{"id":3367,"date":"2012-02-05T21:14:44","date_gmt":"2012-02-05T23:14:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3367"},"modified":"2012-02-05T21:14:44","modified_gmt":"2012-02-05T23:14:44","slug":"the-iron-lady-a-dama-de-lata","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/the-iron-lady-a-dama-de-lata","title":{"rendered":"THE IRON LADY: A DAMA DE LATA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Algumas conclus\u00f5es podem ser tiradas do filme de Phyllida Lloyd , A Dama de Ferro (2011), escrito por ela e a premiada dramaturga Abi Morgan, com a Monstra, Meryl Streep, no papel de Margaret Thatcher, coadjuvada pelo excelente veterano Jim Broadbent no papel do marido bob\u00e3o . Primeira conclus\u00e3o \u00e9 que os homens s\u00e3o fracos e deixam para as mulheres tomar as decis\u00f5es mais dif\u00edceis. Segundo, que mais vale o g\u00eanero do que a ideologia. Terceiro, que a Primeira Ministra brit\u00e2nica por 11 anos tinha uma vida amorosa e sexual. Quarto, que o conservadorismo \u00e9 a aus\u00eancia da d\u00favida. E quinto que privatizar tudo, sucatear os empregos e destruir os sindicatos fez bem para o mundo. \u00c0 parte esses desacertos, \u00e9 um bom filme, competente nos cruzamentos entre o resgate via fic\u00e7\u00e3o e as cenas de document\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c9 sobre a mulher famosa por ser como o Homem de Lata do M\u00e1gico de Oz, que n\u00e3o tinha um cora\u00e7\u00e3o. Considerada de ferro pelos sovi\u00e9ticos, o metal que o identifica na pol\u00edtica sugere sacanamente uma virgindade de nascen\u00e7a e eterna. \u00c9 contra essa id\u00e9ia que o filme se insurge. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, Tatcher era mulher ! Isso a Monstra deixa bem claro com seus vestidos vermelhos,seus sapatinhos mimosos, seus trejeitos soberanos com os seios diante dos ministros apalermados, sua vida conjugal na viuvez e na Terceira idade, quando enfim encontrou o marido, j\u00e1 morto, em esp\u00edrito, no dia a dia, coisa que jamais fez quando estava na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Tatcher decretou o fim da Guerra Fria assim como os ditadores aqui no Brasil decretaram o fim da ditadura. Ela simplesmente lutou para manter a hegemonia dos pa\u00edses ricos. Para isso sucateou a economia desregulamento-a, abrindo portanto a guarda para a crise intermin\u00e1vel em que se encontra hoje o mundo. Desnacionaliza\u00e7\u00e3o da moeda e da ind\u00fastria, enfraquecimento da representa\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, pol\u00edtica externa imperialista e agressiva, indiferen\u00e7a social s\u00e3o apresentados no filme como obra de uma mulher de coragem que mudou o mundo. Trata-se de uma hagiografia, mas muito bem feita. Somos tentados a concordar com o filme at\u00e9 que ele, de repente, termina.<\/p>\n<p>Voltamos ent\u00e3o \u00e0 luz. Tatcher encarnou uma necessidade brit\u00e2nica de manter-se \u00e0 tona num mundo em transforma\u00e7\u00e3o. O Imp\u00e9rio brit\u00e2nico \u00e9 um sobrevivente e age como tal. N\u00e3o mudou de rumo para beneficiar a mudan\u00e7a, antes radicalizou os processos em favor de uma hegemonia perdida, mantendo o topete do le\u00e3o que pode ser comparado aos penteados da sua Primeira Ministra. A Dama de Lata encontra seu cora\u00e7\u00e3o no fim da vida, segundo o filme, ao repartir seus momentos com um fantasma, mas \u00e9 desmascarada por ele na hora da despedida. Ela implora para que fique, depois de jogar todos os seus pertences fora. Voc\u00ea sempre esteve por sua conta, diz ele, e desaparece.<\/p>\n<p>Tatcher n\u00e3o precisava da fam\u00edlia (escorra\u00e7a a filha que est\u00e1 perto, apesar de lamentar a aus\u00eancia do filho distante) , mas de si mesma. Est\u00e1 s\u00f3, como na cena em que fica isolada na sala vazia depois de humilhar seus ministros. Meryl treme, em favor da biografada. Mas sabemos que por tr\u00e1s de uma grande mulher est\u00e1 a mesma mulher. A que vimos em a\u00e7\u00e3o, defendendo o imp\u00e9rio, matando argentinos e tirando do estado in\u00fameras responsabilidades sociais. Foi imitada por pa\u00edses trouxas como o nosso, porque privatizar virou um grande neg\u00f3cio. Pior para n\u00f3s, pior para o mundo.<\/p>\n<p>O que sobra do filme \u00e9 a Meryl Streep, sempre perfeita. Ningu\u00e9m pode com a maior atriz da atualidade. Ela sim, \u00e9 imortal, n\u00e3o sua homenageada, que vai virar p\u00f3 na esteira da Hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Algumas conclus\u00f5es podem ser tiradas do filme de Phyllida Lloyd , A Dama de Ferro (2011), escrito por ela e a premiada dramaturga Abi Morgan, com a Monstra, Meryl Streep, no papel de Margaret Thatcher, coadjuvada pelo excelente veterano Jim Broadbent no papel do marido bob\u00e3o . 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