{"id":3295,"date":"2012-01-15T16:49:19","date_gmt":"2012-01-15T18:49:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3295"},"modified":"2012-01-15T16:49:19","modified_gmt":"2012-01-15T18:49:19","slug":"uma-duzia-de-rosas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/uma-duzia-de-rosas","title":{"rendered":"UMA D\u00daZIA DE ROSAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Quando ficamos s\u00f3s, e isso \u00e9 todo o tempo, contamos apenas com o sentimento, que \u00e9 jogado para o alto pelo cora\u00e7\u00e3o. Onde cair, nasce uma d\u00fazia de rosas<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos perdidos. Temos um escaler no navio que vai a pique. Montamos nele e abrimos a vela a favor do vento. Aportamos no continente de nossa vontade<\/p>\n<p>Antes de dormir, levamos o pensamento para uma aventura. Vai daqui, mexe dali, acaba sempre num lance amoroso. N\u00e3o nos emendamos<\/p>\n<p>Brincadeira de filhotes n\u00e3o s\u00e3o treino para a vida adulta, isso \u00e9 inven\u00e7\u00e3o de narrador de document\u00e1rio. O amor tamb\u00e9m n\u00e3o serve para nada, a n\u00e3o ser para nos sentir vivos<\/p>\n<p>Cora\u00e7\u00f5es secos vivem em outra realidade. Nela n\u00e3o entramos, mas costumam nos pressionar. Parece que farejam quando estamos com os olhos l\u00edquidos de sonhar<\/p>\n<p>Os ponteiros apertam o tempo at\u00e9 sufoc\u00e1-lo. \u00c9 hora de ficar \u00e0 parte do mundo. Abrimos a janelona para o esp\u00edrito. Vem, sonhadora<\/p>\n<p>Todas as feridas cicatrizam, todos os amores d\u00e3o certo, todos os projetos se realizam quando, antes de dormir, sorrimos quase sem querer tocados pela m\u00e3o dos anjos e das fadas<\/p>\n<p>Sim, n\u00f3s produzimos os duendes com nossa imagina\u00e7\u00e3o. Por isso s\u00e3o reais. Tudo na ralidade foi sonhado antes<\/p>\n<p>N\u00e3o chega nunca a meia noite. Desse jeito a m\u00e1gica n\u00e3o funciona. Quero as doze badaladas e a correria atr\u00e1s do teu sapato de cristal<\/p>\n<p>Procurei pistas do teu paradeiro. Um peda\u00e7o de ab\u00f3bora, uma carruagem sem placa, uma fada no ponto de \u00f4nibus. Viste quem eu procuro? perguntei. Ela nem respondeu<\/p>\n<p>Acordei com vontade de te ver. Ligue o micro, disse o anjo debochado.<\/p>\n<p>Teus cabelos molhados nos ombros luminosos. Essa vis\u00e3o basta para ganhar o dia<\/p>\n<p>Hoje n\u00e3o vou lamentar tua aus\u00eancia. Consegui algo que te substitua: meu desespero mudo por n\u00e3o poder tocar teu rosto<\/p>\n<p>N\u00e3o ligue para a maledic\u00eancia alheia. Ela tem raz\u00e3o. Nada temos em comum e tudo \u00e9 invi\u00e1vel. Mas ningu\u00e9m tem nada a ver com a aventura desse agarro<\/p>\n<p>N\u00e3o conclua antes de ver por inteiro. Cada parte \u00e9 o lugar comum. O conjunto \u00e9 a transcend\u00eancia<\/p>\n<p>N\u00e3o vou entregar mais nada do que falamos, maravilhosa. Eu prefiro o segredo, mesmo que me vejam apenas como um qualquer<\/p>\n<p>Est\u00e3o vendo aquela estrela de dia? \u00c9 o amor que brilha onde n\u00e3o devia. Faz companhia para a Lua, transparente de t\u00e3o viva, banhada de sol, nua<\/p>\n<p>Precisa suspender a poesia. \u00c9 o intervalo do esp\u00edrito, me avisaram. Mas h\u00e1 seres min\u00fasculos com asas em meu del\u00edrio. N\u00e3o tira folga, essa camarilha<\/p>\n<p>Certo, vou me entregar \u00e0s evid\u00eancias. Onde est\u00e1 a agenda? Quero entregar o servi\u00e7o antes que o sol atinja o z\u00eanite. Ela me prometeu uma visita no apogeu do dia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Quando ficamos s\u00f3s, e isso \u00e9 todo o tempo, contamos apenas com o sentimento, que \u00e9 jogado para o alto pelo cora\u00e7\u00e3o. Onde cair, nasce uma d\u00fazia de rosas N\u00e3o estamos perdidos. Temos um escaler no navio que vai a pique. Montamos nele e abrimos a vela a favor do vento. 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