{"id":3210,"date":"2012-01-01T08:54:23","date_gmt":"2012-01-01T10:54:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3210"},"modified":"2012-01-01T08:54:23","modified_gmt":"2012-01-01T10:54:23","slug":"espanto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/espanto","title":{"rendered":"ESPANTO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Foste no breu aguardar minha volta. Acabaste dormindo. Foi quando o sol raiou sobre teu rosto e me viste te olhando. Eu havia chegado, espanto<\/p>\n<p>Voc\u00ea me faz feliz todos os dias, ela disse. Foi o momento do balan\u00e7o: o amor existe, e como<\/p>\n<p>Vamos ser pr\u00e1ticos. Voc\u00ea tamb\u00e9m me ama e pronto<\/p>\n<p>Juntou gente para ver teu vestido. S\u00f3 eu enxergava a musa, porque a espiei no banho<\/p>\n<p>N\u00e3o faz sentido sentar-se para compor versos. Melhor construir uma escova, varrer um piso. Vai que voc\u00ea resolva passar<\/p>\n<p>Amor d\u00f3i,mas deixa de existir quando machuca. A\u00ed \u00e9 outro setor. Enfermaria<\/p>\n<p>Parei de vibrar os tambores. N\u00e3o fazia sentido. J\u00e1 n\u00e3o respondias. Decidi me recolher para o in\u00edcio, quando te vi pela primeira vez<\/p>\n<p>Disseram para suspender o poema. Interromper o rio, falhar a pleno. Colocar a vela no ch\u00e3o do barco em alto mar. Ficar \u00e0 deriva, como um iceberg<\/p>\n<p>Est\u00e1 vendo a enorme montanha de gelo se desprendendo do continente e indo em dire\u00e7\u00e3o ao abismo? Sou eu, cora\u00e7\u00e3o de pedra \u00e0 deriva<\/p>\n<p>Est\u00e1 vendo o le\u00e3o marinho uivando sobre o iceberg enquanto o clima amea\u00e7a o dia? \u00c9 o sonho, que acreditou na viagem e agora pede socorro<\/p>\n<p>N\u00e3o me fale o que n\u00e3o digo. Silencio a dor para ver se desiste. N\u00e3o alimente o que n\u00e3o ligo. Abandone o choque, refa\u00e7a a pele ferida<\/p>\n<p>Tanta companhia e a solid\u00e3o mandando sinais da estrela guia. Somos um navio, amiga<\/p>\n<p>E o que diz tua paix\u00e3o, orqu\u00eddea? Roxa de ilus\u00e3o, pede \u00e1gua e olho bom, firme<\/p>\n<p>P\u00e9 ante p\u00e9, para n\u00e3o acordar os anjos, digo no teu ouvido um poema que inventei sem nenhum aux\u00edlio. Escute e molhe o nosso jardim, carinho<\/p>\n<p>Vou para o canto, onde uma sombra me conforta do perigo. Venha comigo, cora\u00e7\u00e3o de vidro, exposto como um raio de luz, infinito<\/p>\n<p>Trocamos palavras de calor antigo, que nos acompanham desde in\u00edcio, quando fomos brindados pelo encontro definitivo<\/p>\n<p>Pronto, pronto, disse ela. N\u00e3o se atire. Volto no pr\u00f3ximo trem, quando houver clima. Espero que seja passageiro este ex\u00edlio<\/p>\n<p>N\u00e3o me conformo com tanta beleza. Queria que fosses minha. Melhor assim, viver \u00e0 parte da felicidade para n\u00e3o sofrer de amor<\/p>\n<p>Suei para te agradar. Mas me d\u00e1 a impress\u00e3o que desististe. Meus excessos cansaram tua beleza<\/p>\n<p>Melhor ficar longe. Tanta poesia acaba gerando desconfian\u00e7a. Rolam nas estantes as p\u00e9rolas perdidas de amores ardentes<\/p>\n<p>Bela planta industrial, disse o visitante. Dep\u00f3sitos gigantescos de amianto. E aquele canto coberto por lona? Ah, s\u00e3o sonhos,disse o gerente<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Foste no breu aguardar minha volta. Acabaste dormindo. Foi quando o sol raiou sobre teu rosto e me viste te olhando. Eu havia chegado, espanto Voc\u00ea me faz feliz todos os dias, ela disse. Foi o momento do balan\u00e7o: o amor existe, e como Vamos ser pr\u00e1ticos. 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