, mas tamb\u00e9m s\u00e3o mais, t\u00eam um FERVOR que fazia tempo eu n\u00e3o sentia em nada escrito. Acho que \u00e9 o melhor dele que li at\u00e9 agora, me fez muito mal, me baixou ainda mais a moral, porque s\u00e3o extremamente pessimistas (mas, nessa altura do campeonato, pode-se ser otimista?). Depois bebemos cacha\u00e7a e ouvimos Mercedes Sosa. Levitan- encontrei no teatro, outro dia, ele fez a m\u00fasica duma pe\u00e7a infantil que est\u00e1 em cartaz junto com a nossa, tava de cal\u00e7a listrada e, n\u00e3o sei, meio \u201ccontrolado\u201d (n\u00e3o sei se \u00e9 bem isso), como sempre.<\/strong><\/p>\n<p><strong>II &#8211; INTERVALO: GAGOS E VESGOS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Parei quase umas 24h, nesse tempo (ser\u00e1 que no espa\u00e7o tamb\u00e9m?) que separa a \u00faltima frase coube: uma apresenta\u00e7\u00e3o do \u201cSarau\u201d prumas 20 pessoas (amargo, n\u00e3o?), uma tarde de aut\u00f3grafos do Gabriel de Britto Velho onde a m\u00e9dia de idade das pessoas devia ser \u2013 sem exagero \u2013 uns 60 anos (mas ele \u00e9 \u00f3timo: gago: sempre gostei muito de gagos, de vesgos tamb\u00e9m, t\u00eam something else); quebra-pau nos camarins (ainda vou escrever uma pe\u00e7a que se passe naquele espa\u00e7o entre o camarim e o palco).<\/strong><\/p>\n<p><strong>Incr\u00edvel, t\u00e1 mesmo dif\u00edcil, meu amigo &#8211; chegou Caparelli, trovamos, trovamos, a\u00ed quando ele ia saindo chegou um cara da UNISINOS com um gravador, querendo me entrevistar. Fui entrevistado. Burr\u00edssimo, o mo\u00e7o, mas excelente visual. Ficou me olhando dum jeito esquisito quando perguntei: \u201cSabe que voc\u00ea poderia estar faturando horrores como mocinho de bangue-bangue italiano?\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>III \u2013 ESQUINA MALDITA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mas, como eu ia dizendo \u2013 depois de mais de um m\u00eas, ontem, fui \u00e0 Esquina Maldita procurar Em\u00edlio Chagas. Bem foi inevit\u00e1vel, tomamos um pileque \u00e9pico. Hoje acordei ruim, gosto de cabo-de-guarda-chuva na boca &amp; culpa: ando bebendo muito. Horr\u00edvel, n\u00e3o \u00e9? Eu acho, tamb\u00e9m, mas \u00e9 dif\u00edcil evitar, principalmente agora que come\u00e7ou a esfriar, de noite d\u00e1 aquela necessidade de coisas quentes voc\u00ea sai por las calles, a\u00ed v\u00eam as brahmas, os vinhos, os conhaques, as cacha\u00e7as. E \u00e9 engra\u00e7ado, quando a gente t\u00e1 bebendo com algu\u00e9m chega num ponto em que parece que vai acontecer alguma coisa (ningu\u00e9m sabe exatamente o que), e que para essa alguma-coisa acontecer mesmo \u00e9 preciso beber um pouco mais. Da\u00ed voc\u00ea pede \u2013 e ent\u00e3o a coisa come\u00e7a a se decompor. Nada acontece, o porre come\u00e7a a pintar &amp; a mosca pousa na sopa fria.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nei, estou ficando c\u00ednico e sem esperan\u00e7as. Essa \u00e9 uma fase grave. Voc\u00ea n\u00e3o pode me ajudar. Pode-se ficar c\u00ednico numa boa? J\u00e1 n\u00e3o consigo acreditar muito mais nessa \u201cnuma boa\u201d. Apaga o cigarro no peito.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tenho transado com o Henrique do Valle. Ele \u00e9 incr\u00edvel, incr\u00edvel memso, , mas numa ruim. N\u00e3o \u00e9 exagero, NUNCA vi ningu\u00e9m mais drogado, n\u00e3o consegue ficar em p\u00e9, quem o ampara \u00e9 a namorada, que se chama \u2013 juro \u2013 Miseric\u00f3rdia. Tem marcas de picadas nas VEIAS DOS TORNOZELOS. Veja esses poemas que ele me trouxe: \u201cningu\u00e9m acreditou\/ quando eu falei dos anjos\/ que moram nas estrelas \/\/ ent\u00e3o eu falei da crise do petr\u00f3leo\/ do pre\u00e7o do d\u00f3lar\/ e falei mal dos outros \/\/nas estrelas\/ os anjos morriam de rir\u201d. Ou esta, baudelairiana: \u201cescuta minha prece, Satan\/ j\u00e1 que o l\u00f3tus n\u00e3o nasceu\/ deixa eu beber teu vinho\/ com os bodes da floresta\/\/ j\u00e1 que a vida n\u00e3o \u00e9 nada\/ sem teu sopro\/\/ s\u00f3 tu devolves paz\/ s\u00f3 tu d\u00e1s alegria\/\/ s\u00f3 tu entregas prazer\/\/ enchendo a terra com teu orvalho\u201d, Ele trouxe as respostas de um question\u00e1rio para a \u201cEscrita\u201d, mais uma pilha de poemas. Alguns v\u00e3o junto com a mat\u00e9ria mas os outros eu n\u00e3o sei o que fazer. Tem a \u201cIn\u00e9ditos\u201d, de Belo Horiozonte. Ele \u00e9 muito muito muito bom. E d\u00f3i olhar para ele, porque est\u00e1 se matando e sabe disso.