{"id":3427,"date":"2012-02-05T22:36:34","date_gmt":"2012-02-06T00:36:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3427"},"modified":"2012-02-05T22:36:34","modified_gmt":"2012-02-06T00:36:34","slug":"busca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/busca","title":{"rendered":"BUSCA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>O sonho que voc\u00ea busca existe no momento em que voc\u00ea sonha.<\/p>\n<p>Desistir \u00e9 humano. Quem insiste demais \u00e9 consultoria de auto-ajuda.<\/p>\n<p>Imaginei a maior algazarra dos camaradas quando cheguei no Outro Lado. Voc\u00eas est\u00e3o vivos! gritei. N\u00e3o, mortos, disse um deles.E ca\u00edram na gargalhada.<\/p>\n<p>N\u00e3o seja fria. A Era do Gelo dura tempo demais. Instaure a hegemonia do sol e do calor. Inspire-se no ver\u00e3o e suas frutas.<\/p>\n<p>Ela sugeriu que eu marcasse encontro comigo mesmo, j\u00e1 que sou t\u00e3o interessante. Descubro sua voca\u00e7\u00e3o para a ironia. \u00c9s completa, bandida.<\/p>\n<p>Essas frases de adeus s\u00e3o como estampido ouvido depois do disparo feito a dist\u00e2ncia. Quando cai a ficha, ribomba na mente vazia e o cora\u00e7\u00e3o sente o impacto<\/p>\n<p>Refeito do susto, me recolho ao que me resta, o gosto de saber que ainda posso amar, seja voc\u00ea quem for, magn\u00edfica<\/p>\n<p>Escreva devagar para que as palavras demorem. Leia uma vez cada esta\u00e7\u00e3o para que as palavras sejam como as flores. Escute o som da palavra dita num sussurro para que durmas com as fadas.<\/p>\n<p>Cheguei sem aviso como se estivesse partindo. Desci as malas que acabei de despachar. Entrei na sua vida fingindo que me despedia. Assim te peguei de surpresa, lisinha.<\/p>\n<p>Perdemos tempo nos medindo. \u00c9s muito menor do que um c\u00e1lice de vinho. Sou muito maior do que uma despedida. Dever\u00edamos ter posto a mesa explodindo a espuma<\/p>\n<p>Ela reflete o que digo para que eu n\u00e3o descubra o que tem dentro da sua palavra. Talvez seja eu o que nem pode ser visto<\/p>\n<p>Um dia me curva o corpo. Os amigos apontam rugas. O tempo abre ruas vagarosamente na cara coberta de poeira e amor<\/p>\n<p>Onde estava? perguntei depois que me distra\u00ed. Dizias que me levarias para longe, disse ela. Ah, voltei<\/p>\n<p>Vamos fazer o invent\u00e1rio, disse ela. Metade \u00e9 meu, portanto \u00e9 para ti. E metade \u00e9 teu, portanto pode ficar.<\/p>\n<p>Guardei poemas embaixo das pedras. Quando passou a guerra, tentei retir\u00e1-los de l\u00e1. Mas tinham sumido. Os soldados, repletos de amor, levaram para suas casas distantes.<\/p>\n<p>Voltei porque n\u00e3o tinha ocupa\u00e7\u00e3o para meu of\u00edcio. E nem me deixaram montar a oficina. \u00c9 proibido, por l\u00e1, seduzir as nuvens com letras de chuva.<\/p>\n<p>Neste emprego precisa viajar, me disseram. H\u00e1 lugares estranhos, mas o pagamento vale a pena. Se algu\u00e9m te atacar, diga que vieste do outro mundo. Eles acreditam em fantasmas. E guardam as facas toda vez que assoma um esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Voc\u00ea escreve bonito, disse a bela. Deus tamb\u00e9m, falei.<\/p>\n<p>Gosto dos seus escritos, disse a sumida. Vou come\u00e7ar a escond\u00ea-los, disse, vingativo.<\/p>\n<p>Onde encontras inspira\u00e7\u00e3o? perguntou a curiosa. No ar, respondi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s O sonho que voc\u00ea busca existe no momento em que voc\u00ea sonha. Desistir \u00e9 humano. Quem insiste demais \u00e9 consultoria de auto-ajuda. Imaginei a maior algazarra dos camaradas quando cheguei no Outro Lado. Voc\u00eas est\u00e3o vivos! gritei. N\u00e3o, mortos, disse um deles.E ca\u00edram na gargalhada. N\u00e3o seja fria. 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