{"id":3462,"date":"2012-02-17T23:23:52","date_gmt":"2012-02-18T01:23:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3462"},"modified":"2012-02-17T23:23:52","modified_gmt":"2012-02-18T01:23:52","slug":"loud-close-a-morte-inacessivel-e-a-costura-da-america","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/loud-close-a-morte-inacessivel-e-a-costura-da-america","title":{"rendered":"LOUD &#038; CLOSE: A MORTE INACESS\u00cdVEL E A COSTURA DA AM\u00c9RICA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Se \u201cloud\u201d significa alto, por que foi traduzido para \u201cforte\u201d no t\u00edtulo do filme <strong>Extremely Loud &amp; Incredibly Close<\/strong> ? O filme \u00e9 de 2011, dirigido por Stephen Daldry, que nos deu grandes obras, como O Leitor e As Horas. Alto ao extremo e perto (ou fechado) al\u00e9m da conta \u00e9 o lugar onde se encontra Tom Hanks, no topo das Torres G\u00eameas no 11 de setembro de 2001. De l\u00e1 ele despenca, depois de tentar entrar em contato com a fam\u00edlia pelo celular. Nesses minutos terminais, gravados pelo seu filho (o garoto Thomas Horn, que surta com a perda do pai), ele significa o desafio de uma cultura que se prop\u00f5e hegem\u00f4nica e, portanto, n\u00e3o admite a morte.<\/p>\n<p>O pai que cai da torre encaminhou uma charada para o filho que o busca por meio desse labirinto por n\u00e3o ter um corpo para se despedir. O garoto procura encaixar uma chave encontrada no arm\u00e1rio em lugares identificados por propriet\u00e1rios com um determinado sobrenome. \u00c9 um modo de tentar reverter o que era t\u00e3o pr\u00f3ximo e de repente ficou t\u00e3o inacess\u00edvel. Dessa dor (a busca obsessiva em dire\u00e7\u00e3o ao funeral adiado) \u00e9 feito o filme, que tem como \u00e2ncora a presen\u00e7a de dois magn\u00edficos artistas: Sandra Bullock, a que reprime o choro convulso que no fim a derruba, e Max Von Sydow, o av\u00f4 distante e mudo que se comunica por bilhetes escritos a m\u00e3o. H\u00e1 ainda John Goodman, o porteiro que tudo entrega, e Viola Davis, a que salva o casamento ajudando o menino.<\/p>\n<p>O cinema americano produziu in\u00fameros filmes sobre o esp\u00edrito que volta do julgamento celestial para uma nova chance. O c\u00e9u erra, a Am\u00e9rica jamais. O soldado que some no front e volta anos mais tarde transtornado \u00e9 outra encarna\u00e7\u00e3o desse mito que dribla a morte. Nos faroestes, os bons rapazes jamais morriam, isso era fun\u00e7\u00e3o dos malfeitores. Sendo bom e justo voc\u00ea acaba sempre voltando para casa, lugar da eternidade. O p\u00e2nico do garoto que perdeu o pai \u00e9 seguir seu destino, o de desaparecer. Seus medos s\u00e3o trabalhados pelo av\u00f4, que o estimula a enfrent\u00e1-los. E seus passos s\u00e3o amparados pela m\u00e3e, que tudo prov\u00ea, o matriarcado que assiste seus filhos principalmente na trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>A morte do pai no fundo n\u00e3o importa, o que vale \u00e9 sua li\u00e7\u00e3o ser seguida pelo filho, o que \u00e9 garantia de sobreviv\u00eancia da identidade da na\u00e7\u00e3o. O pai convida o garoto a ir o mais alto poss\u00edvel no balan\u00e7o e de l\u00e1 atirar-se no abismo. O menino acha perigoso e n\u00e3o vai. Mas descobre, na sua dor, que precisa fazer exatamente isso, desencavar o sentido do recado paterno para tamb\u00e9m ousar subir, por mais amea\u00e7ador que isso seja. N\u00e3o podemos desistir de atingir o topo, diz o filme, j\u00e1 que fomos para l\u00e1 e de l\u00e1 n\u00e3o despencaremos jamais. Permanecer acima \u00e9 o que conta.<\/p>\n<p>\u00c9 uma narrativa end\u00f3gena, escrita por Eric Roth baseado no livro de Jonathan Safran Foer. N\u00e3o aparecem terroristas, s\u00f3 a diversidade humana da Am\u00e9rica, que inclui a todos, de qualquer ra\u00e7a, cor, g\u00eanero, situa\u00e7\u00e3o social. A democracia atingida mortalmente pelo terror tenta lamber as feridas e aposta as fichas na nova gera\u00e7\u00e3o, o futuro. N\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel manter a hegemonia sem que o menino decifre a charada e na busca se relacione com todas as comunidades dispersas americanas. Ficaram todos traumatizados com o impacto do atentado, mas \u00e9 preciso costur\u00e1-los, perguntar pela fechadura onde cabe a chave misteriosa. Esta, pertence a um homem que tamb\u00e9m perdeu o pai, tirano, indiferente, que lhe deixou uma heran\u00e7a. Por mais dura que seja a rela\u00e7\u00e3o pai e filho \u00e9 ela que mant\u00e9m viva a linhagem da na\u00e7\u00e3o atingida por um raio.<\/p>\n<p>Mantenha, Am\u00e9rica, o esp\u00edrito unido e permane\u00e7a no alto. Para isso, voe como seus pais e pelas m\u00e3os da nova gera\u00e7\u00e3o resgate todos seus contempor\u00e2neos em fuga. A mortandade de 11\/9 n\u00e3o faz sentido, o que faz \u00e9 recompor a vida por meio da supera\u00e7\u00e3o das feridas. Um filme tocante, com grandes interpreta\u00e7\u00f5es e uma hist\u00f3ria complicada que no fim se revela quase um conto infantil. Quando comecei a ver, achei que sabia o que iria acontecer e acabei falando o que n\u00e3o devia. Mas fui at\u00e9 o fim e descobri um trabalho importante. Sempre procuro enxergar o cinema americano como estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia da identidade nacional. Eles jamais perdem o foco. Impressionante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Se \u201cloud\u201d significa alto, por que foi traduzido para \u201cforte\u201d no t\u00edtulo do filme Extremely Loud &amp; Incredibly Close ? O filme \u00e9 de 2011, dirigido por Stephen Daldry, que nos deu grandes obras, como O Leitor e As Horas. 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