<\/strong><\/p>\n<p><strong>V &#8211; CUCA MEIA-BOCA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Estou meio tonto, de ressaca. Ontem vi a cr\u00edtica da Veja sobre \u201cO Ovo\u201d \u2013 aprovado, n\u00e3o \u00e9? N\u00e3o fiquei contente, n\u00e3o me pergunte porque (a tal \u201cculpa original\u201d?). Depois vi meu conto na Fic\u00e7\u00e3o, a\u00ed fiquei contente. Queria que voc\u00ea lesse, \u00e9 uma coisa muito louca.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Chega o Correio com um livro de Minas (meu deus, como os mineiros escrevem) \u2013 \u201cO Globo da Morte&#8221;, de Hugo Almeida Souza, um pra mim outro pra Jane (que manda um beijo), abro ao acaso: \u201cFaz assim, cara: diga que t\u00e1 legal, muito bonito, colorido, sabe como? , (suas m\u00e3os mexiam, o cabelo no olho), que o an\u00fancio d\u00e1 vontade na menina de comprar a porra a\u00ed, entende?\u201d. Quem mandou foi o Luiz Fernando Emediato, que me d\u00e1 um click! \u2013esse-cara-\u00e9-bom. Dudu quer ir para Minas, eu quero conhecer Lucienne Sam\u00f4r, tamb\u00e9m quero ir pra Minas, Minas n\u00e3o existe mais? Rosane-Lu\u00edsa internou-se na ala para indigentes do S\u00e3o Pedro, a psiquiatra descobriu e recambiou-a para a Melanie Klain. Procurem, procurem.<\/strong><br \/>\n<strong>Nei, houve um tempo em que a loucura era coisa t\u00e3o de poucos,lembro dos loucos de rua de Sabntiago\/Itaqui, e gente assim mais fina s\u00f3 tinha uma mulher , Dona Benvinda (!), m\u00e3e dum amigo meu, Fernando, que tinha medo de formiga e quase 20 anos depois econtrei no El Mourisco, desmunheecando muito \u2013 Benvinda enlouquecia periodicamente e era trazido pro S\u00e3o Pedro. Agora todo mundo enlouquece a toda hora, j\u00e1 estive louco, mas nunca numa cl\u00ednica, o que \u00e9 uma desfa\u00e7atez da minha parte,\u00e0s vezes at\u00e9 entro numa que a minha cuca \u00e9 demais meia-boca, j\u00e1 que nunca mereceu sequer uma cl\u00ednica. Rosane, eu n\u00e3o tive coragem de amar Rosane como ela me pediu que eu a amasse (sem pedir, entende?)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nei, os amigos est\u00e3o enlouquecendo, alguns, outros indo embora, outros se trancando em casa, outros ainda bebendo muito, n\u00e3o interessa falar do meu medo, mas ele exste e eu n\u00e3o sei se o nosso grito adianta alguma coisa contra tudo isso \u2013 adianta? Gritarei\/gritaremos sempre, mas as coisas mudar\u00e3o? Esta \u00e9 uma karta ka\u00f3tica. Caparelli diz que todo verbo no futuro \u00e9 imbecil. Houve um tempo em que pensei que tinha asas, houve um tempo em que pensei que comigo seria diferente. Tenho na mem\u00f3ria imagens &amp; imagens de solteir\u00f5es de bombachas tomando mate nos degraus ao sol, no inverno (sempre agosto), eu n\u00e3o sei porque isso me ocorre agora, j\u00e1 caiu a primeira geada e as bergamotas est\u00e3o muito doces. \u00c9 isso a\u00ed. Ou n\u00e3o. Amanh\u00e3 continuo.<\/strong><\/p>\n<p>RETORNO &#8211; <em>1. Alguns verbos chamam a aten\u00e7\u00e3o, como \u201cbodiar\u201d, g\u00edria para algo baixo astral e que j\u00e1 caiu em desuso (acho eu). \u201cTransar\u201d tem mais de um significado, pois podia, como \u00e9 o caso aqui, se referir a um encontro recorrente com algum amigo ou pessoa conhecida, um mergulho na amizade, uma conversa que toma tempo etc. E \u201ctrovar\u201d \u00e9 coisa de ga\u00facho, \u00e9 conversar muito, mudando assim o sentido original, de declamar versos de improviso numa roda de galp\u00e3o.2. Pessoas queridas e amigos meus s\u00e3o citados, como Claudio Levitan, Emilio Chagas, Eduardo San Martin e Sergio Caparelli. Publico como Caio se referiu a eles naquela \u00e9poca distante. Minha inten\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 trazer Caio na \u00edntegra e ele era sempre carinhoso, mesmo quando deixava transparecer alguma cr\u00edtica. 3. Cita\u00e7\u00f5es: &#8220;Apaga o cigarro no peito&#8221; \u00e9 um verso de Gabriel Britto Velho, que o Caio gostava muito de citar; e h\u00e1 o &#8220;procurem procurem&#8221; drummondiano; ambos s\u00e3o inseridos por Caio nesta sua brilhante karta ka\u00f3tica, focada principalmente nos escritores.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s J\u00e1 t\u00ednhamos tempo acumulado, e n\u00e3o era pouco. Das cartas que Caio Fernando Abreu me endere\u00e7ou em 1976, esta \u00e9 a mais dark, pesada e absurdamente luminosa. 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