{"id":3305,"date":"2012-01-15T16:57:17","date_gmt":"2012-01-15T18:57:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3305"},"modified":"2012-01-15T16:57:17","modified_gmt":"2012-01-15T18:57:17","slug":"desenho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/desenho","title":{"rendered":"DESENHO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Desenhe que eu acredito, me disse. O contorno do cora\u00e7\u00e3o, a seta cruzando o espa\u00e7o, o sangue do amor sem volta.<\/p>\n<p>Fique, me falou. Sentei no meio fio. A chuva tinha feito um rio na sarjeta. Veio boiando um barco de papel. Era um recado. Venha, dizia<\/p>\n<p>Sinto falta, mesmo que n\u00e3o saiba direito o que fazer na tua volta. Come\u00e7arei com rosas, quero chegar ao perfume<\/p>\n<p>Vejo pouco, pela dist\u00e2ncia. Enxergo muito, pelo que sinto. Isso te anima, pelo que dizes. N\u00e3o me agrade\u00e7a, mostre apenas teu passaporte carimbado com meu visto<\/p>\n<p>Quase foi-se o dia e nem lembrei que estavas longe. Levaste a luz contigo, mem\u00f3ria viva. O mundo recuperou o tom cinza do tempo em que n\u00e3o te conhecia<\/p>\n<p>Vou-me, insistiu. E virou o rosto para o lado, para n\u00e3o se ver chorando em meus olhos<\/p>\n<p>Volta, escrevi. Mas ela n\u00e3o estava lendo naquele ver\u00e3o<\/p>\n<p>Quando voltar o frio, bater\u00e1 na porta. Estar\u00e1 sem trinco. Poder\u00e1 ver ent\u00e3o o estrago. O retrato dela na parede, \u00fanica mob\u00edlia no vazio da casa<\/p>\n<p>O que d\u00f3i mais s\u00e3o essas reuni\u00f5es entre conhecidos, em que finges felicidade enquanto afogas teu olhar em minha dire\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Perdemos a sintonia. Quando nos encontramos, falamos ao mesmo tempo antes de s\u00fabito sil\u00eancio. At\u00e9 mais s\u00e3o as \u00fanicas palavras poss\u00edveis<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 tristeza ou alegria, mas palavras que se encaixam em tardes mornas, caminhos que se cruzam sem destino. H\u00e1 humanidade, esse enigma<\/p>\n<p>N\u00e3o me aconselhe, sou rastreador ind\u00edgena. Falo quase nada e n\u00e3o escuto pessoas vindas de outras trilhas. Fique atento ao puma<\/p>\n<p>Plantamos poesia num terreno al\u00e9m das montanhas. Numa plan\u00edcie de aves aflitas. Quando florescer, haver\u00e1 choro nos ninhos. E arriba\u00e7\u00e3o, aos bandos<\/p>\n<p>Se voc\u00ea se visse com meus olhos, nunca te sentirias triste, me dizes. Te enxergo inteira, minha alegria<\/p>\n<p>Existo aqui pela tua gra\u00e7a. Vejo o que sinto, mist\u00e9rio infinito<\/p>\n<p>Meus olhos b\u00f3iam em ti, lagoa de sonho, e se alimentam da tua luz. Nenhuma tristeza apaga essa chama<\/p>\n<p>T\u00e3o bonita que chega a doer. Nenhum analg\u00e9sico perto, felizmente<\/p>\n<p>Obra de arte: perfeita por ser humana<\/p>\n<p>Se eu exagerar, n\u00e3o estranhe. Uso uma s\u00f3 para palavra para abra\u00e7ar tantas. Amor<\/p>\n<p>Me aproximo de ti, no luau deste amor que custa a come\u00e7ar. Brilhas intensa, como se a Lua fosse V\u00eanus<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Desenhe que eu acredito, me disse. O contorno do cora\u00e7\u00e3o, a seta cruzando o espa\u00e7o, o sangue do amor sem volta. Fique, me falou. Sentei no meio fio. A chuva tinha feito um rio na sarjeta. Veio boiando um barco de papel. Era um recado. Venha, dizia Sinto falta, mesmo que n\u00e3o saiba [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[306],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3305"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3305"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3305\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3306,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3305\/revisions\/3306"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}