{"id":332,"date":"2009-12-10T12:50:45","date_gmt":"2009-12-10T14:50:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=332"},"modified":"2009-12-10T12:50:45","modified_gmt":"2009-12-10T14:50:45","slug":"testemunhas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/testemunhas","title":{"rendered":"TESTEMUNHAS"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>Longevidade \u00e9 compartilhar segredos. O maior deles \u00e9 testemunhar a eterna repeti\u00e7\u00e3o das coisas. A constata\u00e7\u00e3o corre o risco de ser confundida com a percep\u00e7\u00e3o cansada, que reitera o que est\u00e1 acostumada a ver. \u00c9 um perigo real, mas o segredo extrapola esse limite \u00f3bvio. Tudo se repete de maneira t\u00e3o corriqueira e insistente, que a op\u00e7\u00e3o do longevo \u00e9 calar-se sobre isso para n\u00e3o despertar suspeitas. V\u00e3o achar que \u00e9 caso de interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Basta folhear uma revista antiga ou ler um livro de mem\u00f3rias para sentir que a mesma coisa foi destaque no notici\u00e1rio da manh\u00e3. Bobagem, dir\u00e3o, e os computadores, as c\u00e2maras digitais, o anel gigantesco de Saturno? Tudo isso n\u00e3o existia anos atr\u00e1s. \u00c9 verdade. Mas o que se repete \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o das descobertas, o entusiasmo de que cruzamos a fronteira humana, que estamos palmilhando o futuro.<\/p>\n<p>Descida na Lua h\u00e1 40 anos n\u00e3o vale, est\u00e1 desmoralizada \u2013 \u00e9 \u00f3bvio que tudo foi obra de Stanley Kubrick, pois n\u00e3o? Mas vamos pegar exemplos mais prosaicos. A eletrola hi-fi, por exemplo. Quando carregaram a gigantesca caixa de som que tomou conta da nossa sala e colocaram o bolach\u00e3o explicativo sobre as maravilhas da alta fidelidade, jamais senti algo igual. A nitidez de sons independentes rebatia na minha caixa craniana como intensa revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 o bambol\u00ea. Quando surgiu, o fe\u00e9rico rebolar coletivo provava que est\u00e1vamos em plena revolu\u00e7\u00e3o do comportamento. N\u00e3o era mais preciso ir \u00e0 escola, assistir filmes, essas coisas obsoletas. Tudo se resumia a girar um aro de pl\u00e1stico ao som do rock and roll. Algo id\u00eantico \u00e0 entrega atual da meninada ao c\u00edrculo fechado de tralhas m\u00e1gicas, do Ipod ao celular fotogr\u00e1fico. O bambol\u00ea voltou \u00e0 moda, mas n\u00e3o \u00e9 essa a repeti\u00e7\u00e3o. O que se reitera \u00e9 o engajamento geral a uma nova mania, sempre sob o assombro de que estamos compartilhando um momento \u00fanico.<\/p>\n<p>Deus sabia que ir\u00edamos nos aborrecer com as rupturas sensacionais de paradigmas e aos poucos foi reduzindo a capacidade de viver, podando os conhecidos mil anos dos personagens b\u00edblicos para a m\u00e9dia dos 40 anos do s\u00e9culo 17. Mas aos poucos fomos espichando esse tempo de viver e acabamos caindo na monotonia do d\u00e9j\u00e0-vu. Viramos testemunhas glaciais do fogo f\u00e1tuo de uma ilus\u00e3o recorrente: a de que cada gera\u00e7\u00e3o tem o privil\u00e9gio de existir na era culminante da vida na terra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Longevidade \u00e9 compartilhar segredos. O maior deles \u00e9 testemunhar a eterna repeti\u00e7\u00e3o das coisas. 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