{"id":3381,"date":"2012-02-05T21:22:54","date_gmt":"2012-02-05T23:22:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3381"},"modified":"2012-02-05T21:22:54","modified_gmt":"2012-02-05T23:22:54","slug":"idos-de-marco-de-clooney-discurso-e-poder-nao-bastidor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/idos-de-marco-de-clooney-discurso-e-poder-nao-bastidor","title":{"rendered":"IDOS DE MAR\u00c7O, DE CLOONEY: DISCURSO \u00c9 PODER, N\u00c3O BASTIDOR"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>\u201cInvada o Oriente M\u00e9dio, mas n\u00e3o coma a estagi\u00e1ria\u201d \u00e9 a lei eleitoral americana imposta por quem manda, o marketing pol\u00edtico. N\u00e3o se trata de bastidores, \u00e9 o pr\u00f3prio poder, se entendermos o poder como linguagem. O discurso que manobra a na\u00e7\u00e3o \u00e9 formatado pelos idealizadores da campanha. Esta, \u00e9 a origem, a fonte e a f\u00f3rmula do texto que manipula o voto, que \u00e9 o que menos conta. Esses princ\u00edpios est\u00e3o em \u201cIdos de Mar\u00e7o\u201d (no Brasil, Tudo pelo poder) , do diretor George Clooney, tamb\u00e9m co-roteirista junto com o autor da pe\u00e7a em que se baseia o filme, Beau Willimon, al\u00e9m de um dos principais int\u00e9rpretes.<\/p>\n<p>O assassinato de Julio Cesar em 44 a.C por um grupo de conspiradores, em que a surpresa foi a participa\u00e7\u00e3o do filho Brutus, \u00e9 o mote da trama, que inclui uma trai\u00e7\u00e3o pesada numa campanha que se quer moralista e renovadora. A surpresa do poderoso diante do crime que envolveu seu protegido tem a ver com o impacto do pragmatismo escroto da pol\u00edtica americana no cora\u00e7\u00e3o dos ideais da na\u00e7\u00e3o. Clooney n\u00e3o brinca em servi\u00e7o,coloca a m\u00e3o na ferida democrata, humilhando o pr\u00f3prio partido que nada aprende com os republicanos, estes sim ex\u00edmios artistas do jogo bruto pelo poder. O que importa \u00e9 chegar no cargo, e n\u00e3o o que \u00e9 dito e feito para isso.<\/p>\n<p>O filme mostra a corrup\u00e7\u00e3o s\u00fabita de pessoa chave da campanha, o jovem bem sucedido interpretado pelo canadense Ryan Gosling, que se envolve com a bel\u00edssima Evan Rachel Wood, a estagi\u00e1ria, filha de pol\u00edtico influente, gr\u00e1vida do governador. A gravidez fora do casamento \u00e9 a vilania do discurso pol\u00edtico. O aborto \u00e9 a ruptura, que causa estrago se deixar pistas. Como deixa, abre a guarda para a chantagem, que \u00e9 no fundo a grande vitoriosa da campanha. Por meio da chantagem, \u00e9 demitido o chefe do marketing, interpretado magistralmente, como sempre, por Philip Seymour Hoffman.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o elenco sobra. H\u00e1 ainda Marisa Tomei como a rep\u00f3rter que tudo pergunta e portanto acaba descobrindo, e o assessor do candidato advers\u00e1rio, o excelente Paul Giamatti, que consegue estragar a vida do seu principal concorrente por meio do convencimento, da sedu\u00e7\u00e3o e da fraude. Tudo passa pelo discurso. O marketing treina as palavras em cen\u00e1rios previamente acertados e as coloca na boca do candidato. Este, tenta manter a coer\u00eancia do discurso, que acaba se deslocando da \u00e9tica. Os aliados intensificam a corrup\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 que o sonho de uma pol\u00edtica \u00e9tica tenha acabado, ele nunca existiu.<\/p>\n<p>Estaria Clooney dando um recado ao seu partido, tradicional perdedor de elei\u00e7\u00e3o presidencial por falta da necess\u00e1ria crueldade e isen\u00e7\u00e3o \u00e9tica? Seria uma den\u00fancia ou uma celebra\u00e7\u00e3o? Clooney lava as m\u00e3os, com seu cinismo exuberante de grande ator, que abra\u00e7a pap\u00e9is formatados para mostrar sua maestria minimalista e contundente. Trata-se tamb\u00e9m de um grande diretor, como nos provou em filmes como Boa Noite e Boa Sorte, que \u00e9 tamb\u00e9m sobre linguagem, a m\u00eddia.<\/p>\n<p>O cinema \u00e9 o texto escrito pelos roteiristas, cineastas e atores. \u00c9 uma arte totalmente voltada para si mesma. Todo filme mostra o que o cinema \u00e9 ou faz. Neste, exibe as v\u00edsceras de sua mais radical performance, que \u00e9 o de escrever a Hist\u00f3ria por meio da mentira bem posta e objetiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s \u201cInvada o Oriente M\u00e9dio, mas n\u00e3o coma a estagi\u00e1ria\u201d \u00e9 a lei eleitoral americana imposta por quem manda, o marketing pol\u00edtico. N\u00e3o se trata de bastidores, \u00e9 o pr\u00f3prio poder, se entendermos o poder como linguagem. 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