{"id":302,"date":"2009-12-10T12:39:14","date_gmt":"2009-12-10T14:39:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=302"},"modified":"2009-12-10T12:39:14","modified_gmt":"2009-12-10T14:39:14","slug":"habitos-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/habitos-de-guerra","title":{"rendered":"H\u00c1BITOS DE GUERRA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nTrazemos do ber\u00e7o a tend\u00eancia para a liberdade. Os h\u00e1bitos de guerra s\u00e3o adquiridos no entorno da bala perdida. A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 o passeio, mas nos fechamos em casa. Queremos conversar, mas \u00e9 melhor ficar quieto. Assim acontece com os textos. A natureza da cr\u00f4nica \u00e9 o p\u00e1ssaro no quintal, a mem\u00f3ria, as viagens. Mas acabamos abordando o tr\u00e2nsito, a viol\u00eancia, a infla\u00e7\u00e3o. Contrariamos assim a ess\u00eancia das coisas, porque nos submetemos ao territ\u00f3rio conflagrado.<\/p>\n<p>Aprendemos a driblar conflitos nas rotinas. Brigar \u00e9 f\u00e1cil , enquanto o cumprimento desinteressado \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o. Quando recebemos aceno amig\u00e1vel de desconhecidos, parece que acordamos de um pesadelo. As rela\u00e7\u00f5es humanas vol\u00e1teis s\u00e3o geradas pela ind\u00fastria dos eventos, os casamentos provis\u00f3rios, as migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, a solid\u00e3o econ\u00f4mica, a impossibilidade do amor. Assim nos transformamos em indiferentes agrupamentos humanos, escravizados pelo ambiente hostil.<\/p>\n<p>A barra pesada gera seu aparente ant\u00eddoto. Virou moda marginalizar o pessimismo, fazer campanhas do sorriso f\u00e1cil, relevar a brutalidade, achar que estamos exagerando. Pela necessidade de sobreviv\u00eancia, transcendemos o olhar diante das estat\u00edsticas. Assassinatos em massa durante d\u00e9cadas s\u00e3o tratados como exce\u00e7\u00f5es. O roubo generalizado, da casa de luxo ao pequeno com\u00e9rcio, o assalto ao bolso tanto do ambulante quanto do milion\u00e1rio, revelam que o mal se espalhou em rede pelo tecido social, mas \u00e9 in\u00fatil exasperar-se com isso. Est\u00e1 por fora.<\/p>\n<p>O certo seria repetir alguns jarg\u00f5es adotados como animaizinhos de estima\u00e7\u00e3o. O cl\u00e1ssico \u00e9 o \u201cn\u00e3o tem nenhuma\u201d, que vem dos anos 60, quando a mocidade resolveu apartar-se do terror cotidiano tentando inventar um mundo acima das vilanias. Hoje medra o \u201cestar de bem com a vida\u201d, como se enxergar com clareza fosse estar de mal com ela. H\u00e1 ainda os que batem no peito dizendo \u201camar a Deus\u201d, o que parece livr\u00e1-los da obrigatoriedade de amar o pr\u00f3ximo. Ou os que \u201cgostam de ler\u201d, como se respirar fosse uma op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Chamar a aten\u00e7\u00e3o para esses lugares comuns \u00e9 visto como implic\u00e2ncia. Devemos nos comportar dentro da corre\u00e7\u00e3o vigente. Pois se destoarmos do coro dos contentes, poderemos desmascarar os h\u00e1bitos de guerra sob a apar\u00eancia do congra\u00e7amento solid\u00e1rio. Isso prejudica os neg\u00f3cios. Tem muita gente faturando com o tiroteio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trazemos do ber\u00e7o a tend\u00eancia para a liberdade. Os h\u00e1bitos de guerra s\u00e3o adquiridos no entorno da bala perdida. A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 o passeio, mas nos fechamos em casa. Queremos conversar, mas \u00e9 melhor ficar quieto. Assim acontece com os textos. A natureza da cr\u00f4nica \u00e9 o p\u00e1ssaro no quintal, a mem\u00f3ria, as viagens. Mas acabamos abordando o tr\u00e2nsito, a viol\u00eancia, a infla\u00e7\u00e3o. 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