{"id":3447,"date":"2012-02-11T16:49:40","date_gmt":"2012-02-11T18:49:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3447"},"modified":"2012-02-11T16:49:40","modified_gmt":"2012-02-11T18:49:40","slug":"abrigo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/abrigo","title":{"rendered":"ABRIGO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Vou moderar na linguagem. Falar s\u00f3 no teu ouvido.<\/p>\n<p>Poesia completa \u00e9 quando at\u00e9 o mar recita.<\/p>\n<p>Esqueci meu verso mas o recolheste no abrigo. Ele veio no teu colo me olhando meio sentido.<\/p>\n<p>\u00c9 segredo o que digo. Mas os passarinhos escutam e levam o poema no bico<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m me ensinou, s\u00f3 ela. Quando joguei o barco na corrente da chuva, l\u00e1 estava a poesia, de vestido curto e p\u00e9s descal\u00e7os.<\/p>\n<p>Nunca a procuro, ela me acha. Por mais que eu tente a palavra me segura e joga para o alto.<\/p>\n<p>N\u00e3o ganhamos pr\u00eamios, n\u00f3s e a poesia. Jamais incentivam v\u00edcios. Preferem suas virtudes, cheias de firulas.<\/p>\n<p>Eram t\u00e3o mesquinhos. Abandonaram o poema ao seu destino. Encontrei-o na cal\u00e7ada, juntando bitucas. Vendia para os mendigos.<\/p>\n<p>JOGO<\/p>\n<p>Rodeiam nosso abra\u00e7o como moscas. Mas aprendemos alguns truques. Fazemos marola quando \u00e9 onda, redemoinho quando h\u00e1 vento e escapamos pelos becos como nos filmes de suspense.<\/p>\n<p>Tua liberdade me escolhe. Ningu\u00e9m tasca.<\/p>\n<p>Queres uma lista do que me interessa. Moito, para te deixar invocada. Gosto que insistas, auto-centrada.<\/p>\n<p>Pior \u00e9 quando silencias e voltas de surpresa. Somes imediatamente se n\u00e3o estou desperto<\/p>\n<p>Me contrarias, implicante, desconfiando de tudo, querendo explica\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tenho e n\u00e3o h\u00e1 maior carinho.<\/p>\n<p>N\u00e3o notei que tinhas ido. S\u00f3 quando o eco me respondeu vi que o amor estava mudo.<\/p>\n<p>Fico feliz quando me xingas com teu jeito doce, posto que assumes s\u00f3 para me agradar, domadora de urso.<\/p>\n<p>Esse jogo de empurra \u00e9 puro divertimento. Nosso amor nasceu antes do primeiro encontro. \u00c9 uma esp\u00e9cie de voca\u00e7\u00e3o que deixa as pessoas de cara<\/p>\n<p>Os dias tem sido intermin\u00e1veis. O ver\u00e3o se demora em torrar cal\u00e7adas. Derreto na hora da caminhada. S\u00f3 a noite traz esperan\u00e7a de um milagre.<\/p>\n<p>\u00c9 abomin\u00e1vel que n\u00e3o tenhas respondido. Deixei um recado bomba e duvido que n\u00e3o exista para ti, falsidade.<\/p>\n<p>Chegaste tarde, meio com fome, mas desabaste. De manh\u00e3 recolhi os cacos. Antes de sair, preparei teu banho e pus uma flor no vaso.<\/p>\n<p>Voc\u00ea quer de derrubar? ela perguntou, surpresa. N\u00e3o, respondi, e empurrei-a at\u00e9 o veludo da sua beleza.<\/p>\n<p>Ligue quando chegar da praia. Esnobe o poema que deixei na sua cama. Eu nem me importo.<\/p>\n<p>N\u00e3o implore. N\u00e3o vale a pena. Mantenha a serenidade que s\u00f3 faltam mil horas para ela voltar das f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Meu olho cansado pede um tempo, falei. Deixe sua voz que eu continuo enxergando, disse ela.<\/p>\n<p>Promete que volta? ela perguntou quando fui atender o telefone na sala.<\/p>\n<p>Vou levar minhas palavras embora, eu disse antes de partir. Nem pense nisso! gritou. Suma daqui e me deixe os poemas<\/p>\n<p>LUA<\/p>\n<p>A Lua me viu atr\u00e1s da neblina, quando olhou para baixo. Tentei me esconder, mas at\u00e9 a sombra ela adivinha.<\/p>\n<p>Pus tudo na mochila. Peguei carona. A Lua aproveitou e deu uma uma canja. Brilhou todas as noites at\u00e9 chegarmos ao miolo do soberbo deserto.<\/p>\n<p>A lua branca transparente praticamente cheia parece jogada para o alto e se confunde com as nuvens na vis\u00e3o s\u00fabita do fim do dia.<\/p>\n<p>CENA<\/p>\n<p>Ela est\u00e1 lendo uma pe\u00e7a de teatro americana embaixo de uma castanheira em praia isolada. Foi de moto. Desligou o celular. Espi\u00f5es elementais leem por cima do seu ombro. Sinto daqui alguns ru\u00eddos telegr\u00e1ficos da cena. Eu me vingo: fa\u00e7o download de um filme com Greta Garbo e n\u00e3o mando mensagem nenhuma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Vou moderar na linguagem. Falar s\u00f3 no teu ouvido. Poesia completa \u00e9 quando at\u00e9 o mar recita. Esqueci meu verso mas o recolheste no abrigo. Ele veio no teu colo me olhando meio sentido. \u00c9 segredo o que digo. Mas os passarinhos escutam e levam o poema no bico Ningu\u00e9m me ensinou, s\u00f3 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[306],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3447"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3447"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3447\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3448,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3447\/revisions\/3448"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}