{"id":3150,"date":"2011-12-12T20:01:18","date_gmt":"2011-12-12T22:01:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3150"},"modified":"2011-12-12T20:01:18","modified_gmt":"2011-12-12T22:01:18","slug":"a-palavra-quente-do-poema","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/a-palavra-quente-do-poema","title":{"rendered":"A PALAVRA QUENTE DO POEMA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p><em>Al\u00e9m dos poemas de amor, que fazem um livro \u00e0 parte, estou escrevendo um longo romance em prosa po\u00e9tica, que posto diretamente no facebook e no twitter. O que vem a seguir faz parte desse outro livro in\u00e9dito, que os amigos das m\u00eddias sociais e os leitores deste blog e do site tem acesso com anteced\u00eancia. A postagem m\u00faltipla nesses espa\u00e7os virtuais indica minha autoria para essas obras.<\/em><\/p>\n<p>Esperas a palavra como o p\u00e3o que tarda. Ela chega quente, embalada. Desembrulhas e v\u00eas o sopro da noite alta borrifando de manh\u00e3 a carne exposta<\/p>\n<p>M\u00e3e pergunta se hoje n\u00e3o tem poema, disse a garota. N\u00e3o, mas leva esses versos. Mistura e p\u00f5e na mesa. Algu\u00e9m h\u00e1 de chorar, disse o padeiro<\/p>\n<p>Adormeceste tarde, quando eu j\u00e1 tinha escapado no escuro. Ficaste boiando no vazio e por isso tens esse rosto de anjo na manh\u00e3 de chuva<\/p>\n<p>Tinhas reuni\u00e3o cedo por isso deixaste teu cora\u00e7\u00e3o me vigiando. Acordei com o pulso de um beijo enviado por ti a dist\u00e2ncia<\/p>\n<p>Est\u00e1s cercada de despedida. Preciso arrancar cada pergaminho colado em teu vestido. Eles dizem adeus no espa\u00e7o onde vou inaugurar um inc\u00eandio<\/p>\n<p>N\u00e3o conheci o mundo, mas cheguei perto. Fiquei preso na fronteira, amarrado ao meu cora\u00e7\u00e3o deserto. Por sorte te vi, flor da pedra<\/p>\n<p>O dia em que o c\u00e9u negar a gota que te alimenta, flor do cardo, bater\u00e1s teus sinos prejudicando as asas. S\u00f3 eu te escutarei, melindrosa<\/p>\n<p>O orvalho desistiu de ti quando choraste. J\u00e1 tinhas \u00e1gua. Fiquei s\u00f3, esmigalhando p\u00e9talas molhadas com minha bota<\/p>\n<p>N\u00e3o era para ficar aqui, morto de saudade. Mas algu\u00e9m mencionou teu nome e vim rever a pra\u00e7a onde nosso amor mora<\/p>\n<p>Lembra da Lua? Exilou-se na primavera, como aquelas viajantes batidas pelo vento no conv\u00e9s de cruzeiros absurdos<\/p>\n<p>N\u00e3o se insurja contra algo que voc\u00ea n\u00e3o percebeu claramente. N\u00e3o intensifique a pris\u00e3o do seu isolamento. Consulte o amor, pintor de paredes<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil me acusar de algo que est\u00e1 acumulado em tua viv\u00eancia. N\u00e3o fa\u00e7o parte da tua obra, a n\u00e3o ser que gostes de novos projetos, arquiteta<\/p>\n<p>Desisti de me aproximar de ti, me conformei. S\u00f3 me perdoa, nesta cerim\u00f4nia mal assombrada, por pisar na longa cauda do teu branco vestido<\/p>\n<p>Perdi voc\u00ea antes do v\u00f4o. N\u00e3o estavas mais na lista dos passageiros. A bordo, olhei para fora e te vi na nuvem, anjo. Cansaste de ser humana<\/p>\n<p>Todos foram embora e ficamos nus na praia \u00e0 merc\u00ea do tuf\u00e3o. Nos agarramos e fechamos os olhos. E rodopiamos at\u00e9 virarmos p\u00f3, tes\u00e3o<\/p>\n<p>Mesmo depois de partir, estavas comigo. O reencontro se deu por for\u00e7a desse destino, tra\u00e7ado por ti como um beijo demorado<\/p>\n<p>Quem segura essa paix\u00e3o feita de p\u00f3len, com o a\u00e7\u00facar extra\u00eddo de um cora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o desiste, e borrifado pelo perfume das estrelas?<\/p>\n<p>O sonho n\u00e3o estava solto no ar. Mas em lugar sabido, onde pulsa a disforme condi\u00e7\u00e3o de criaturas que n\u00e3o vivem sem amor<\/p>\n<p>Te lembro algu\u00e9m, de algum lugar. Mas \u00e9 ilus\u00e3o. Sou aqui e agora e agarra essa chance. N\u00e3o porque precises, mas porque me salva<\/p>\n<p>Voc\u00ea me enlouquece. Melhor dizer para o vento que o tempo precisa parar um instante para que a eternidade tenha acesso a si mesma<\/p>\n<p>N\u00e3o tens culpa de seres tudo. E que qualquer gesto, m\u00ednimo, me reacenda a esperan\u00e7a de um amor que contava perdido. \u00c9s minha ilus\u00e3o favorita<\/p>\n<p>Renasces em mim dizendo apenas que me escuta. Teu sil\u00eancio n\u00e3o germina o desencontro, antes o abastece<\/p>\n<p>Fico surpreso quando vejo teus sinais na estrada onde durmo. \u00c9s tu? pergunto. Meu sonho oculto. Onde medra esse amor infinito?<\/p>\n<p>Falarei de maneira expl\u00edcita, se quiseres. Direi o que sinto em cartazes imensos. Passar\u00e1s indiferente pelo que sangra, minha flor de cardo?<\/p>\n<p>N\u00e3o faz sentido ficarmos longe at\u00e9 mesmo nas palavras. Gire para mim a biruta de teu corpo. Que a alma j\u00e1 peguei entre meus salmos<\/p>\n<p>Mal acordas e te espero com meu verbo. Como se fosse poss\u00edvel viver disso. E nada mais importasse a n\u00e3o ser o prazer da letra exposta<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Al\u00e9m dos poemas de amor, que fazem um livro \u00e0 parte, estou escrevendo um longo romance em prosa po\u00e9tica, que posto diretamente no facebook e no twitter. 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