{"id":3144,"date":"2011-12-12T19:57:12","date_gmt":"2011-12-12T21:57:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3144"},"modified":"2011-12-12T19:57:12","modified_gmt":"2011-12-12T21:57:12","slug":"sou-intimo-de-ti","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/sou-intimo-de-ti","title":{"rendered":"SOU \u00cdNTIMO DE TI"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Vieste junto com os guardados. Te descobri tardiamente, quando descarregava os jarros. Tinhas o aspecto de uma flor, de olhos assustados<\/p>\n<p>Corri para evitar a solid\u00e3o, mas era tarde demais. O ultimo barco partiu e estavas nele, levando teu lanche, embrulhado no meu poema em celofane<\/p>\n<p>Sou \u00edntimo de ti. Me tens na toalha, na estante. \u00c9 o m\u00e1ximo que consigo me aproximar sendo um estranho<\/p>\n<p>Bastou um dia longe para descobrirmos que nada ficou daquele primeiro encontro. S\u00f3 a vontade de morrer de vez em quando<\/p>\n<p>N\u00e3o somos rom\u00e2nticos. Admitimos isso naquela festa em que nos conhecemos. Por sermos t\u00e3o id\u00eanticos, nunca mais nos desgrudamos<\/p>\n<p>Voc\u00ea est\u00e1 piorando, disse o cr\u00edtico. J\u00e1 foi melhor, obrigado. Lembro, respondi. Quando fui ignorado<\/p>\n<p>Precisa trabalhar mais esse material, me disse o superintendente. Amasse barro e n\u00e3o use borboletas. Custam caro e morrem no primeiro vento<\/p>\n<p>Fizemos uma excurs\u00e3o na firma para comemorar o fim de ano. Estavas de cachecol lil\u00e1s, no primeiro banco. Eras, \u00e0 revelia, o meu presente<\/p>\n<p>Estou pronta, disse a noiva. Antes, corte o meu cabelo. Foi uma promessa que fiz para Santo Ant\u00f4nio<\/p>\n<p>Vim te conhecer para dizer adeus, disse ela. N\u00e3o suportaria ver este amor virtual se desmanchar na minha frente. Prefiro voltar a ser um avatar<\/p>\n<p>Constru\u00ed uma ponte de conchas com as m\u00e3os, sem nenhuma no\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. Mas serviu para pisares nela, desmanchado meu suor em mil promessas<\/p>\n<p>Estive fora. N\u00e3o regressei antes da aurora. Estendeste teu len\u00e7ol de sonhos para me receber. Vi de longe. Era uma esp\u00e9cie de fogueira<\/p>\n<p>No povoado dizem que demorei demais. E que no fundo n\u00e3o me esperaste. \u00c9 que n\u00e3o podem nos ver juntos, entender nosso amor absurdo<\/p>\n<p>Viajei em junho, voltei em dezembro. Teceste uma camisa que coloquei agora. Estamos na varanda e o sol veio sentar-se para uma conversa<\/p>\n<p>Fui buscar mantimentos. Ficaste de guarda. Os cachorros estava inquietos. Mas o caipora n\u00e3o teme guaipeca, teme o fogo dos teus olhos<\/p>\n<p>Refizeste o caminho pelo corredor. Recusaste aux\u00edlio, estou orgulhoso de ti. Tateando as paredes, atingiste o esplendor: os len\u00e7\u00f3is que eu estendi<\/p>\n<p>Perguntam o que fa\u00e7o neste ermo perdido. Porque n\u00e3o emigro, como todos. Algu\u00e9m precisa guardar a natureza, digo. E ter um amor entre os jasmins<\/p>\n<p>N\u00e3o me leve daqui, destino. Custei a vir, quero ficar. Sou o sentinela do caminho. Se algu\u00e9m invadir, vai ter comigo. Sinto que n\u00e3o estou sozinho<\/p>\n<p>N\u00e3o tem import\u00e2ncia. Ningu\u00e9m atenta para o amor, mesmo. S\u00f3 n\u00e3o consigo descobrir para que serve esse talism\u00e3 que me deste e n\u00e3o sai do meu peito<\/p>\n<p>Voc\u00ea trocou de namoro. Achou que n\u00e3o precisava ouvir. Eu mantive o amor. D\u00e1 gosto ver teu erro. Conto os segundos para te dizer<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Vieste junto com os guardados. Te descobri tardiamente, quando descarregava os jarros. 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