{"id":3436,"date":"2012-02-11T16:42:32","date_gmt":"2012-02-11T18:42:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3436"},"modified":"2012-02-11T16:42:32","modified_gmt":"2012-02-11T18:42:32","slug":"folha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/folha","title":{"rendered":"FOLHA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>A noite cai, in\u00fatil, sobre o poema, folha amassada no ventre do ver\u00e3o exausto.<\/p>\n<p>N\u00e3o sinta vergonha. Sumiremos no ar em pouco tempo. Ficar\u00e1 apenas esse gesto de amor, como nuvem suspensa no eterno<\/p>\n<p>Sou teu alvo, Cupido. Onde guardas as setas para algu\u00e9m que compartilho?<\/p>\n<p>Virou o tempo e o calor acabou em vento. Fim da tarde neste fevereiro t\u00e3o grudento. Nuvens intensas prometem n\u00e3o ter Lua novamente. S\u00f3 dentro de n\u00f3s o amor tempera o clima mais ameno.<\/p>\n<p>Vem que tarda cora\u00e7\u00e3o de manteiga. Te prometo tesouros, at\u00e9 os falsos, do meu sentimento, j\u00e1 que deixas escorrer os dias sem teu beijo. Fa\u00e7o qualquer coisa para ter teu abra\u00e7o espl\u00eandido.<\/p>\n<p>N\u00e3o tem mist\u00e9rio a palavra de amor posta no bolso. \u00c9 como moeda antiga sem serventia. Todos conhecem mas ela nada compra. \u00c9 uma esp\u00e9cie de sinal coletivo de chamegos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou brilhante, sou tua bijouteria.<\/p>\n<p>J\u00e1 perdi, agora aguardo com meu sentimento. \u00c9 uma pomba que me ensina o v\u00f4o quando se lan\u00e7a sobre a noite incalcul\u00e1vel de estrelas.<\/p>\n<p>Sopro teu rosto para ver se piscas. Est\u00e1s no meu colo, indiferente, seri\u00edssima. Como \u00faltimo recurso, em v\u00e3o, choro, matriarca de del\u00edcias.<\/p>\n<p>Sumiste de vez. Fiquei a ver navios em plena seca. O mar foi tragado pela saudade. N\u00e3o voltar\u00e1 a ventura de ser teu.<\/p>\n<p>Estou aqui, disse ela, em outro planeta.<\/p>\n<p>E sabe ent\u00e3o o que ela falou? Nada.<\/p>\n<p>Por que sonhamos? Para projetar a vida que n\u00e3o dever\u00edamos perder.<\/p>\n<p>N\u00e3o fugir\u00e1s do que amo. N\u00e3o que estejas presa, mas porque assim combinamos, sem sequer saber onde estivemos.<\/p>\n<p>T\u00e3o bonita, de t\u00e3o poucas palavras. Elas me bastam e me ensinam pelo corte enxuto e o passo tr\u00eamulo na cal\u00e7ada forrada de flor.<\/p>\n<p>Voc\u00ea passou por mim e tive coragem de dizer. Se n\u00e3o deu certo, n\u00e3o foi culpa do poema, mas do destino, esse pregador de pe\u00e7as.<\/p>\n<p>Agora repousa e sonha. Sou o confisco do teu corpo em movimento de \u00e1guas. Mergulhe no que parece n\u00e3o existir, mas \u00e9 s\u00f3 o que temos.<\/p>\n<p>Boa noite, cora\u00e7\u00e3o ao vento. P\u00e1ssaro \u00e9 o verso, que te alcan\u00e7a.<\/p>\n<p>Moro no poema, ex\u00edlio de esperan\u00e7a. Ame.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s A noite cai, in\u00fatil, sobre o poema, folha amassada no ventre do ver\u00e3o exausto. N\u00e3o sinta vergonha. Sumiremos no ar em pouco tempo. Ficar\u00e1 apenas esse gesto de amor, como nuvem suspensa no eterno Sou teu alvo, Cupido. Onde guardas as setas para algu\u00e9m que compartilho? Virou o tempo e o calor acabou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[306],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3436"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3436"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3436\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3437,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3436\/revisions\/3437"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}