{"id":3137,"date":"2011-12-12T19:50:38","date_gmt":"2011-12-12T21:50:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3137"},"modified":"2011-12-12T19:50:38","modified_gmt":"2011-12-12T21:50:38","slug":"escolhi-o-deserto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/escolhi-o-deserto","title":{"rendered":"ESCOLHI O DESERTO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Sempre que eu quis fazer alguma coisa algu\u00e9m n\u00e3o deixou. Por isso escolhi o deserto. Ningu\u00e9m pode me impedir de entardecer<\/p>\n<p>Me afogas em poesia, queixou-se ela. Assim n\u00e3o durmo. Quero que mudes de cama, eu disse. A que eu fiz com a renda dos teus ouvidos<\/p>\n<p>Extra\u00ed a palavra encruada no veio. Usei a for\u00e7a f\u00edsica e alguns sonhos. Acharam pouco porque sentiram a tenta\u00e7\u00e3o de roub\u00e1-la<\/p>\n<p>N\u00e3o me monitore, n\u00e3o me manipule. N\u00e3o sou marionete de suas pupilas, nem protetor de tua pele. Sou o sujeito distante e n\u00e3o escrevo cartas<\/p>\n<p>Uma frase sua \u00e9 a trilha onde me situo. Mesmo que fales de outra coisa. Basta saber que esse vento foi gerado por tuas folhas<\/p>\n<p>Quando terminar este romance, jogarei a f\u00f3rmula no mar, para alimentar os peixes.<\/p>\n<p>Tenho esta\u00e7\u00f5es no sentimento. Ardo no inverno, chovo no outono, sonho na primavera e me recolho no ver\u00e3o. Venha, vira\u00e7\u00e3o, firmar o tempo<\/p>\n<p>Interromperam meu trem de palavras e elas ficaram a reboque de outras linhas. Preciso agir r\u00e1pido porque tua esta\u00e7\u00e3o \u00e9 no pr\u00f3ximo quil\u00f4metro<\/p>\n<p>Escolhes os brilhos mais raros, os poemas mais \u00edntimos. Estou de olho, princesa. Depois n\u00e3o finja que n\u00e3o entende<\/p>\n<p>Assustei voc\u00ea? Achavas que eu estava longe? Fico onde me beijas, na tua imagina\u00e7\u00e3o sem freio<\/p>\n<p>Ser cavalheiro \u00e9 obedecer o protocolo sem dar import\u00e2ncia para ele. Beijar a m\u00e3o por gentileza tem grande for\u00e7a de sedu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Ensina os caras a se comportar, disse algu\u00e9m. Eu n\u00e3o, disse o interlocutor. Quero voc\u00eas todas para mim<\/p>\n<p>Que fa\u00e7o com teu segredo? Vou enterr\u00e1-lo no ermo e assim ficar\u00e1s me devendo. Quero o que tens de sagrado<\/p>\n<p>N\u00e3o vou facilitar tua vida. Passarei \u00e0s nove, como combinado. E te arrastarei, beleza, pelos sal\u00f5es com teu tomara-que-caia vermelho.<\/p>\n<p>Chove e teu cabelo molhado prev\u00ea a tempestade.Sugiro um quarto, mas queres ir at\u00e9 o mutir\u00e3o do bairro. L\u00e1 \u00e9 o amor, solid\u00e1ria<\/p>\n<p>Chega tarde e n\u00e3o me acorda. Sai cedo sem bater a porta. Ao meio dia telefona: almo\u00e7o um sanduiche em tua mem\u00f3ria. Janta comigo ou morre<\/p>\n<p>Passaste a semana fora. Chegas morta. Fa\u00e7o um prato bem temperado com suco \u00e1cido. S\u00f3 estou indo \u00e0 forra, digo, derrubando-a<\/p>\n<p>N\u00e3o sou rom\u00e2ntico, explico. Sou tradutor de s\u00e2nscrito. Nasci na ilha de Java. E encaro a \u00e1lgebra como um cogumelo. Estou mais para o p\u00f3s-tosco<\/p>\n<p>\u00c9 bom um momento de solid\u00e3o. \u00c9 quando sinto falta de ti. S\u00e3o os cinco segundos mais intensos da minha vida<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Sempre que eu quis fazer alguma coisa algu\u00e9m n\u00e3o deixou. Por isso escolhi o deserto. Ningu\u00e9m pode me impedir de entardecer Me afogas em poesia, queixou-se ela. Assim n\u00e3o durmo. Quero que mudes de cama, eu disse. A que eu fiz com a renda dos teus ouvidos Extra\u00ed a palavra encruada no veio. 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