{"id":3199,"date":"2012-01-01T08:47:44","date_gmt":"2012-01-01T10:47:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3199"},"modified":"2012-07-26T20:23:40","modified_gmt":"2012-07-26T23:23:40","slug":"viagem-a-paris-imaginada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/viagem-a-paris-imaginada","title":{"rendered":"VIAGEM \u00c0 PARIS IMAGINADA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Depois de ver Midnight in Paris, de Woody Allen, me mudei para l\u00e1, n\u00e3o para a cidade f\u00edsica ou a representada em imagens, mas para a conex\u00e3o entre os mundos, a viagem para dentro de si mesmo, o insight sobre a insatisfa\u00e7\u00e3o do presente, o acerto do conv\u00edvio entre os talentos como forma de barrar a barb\u00e1rie. Um filme e tanto. WA sempre acerta. O protagonista \u00e9 uma Cinderela pelo avesso: sua ilus\u00e3o come\u00e7a depois, e n\u00e3o antes, das doze badaladas. \u00c9 a senha para palmilhar a Paris imaginada, ou seja, a cidade m\u00edtica como linguagem percebida pelo filtro n\u00e3o do presente, mas da necessidade gerada pelo talento.<\/p>\n<p>Paris \u00e9 cinema e todo filme \u00e9 sobre cinema. Temos ali a paisagem de Stanley Donen de Charada (1963) e de Cinderela em Paris (Funny Face, de 1957). Na sucess\u00e3o de marioskas, as bonecas russas que existem dentro uma da outra, e que s\u00e3o as fases de ouro do imagin\u00e1rio liter\u00e1rio e cinematogr\u00e1fico, Allen escolhe a \u00faltima boneca, a menor e que est\u00e1 no miolo do drama, n\u00e3o nos anos 20 e sim nessa virada dos 50 e 60 de Donen. Allen j\u00e1 filma Paris anteriormente revisitada, ou seja, n\u00e3o \u00e9 ele que come\u00e7a a resgatar essa viagem, apenas faz uma refer\u00eancia a essa busca incessante do mito desfocado do presente.<\/p>\n<p>Por ser cinema e por ser Allen um artista anti-pedantismo, identificado totalmente com seu personagem dividido entre a arte e a ind\u00fastria, Midnight in Paris trabalha com os clich\u00eas, mas de maneira encantadora. Seu casal Zelda e Fitzgerald e os conflitos com Hemingway s\u00e3o puro irm\u00e3os Marx, mas h\u00e1 algo de poderoso no seu Ernst (interpretado por Corey Stoll), com falas decisivas sobre a competi\u00e7\u00e3o entre escritores e a necessidade de um tertius (no caso, Gertrude Stein) para lan\u00e7ar alguma luz para a literatura que estava sendo produzida na \u00e9poca e que os autores n\u00e3o poderiam avaliar por estarem envolvidos nesse boxe entre talentos.<\/p>\n<p>Ou seja, dentro da sequ\u00eancia de cenas que nos mostram os lugares comuns sobre os personagens famosos da \u00e9poca, que incluem Picasso, Dali, Bu\u00f1uel e toda a fauna, abre-se a brecha para o que interessa: a auto-an\u00e1lise do escritor em crise (interpretado por Owen Wilson), que entende a precariedade da sua busca e se conforma com o duplo movimento em rela\u00e7\u00e3o ao seu desejo: quando ele mergulha na Paris que amava acaba descobrindo que precisava ficar longe dela para se encontrar. No fundo, n\u00e3o \u00e9 Paris que interessa, n\u00e3o \u00e9 essa a personagem principal, e sim a decis\u00e3o do sujeito que escreve, o protagonista da linguagem, j\u00e1 que tudo \u00e9 linguagem.<\/p>\n<p>Qual a diferen\u00e7a entre os americanos da fam\u00edlia da noiva e os americanos escritores dos anos vinte que se refugiam em Paris, al\u00e9m da cultura e do talento? \u00c9 a qualidade do agrupamento. Enquanto os la\u00e7os de sangue colocam no mesmo conv\u00edvio o status, o vazio e a ignor\u00e2ncia (refor\u00e7adas pelo amigo pedante), no grupo de Gertrude Stein existe vanguarda, coragem no ver e dizer, afinidades e conflitos. Nessa Paris m\u00edtica, vive-se a arte e a cultura como forma de interromper o fluxo da destrui\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito, por mais doloroso que seja. D\u00e1 frutos maravilhosos, como podemos ver nas obras e entre elas se inclui, naturalmente, este maravilhoso filme.<\/p>\n<p>Woody Allen: n\u00e3o tem perigo de errar. \u00c9 por isso que me mudei para l\u00e1.Sou um dos caras sentados no caf\u00e9. Estou escrevendo um livro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Depois de ver Midnight in Paris, de Woody Allen, me mudei para l\u00e1, n\u00e3o para a cidade f\u00edsica ou a representada em imagens, mas para a conex\u00e3o entre os mundos, a viagem para dentro de si mesmo, o insight sobre a insatisfa\u00e7\u00e3o do presente, o acerto do conv\u00edvio entre os talentos como forma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3199"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3199"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3199\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3201,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3199\/revisions\/3201"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}