{"id":3146,"date":"2011-12-12T19:58:57","date_gmt":"2011-12-12T21:58:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3146"},"modified":"2011-12-12T19:58:57","modified_gmt":"2011-12-12T21:58:57","slug":"na-altura-de-venus","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/na-altura-de-venus","title":{"rendered":"NA ALTURA DE V\u00caNUS"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>Tuas rendas na altura de V\u00eanus, eis o segredo do verso. Teu espa\u00e7o de sereno aguarda o momento certo<\/p>\n<p>Este romance n\u00e3o acaba. H\u00e1 trens, esta\u00e7\u00f5es, acenos, tran\u00e7as, lampi\u00f5es. At\u00e9 o ne\u00f3n parece antigo. Custo a chegar ao tempo que nos comove<\/p>\n<p>Volto cheio de planos. Monto um escrit\u00f3rio. \u00c9s minha cliente. Quero o amor de volta, dizes. Providencio ent\u00e3o uma d\u00fazia de rosas<\/p>\n<p>Ainda sentimos. Heran\u00e7a de um mundo perdido, que nos mant\u00e9m vivos<\/p>\n<p>Fa\u00e7o parte da insurrei\u00e7\u00e3o do poema. Soldado, envio uma carta do front. Ela chega em segundos. Est\u00e1s ao meu lado, amor<\/p>\n<p>Aceitei sua ren\u00fancia. Mas n\u00e3o vou substitu\u00ed-la. As for\u00e7as do poema ainda n\u00e3o cerraram fileiras. Aguardo o apoio da multid\u00e3o dos seus desejos<\/p>\n<p>Tem gente que prefere ver uma luta. N\u00f3s decidimos comer algod\u00e3o doce num barco, em meio ao lago. Na beira, uma cantata. A bordo, teu seio<\/p>\n<p>Declarei o amor, minha alforria, e parti para a guerra, ver a dor. Voltei alquebrado, minha alegria, e aqui estou aos teus p\u00e9s, com uma flor<\/p>\n<p>S\u00f3 o que importa \u00e9 o dinheiro.A poesia \u00e9 tratada como lixo.Mas os r\u00e9quiens de luxo mendigam palavras que emocionem para fazer jus a uma vida<\/p>\n<p>O deserto \u00e9 feito de espet\u00e1culos bisonhos. Solid\u00e3o de luzes roxas. Horizontes estranhos. Mas teu cora\u00e7\u00e3o, p\u00e1ssaro de encanto, te d\u00e1 conforto<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m impedir\u00e1 que sejas teu destino, esse fundo enredo de \u00e1guas interiores. Deixe que falem, cubra-se com o teu amor que vem de longe<\/p>\n<p>Somos criaturas de sonho. Abra m\u00e3o do que derruba a fantasia e vista-se em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 fonte. Depois tire a roupa, cachoeira de gozo<\/p>\n<p>A miss\u00e3o do homem \u00e9 ser a rocha onde pousa esse beijo tr\u00eamulo. Que o civiliza para celebr\u00e1-lo. A magia da flor que medra em seus escombros<\/p>\n<p>Conduza a carruagem pelo p\u00e2ntano. A princesa que levas junto suja o vestido, mas n\u00e3o importa. Ela tem os olhos fixos em teus ombros, gigante<\/p>\n<p>H\u00e1 um conluio de sombras que te impedem de chegar ao pote do arco-\u00edris. Elas varrem a alian\u00e7a com dedos sujos. Use o cheiro, mas consiga<\/p>\n<p>No momento em que voc\u00ea brilha, acerta o veio, debate-se desesperada a alma em chagas que te cerca e aposta em tua penumbra. Seja forte<\/p>\n<p>De que vale ser a ave sagrada pelo batismo se n\u00e3o permites que renas\u00e7a o amor em ti, submersa pedra coral<\/p>\n<p>Ele \u00e9 meu escravo, fica na corrente, mas pensa o que quer, disse o feitor. Ent\u00e3o ele \u00e9 livre, disse o ditador<\/p>\n<p>A virtude aprisiona quando se apropria do sentimento alheio. Ou libera, compartilhando a d\u00favida e dando chance ao amor, ou ter\u00e1 retalia\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Falarei de maneira expl\u00edcita, se quiseres. Direi o que sinto em cartazes imensos. Passar\u00e1s indiferente pelo que sangra, minha flor de cardo?<\/p>\n<p>Fico surpreso quando vejo teus sinais na estrada onde durmo. \u00c9s tu? pergunto. Meu sonho oculto. Onde medra esse amor infinito?<\/p>\n<p>Renasces em mim dizendo apenas que me escuta. Teu sil\u00eancio n\u00e3o germina o desencontro, antes o abastece<\/p>\n<p>N\u00e3o tens culpa de seres tudo. E que qualquer gesto, m\u00ednimo, me reacenda a esperan\u00e7a de um amor que contava perdido. \u00c9s minha ilus\u00e3o favorita<\/p>\n<p>Te lembro algu\u00e9m, de algum lugar. Mas \u00e9 ilus\u00e3o. Sou aqui e agora e agarra essa chance. N\u00e3o porque precises, mas porque me salva<\/p>\n<p>O sonho n\u00e3o estava solto no ar. Mas em lugar sabido, onde pulsa a disforme condi\u00e7\u00e3o de criaturas que n\u00e3o vivem sem amor<\/p>\n<p>Quem segura essa paix\u00e3o feita de p\u00f3len, com o a\u00e7\u00facar extra\u00eddo de um cora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o desiste, e borrifado pelo perfume das estrelas?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Tuas rendas na altura de V\u00eanus, eis o segredo do verso. Teu espa\u00e7o de sereno aguarda o momento certo Este romance n\u00e3o acaba. 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