{"id":3285,"date":"2012-01-15T16:41:38","date_gmt":"2012-01-15T18:41:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3285"},"modified":"2012-01-15T16:41:38","modified_gmt":"2012-01-15T18:41:38","slug":"mormaco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/mormaco","title":{"rendered":"MORMA\u00c7O"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 um morma\u00e7o, impregna a pele e n\u00e3o tem o que refresque. Na temperatura m\u00e1xima, como se fosse sempre tr\u00eas da tarde<\/p>\n<p>Sou menos do que sinto<\/p>\n<p>Ela tem um ponto de n\u00e3o resist\u00eancia, quando a poesia vence enfim o duelo da car\u00edcia versus a d\u00favida. Moro nesse lugar, de cora\u00e7\u00e3o na m\u00e3o<\/p>\n<p>C\u00e9u de dia claro no in\u00edcio da noite. V\u00e9sper soberana usa um cachecol rendado de nuvem branca. Fogos de artif\u00edcio celebram o momento dourado<\/p>\n<p>Para onde foi a felicidade que embalou meu sonho, lugar comum de uma linguagem? Fugiu com a liberdade para um Oriente de mem\u00f3rias?<\/p>\n<p>Poucas estrelas pontificam no fim do crep\u00fasculo. Passei a tarde distra\u00eddo com a dor, mas a fuga do sol pintou um clar\u00e3o que convida para o domingo de gl\u00f3ria<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 sup\u00e9rfluo quando n\u00e3o estamos prontos para algo inesperado. A surpresa nos derruba e ficamos contando at\u00e9 dez para se certificar da verdade<\/p>\n<p>Transbordo em ti. Sou tua \u00e1gua<\/p>\n<p>Digo o que me sopram. Sou canteiro que atrai o teu jardim<\/p>\n<p>Me contenho em teu jarro, de fundo infinito<\/p>\n<p>N\u00e3o me adivinhe. Nem eu sei onde fica o mist\u00e9rio<\/p>\n<p>Tenho o peso do poema que cultivei no tempo. Ele assoma no escuro como um meteoro<\/p>\n<p>Vivo \u00e0 sombra do que sinto. \u00c9 escasso o teto desse sonho. Mas \u00e9 onde as pombas encontram pouso quando descansam da longa viagem do desencontro<\/p>\n<p>Fiquei pequeno, esmagado pela impossibilidade da colheita. Cultivo em v\u00e3o meu campo de amoras<\/p>\n<p>Nada tenho, formosa. Apenas a chance de um dia estarmos no mesmo barco<\/p>\n<p>O lado escuro da Lua \u00e9 quando teu celular fica mudo<\/p>\n<p>Acordo abra\u00e7ado \u00e0 tua presen\u00e7a. N\u00e3o quero me derramar, intelig\u00eancia. Mas n\u00e3o posso deixar de provar o mel que verte da tua lembran\u00e7a<\/p>\n<p>Li pesado hoje. Estavas nas entrelinhas<\/p>\n<p>Sou livre quando voc\u00ea tem a chave dos meus minutos<\/p>\n<p>Escolha: esse pirralho que fui ou o sujeito legal que nunca serei<\/p>\n<p>Gostei de conhecer teus pais. Minha auto-estima estava muito alta mesmo<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o dorme? disse ela, enquanto tomava caf\u00e9.<\/p>\n<p>N\u00e3o me diga a verdade. Estou farto de saber que te amo<\/p>\n<p>N\u00e3o vou ao encontro marcado. A Lua nem deu sinal<\/p>\n<p>Agora que est\u00e1 chovendo,aproveita para fazer planos de ir \u00e0 praia. Provoca culpa de eu ter dormido quando o dia estava esplendoroso<\/p>\n<p>Acho exagero essa cobran\u00e7a. J\u00e1 fui pior e era melhor tratado<\/p>\n<p>Me arrependi de ter dito aquilo. Desculpa. Vou deletar, junto com os teus coment\u00e1rios<\/p>\n<p>\u00c9 tarde para DR. Deixe para amanh\u00e3, quando eu n\u00e3o tiver mais nenhum argumento<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Voc\u00ea \u00e9 um morma\u00e7o, impregna a pele e n\u00e3o tem o que refresque. Na temperatura m\u00e1xima, como se fosse sempre tr\u00eas da tarde Sou menos do que sinto Ela tem um ponto de n\u00e3o resist\u00eancia, quando a poesia vence enfim o duelo da car\u00edcia versus a d\u00favida. 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