{"id":334,"date":"2009-12-10T12:51:28","date_gmt":"2009-12-10T14:51:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=334"},"modified":"2009-12-10T12:51:28","modified_gmt":"2009-12-10T14:51:28","slug":"frases-longas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/frases-longas","title":{"rendered":"FRASES LONGAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s <\/strong><\/p>\n<p>A frase longa servia para expressar pensamentos completos, complexos. Para isso eram usados todos os recursos, especialmente os apostos, aquele tipo de ora\u00e7\u00e3o complementar que ajuda a refletir a intensidade do autor. Mas como a frase longa assumiu prest\u00edgio num tempo em que n\u00e3o havia tanto ru\u00eddo, e as pessoas se dedicavam a escutar ou ler o que os outros diziam ou escreviam, imediatamente os oportunistas adotaram o estilo, para preju\u00edzo geral.<\/p>\n<p>Os textos adquiriram ostenta\u00e7\u00e3o, em que os ornamentos escondiam objetivos escusos, sob a pretensa preocupa\u00e7\u00e3o com a integridade das mensagens. O excesso contribuiu para a imposi\u00e7\u00e3o de uma cultura artificial que contaminou a literatura e sufocou a cidadania. Quando vemos as catilin\u00e1rias dos pol\u00edticos, as justificativas extenuantes dos advogados ou as arengas do Executivo, sabemos que o pesadelo da linguagem assumiu o poder.<\/p>\n<p>Para compensar o desvio de conduta, os escritores dedicaram mais espa\u00e7o para a frase curta, que servia de contraponto nos textos cl\u00e1ssicos, mas que, com as vanguardas, atingiu status de grande arte e beneficiou outras atividades, como o jornalismo, evoluindo para a contund\u00eancia expressa em poucos caracteres, como vemos hoje nos microblogs. Ao mesmo tempo, a escassez das palavras, no lugar de representar a profundidade do pensamento sem os arabescos e firulas, acabou produzindo um rastro de ru\u00ednas. Vemos diariamente, em todas as rodas, a redu\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica em fun\u00e7\u00e3o da repeti\u00e7\u00e3o de jarg\u00f5es, tidos como p\u00edlulas fundamentais de sabedoria.<\/p>\n<p>Ficou abandonado o of\u00edcio \u00e1rduo capaz de reunir, num \u00fanico conjunto de revela\u00e7\u00f5es, todo o espectro de uma situa\u00e7\u00e3o real, reproduzida de maneira compensat\u00f3ria para interlocutores atentos e exigentes. Diminuiu o n\u00edvel da compreens\u00e3o, com o efeito colateral de ter sido jogado no ralo um acervo razo\u00e1vel de conhecimento. Ficamos com a reprodu\u00e7\u00e3o infinita de sons recorrentes, restos de s\u00edlabas e palavras, em que se invoca o dom da telepatia para entender o que no fundo n\u00e3o guarda nada dentro de si.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso resgatar a frase longa, no que ela de tem de grandeza e lucidez. Isso vai tamb\u00e9m recolocar no devido lugar a efici\u00eancia das frases curtas, quando perdem o excesso de import\u00e2ncia insuflado pelo h\u00e1bito, a soberba ou a pregui\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ficou abandonado o of\u00edcio \u00e1rduo capaz de reunir, num \u00fanico conjunto de revela\u00e7\u00f5es, todo o espectro de uma situa\u00e7\u00e3o real, reproduzida de maneira compensat\u00f3ria para interlocutores atentos e exigentes. Diminuiu o n\u00edvel da compreens\u00e3o, com o efeito colateral de ter sido jogado no ralo um acervo razo\u00e1vel de conhecimento. Ficamos com a reprodu\u00e7\u00e3o infinita de sons recorrentes, restos de s\u00edlabas e palavras, em que se invoca o dom da telepatia para entender o que no fundo n\u00e3o guarda nada dentro de si.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=334"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":335,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334\/revisions\/335"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}