{"id":3158,"date":"2011-12-12T20:06:17","date_gmt":"2011-12-12T22:06:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3158"},"modified":"2011-12-12T20:06:17","modified_gmt":"2011-12-12T22:06:17","slug":"disfarce","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/disfarce","title":{"rendered":"DISFARCE"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Foi bom o disfarce. Como se n\u00e3o houvesse o vulc\u00e3o do teu charme. Mas foste tra\u00edda pelo veneno escarlate das unhas. Por ti levaria um tiro<\/p>\n<p>Cicatrizou? ela disse ao abrir a porta. O ferimento sim, falei. Mas n\u00e3o o beijo que me deste no dia do acidente, desconhecida.<\/p>\n<p>Quantas te querem? ela falou. Contando com voc\u00ea? perguntei. Sim, disse ela. S\u00f3 uma, falei.<\/p>\n<p>Qual teu objetivo? ela perguntou. As mil e uma noites, respondi. Ah, sult\u00e3o maldito, disse ela.<\/p>\n<p>Pare com isso, n\u00e3o estou ag\u00fcentando. disse ela. Vire sereia, falei. Poder\u00e1s respirar ao mergulhar para sempre nas tuas \u00e1guas interiores<\/p>\n<p>Ela apagou as pistas, mudou de endere\u00e7o, se fez de desentendida. Mas n\u00e3o conseguiu virar o rosto quando vi seu bra\u00e7o tatuado com meu nome<\/p>\n<p>Voc\u00ea fala por par\u00e1bolas, eu sou o escriba. De vez em quando durmo em cima do manuscrito. Quando acordo, ele est\u00e1 imprest\u00e1vel<\/p>\n<p>J\u00e1 vi todas as apresenta\u00e7\u00f5es poss\u00edveis e pedi bis para que ca\u00edsse tua ficha. N\u00e3o adiantou. N\u00e3o tiraste a m\u00e1scara. Vou invadir o palco<\/p>\n<p>Humor \u00e9 involunt\u00e1rio. Por isso a plat\u00e9ia gargalha do palha\u00e7o que, sem querer, trope\u00e7a<\/p>\n<p>Eles vendem espa\u00e7os no teu cora\u00e7\u00e3o em peda\u00e7os. Ningu\u00e9m costura o que tens, exausta, porque usam tua fome em seus banquetes<\/p>\n<p>Parece bonito o que dizem. Funciona. Mas quando giras a chave do quarto, uma vertigem te devora e nenhuma palavra de verdade te ampara<\/p>\n<p>O que pega \u00e9 o amor que cultivas em teus canteiros, longe do olhar dos usurpadores. L\u00e1 medra a flor que me beija, possu\u00edda<\/p>\n<p>Ele \u00e9 teu \u00eddolo porque \u00e9 teu grande amor, disse o marido. N\u00e3o, ele \u00e9 meu \u00eddolo porque me fez ver que meu grande amor \u00e9 voc\u00ea, disse ela<\/p>\n<p>Perdi todas as tuas cartas. Foram jogadas no vazio uma a uma, por obra do mist\u00e9rio. Ficaram apenas as minhas, que devolveste<\/p>\n<p>Sei agora qual foi o motivo: aquela frase, de verbos errados, que te escandalizou. N\u00e3o fui perdoado. Viste como um sinal do que sou de fato<\/p>\n<p>Nem sempre consigo esconder o que me forma.O verbo escasso deixa algo de fora,como roupa que n\u00e3o encolhe.Tamb\u00e9m te vejo atrav\u00e9s da maquiagem<\/p>\n<p>N\u00e3o te pe\u00e7o tr\u00e9gua nem volta, pois vou acabar repetindo o que me estraga. \u00c9 melhor a dist\u00e2ncia e a lembran\u00e7a daquela tarde<\/p>\n<p>Pedes que eu olhe a paisagem. Mas ela \u00e9 dominada por ti, portentosa.O que pode o olho diante do teu foco?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Foi bom o disfarce. Como se n\u00e3o houvesse o vulc\u00e3o do teu charme. Mas foste tra\u00edda pelo veneno escarlate das unhas. Por ti levaria um tiro Cicatrizou? ela disse ao abrir a porta. O ferimento sim, falei. Mas n\u00e3o o beijo que me deste no dia do acidente, desconhecida. Quantas te querem? ela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[306],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3158"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3158"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3159,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3158\/revisions\/3159"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}