{"id":2993,"date":"2011-11-07T10:47:34","date_gmt":"2011-11-07T12:47:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2993"},"modified":"2011-11-07T10:47:34","modified_gmt":"2011-11-07T12:47:34","slug":"novembro-inaugurado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/novembro-inaugurado","title":{"rendered":"NOVEMBRO INAUGURADO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Sol de novembro vindo do leste seca fungo de pele, cresta rosto \u00famido, eleva o tom da terra, embala varanda e erva, refolha o l\u00edrio agreste<\/p>\n<p>O dia surpreende de tanta beleza. Vai ver uma pincelada diferente de Deus, por acaso, cruzou o c\u00e9u quando est\u00e1vamos distra\u00eddos<\/p>\n<p>A tarde em queda irradia o ar ainda quente, enquanto o vento refrigerado posta-se evasivo, preparando o fio de corte que fatiar\u00e1 a noite<\/p>\n<p>O fim do dia silencia como um c\u00e3o rec\u00e9m chegado,que fareja a rua onde se esconde a ferocidade que poder\u00e1 ser branda (depende da fase da Lua)<\/p>\n<p>P\u00e1ssaros piam uma desaven\u00e7a com seus encontros, descombinados de plumas cadentes, sorteando muros, estridentes como n\u00f3s, na inf\u00e2ncia<\/p>\n<p>A natureza \u00e9 s\u00f3 isso. Basta-se. Para t\u00ea-la, precisamos da poesia. O verso traz o dia morto no farnel dos deuses, esses vorazes insatisfeitos<\/p>\n<p>Me perguntas de onde tiro o verbo que dobra a bizarria, o canto que embala o corpo tr\u00eamulo e eu respondo: vem de ti, demente de tanta beleza<\/p>\n<p>N\u00e3o presta ficar \u00e0 merc\u00ea do vazio, como navio torrando em calmaria. \u00c9 preciso remo e o perfume inoculado pelo tempo em chamas<\/p>\n<p>Toque o sonho como um instrumento. Ele n\u00e3o fugir\u00e1 de ti. Porque traz as notas grudadas na pele e com qualquer movimento elas se desprendem<\/p>\n<p>Agora pode ir,viajante sem rumo.Pouse o olhar que me deixa como est\u00e1tua diante das colunas do templo. Lembrarei dele na hora de tocar o sino<\/p>\n<p>Sou o que ficou no ermo, \u00e0 espera da chuva. Ela veio, com seu s\u00e9quito de sementes. Trouxe as rosas n\u00e3o geradas. Trocou por um poema de vidro<\/p>\n<p>Amor, \u00e9 tarde. O sol levou a promessa e nos deixou \u00e0 merc\u00ea das deusas. Por cima deste teto algo trama a dor ou sua nova face, a felicidade<\/p>\n<p>N\u00e3o quero mais ouvir os sons que amarram nossas pernas. Devemos sair desta armadilha. Sentimento \u00e9 anzol que fisga o futuro, essa coragem<\/p>\n<p>Eram apenas palavras, me disse o algoz antes de assinar a pena. N\u00e3o, respondeu o anjo. Era o rosto de Deus dizendo as horas<\/p>\n<p>Pele, penugem, gota de orvalho: custamos a chegar no denso territ\u00f3rio da verdade. Que nos recebe sorrindo, lamentando nosso medo sem motivo<\/p>\n<p>Batem \u00e0 porta. \u00c9 a noite. Bela, como amante tardia. Mo\u00e7a, como um assombro. Brilhante, com seu v\u00e9u de estrelas salpicadas no manto denso<\/p>\n<p>S\u00f3 estamos no come\u00e7o, rainha. Suor e voca\u00e7\u00e3o nos cercam, como crian\u00e7as.Elas nos jogam flores, porque vamos partir.Somos de novo uma bandeira<\/p>\n<p>Cruzamos o vale em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cordilheira. Cem mil nos acompanham at\u00e9 o momento decisivo. L\u00e1, repartem as armas e olham fixo para os gigantes<\/p>\n<p>Mas toda imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 varrida pela paz que habita a m\u00e3o que n\u00e3o fere. \u00c9 quando pousam em n\u00f3s os p\u00e1ssaros mais pequenos, com suas cores vivas<\/p>\n<p>Agora vamos dar uma volta. O passeio est\u00e1 pleno de p\u00e9talas. Os vestidos preparam a varanda que ser\u00e1 forrada pelas estrelas. Boa noite, amores<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Sol de novembro vindo do leste seca fungo de pele, cresta rosto \u00famido, eleva o tom da terra, embala varanda e erva, refolha o l\u00edrio agreste O dia surpreende de tanta beleza. 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