{"id":3299,"date":"2012-01-15T16:52:07","date_gmt":"2012-01-15T18:52:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3299"},"modified":"2012-01-15T16:52:07","modified_gmt":"2012-01-15T18:52:07","slug":"varanda","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/varanda","title":{"rendered":"VARANDA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Bateu a hora do espanto. Quando te imagino numa varanda, longe de mim, a ver a Lua em desperd\u00edcio, pois n\u00e3o h\u00e1 meu bra\u00e7o em teu ombro, maravilha<\/p>\n<p>Que o ver\u00e3o seja breve e voltes para este s\u00edtio, onde tudo est\u00e1 pronto para tua lida, quando me cobres com o mel que agora atiras fora em algum lugar deserto<\/p>\n<p>N\u00e3o te deixei ir, mas foste. N\u00e3o deixar\u00e1s de voltar, mas ficas. N\u00e3o deixarei de te amar, e abusas. N\u00e3o cansarei de esperar porque \u00e9s o dia em minha flor escura<\/p>\n<p>J\u00e1 est\u00e3o a postos, aguardando o canto que fa\u00e7o para ti, musa perdida. O sonho bebe o que verto em tua aus\u00eancia. N\u00e3o te emociono, mas fiz do meu cora\u00e7\u00e3o um moinho<\/p>\n<p>Sumiste, presen\u00e7a intensa. Agora o que fa\u00e7o com esse v\u00e1cuo que coloca as velas no ch\u00e3o como um traste. Imposs\u00edvel navegar sem tua b\u00fassola<\/p>\n<p>O crep\u00fasculo se enfiou por baixo da noite como um c\u00e3o ferido. E l\u00e1 ficou a contar as cores que colecionou quando nos via na pra\u00e7a principal do nosso corpo<\/p>\n<p>Estou vazio, del\u00edcia. N\u00e3o tenho mais comigo o mel que me presenteias. Sou espinhos com esperan\u00e7a de tocar a rosa<\/p>\n<p>Deveria ficar triste porque te ausentaste. Mas o amor segura as pontas de uma maneira estranha. Estou feliz porque sou teu. Mesmo que n\u00e3o me perten\u00e7as<\/p>\n<p>J\u00e1 fui pior, ficava apenas te olhando de longe. Depois me aproximei e consegui um lugar contigo. Agora te foste, mas n\u00e3o voltei ao que eu era. Adquiri consist\u00eancia, amor<\/p>\n<p>Meio atrapalhado, fui te levar um presente, mas estavas ocupada. Incr\u00edvel tua voca\u00e7\u00e3o de deusa e eu de funcion\u00e1rio de um sentimento que um dia vencer\u00e1<\/p>\n<p>N\u00e3o sinto tua falta quando vou de novo ao parque jogar nas latas. Derrubo todas, do jeito que gostas. Elas caem, como os dias que faltam para te rever<\/p>\n<p>O amor costura tudo. Recomp\u00f5e a armadura, a firula. O amor tudo costura, a sa\u00fade na loucura, a l\u00e1grima na do\u00e7ura, teu cora\u00e7\u00e3o no meu. O amor \u00e9 linha dura<\/p>\n<p>Obtive uma c\u00f3pia original de mim mesmo clicando em ti<\/p>\n<p>Passei o mouse sobre o rosto da bela e vi o futuro: o corpo verde virar um fruto maduro por obra de minhas m\u00e3os sobre sua pele<\/p>\n<p>Tinhas chegado, mas dormiste no banco do trem. Acordaste quando te sacudi de leve, vendo escapar do teu rosto o perfume que me matou de saudade esse tempo todo<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00f3 isso o amor? perguntou o deserto. \u00c9 tudo para quem escapa de ti, disse a fonte no o\u00e1sis<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 muito r\u00e1pida, disse o vento para a chuva. N\u00e3o consigo alcan\u00e7ar teus l\u00e1bios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Bateu a hora do espanto. Quando te imagino numa varanda, longe de mim, a ver a Lua em desperd\u00edcio, pois n\u00e3o h\u00e1 meu bra\u00e7o em teu ombro, maravilha Que o ver\u00e3o seja breve e voltes para este s\u00edtio, onde tudo est\u00e1 pronto para tua lida, quando me cobres com o mel que agora [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[306],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3299"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3299"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3299\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3300,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3299\/revisions\/3300"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}