{"id":348,"date":"2009-12-10T12:56:40","date_gmt":"2009-12-10T14:56:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=348"},"modified":"2009-12-10T12:56:40","modified_gmt":"2009-12-10T14:56:40","slug":"celebridades","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/celebridades","title":{"rendered":"CELEBRIDADES"},"content":{"rendered":"<p>CELEBRIDADES<\/p>\n<p>Nei Ducl\u00f3s (*)<\/p>\n<p>H\u00e1bitos adotados hoje faziam parte do index na minha inf\u00e2ncia. Roupa cortada na altura da canela, por exemplo, a famosa \u201ccal\u00e7a de pular sanga\u201d, n\u00e3o era admiss\u00edvel para os garotos. Se o tecido chegasse at\u00e9 a segunda metade da perna, teria de seguir at\u00e9 o ch\u00e3o. As mulheres s\u00e3o mais inteligentes e fazem rod\u00edzio de tend\u00eancias, mas a por\u00e7\u00e3o masculina parece ter estacionado nessa tend\u00eancia bizarra de usar cal\u00e7as decepadas de suas pontas, sem jamais voltar \u00e0 bainha italiana, que sempre foi o fino da bossa.<\/p>\n<p>Outro comportamento execrado era a m\u00e1scara. Sujeito metido a besta levava cascudo, hoje n\u00e3o sai de frente das c\u00e2maras. Aquele sorrisinho de lado de quem est\u00e1 por dentro virou epidemia, mas j\u00e1 foi sinal evidente de que o sujeito precisava de um corretivo. A mais eficiente puni\u00e7\u00e3o era a indiferen\u00e7a coletiva. Ignorar o bam-bam-bam ajudava a coloc\u00e1-lo no seu lugar. Mas veio a cultura da malandragem, a esperteza caipira, o estrelismo sem motivo e pronto, acabamos na vala comum da celebra\u00e7\u00e3o da mediocridade.<\/p>\n<p>\u00c9 enorme o espa\u00e7o ocupado por pessoas nada-a-ver a deitar abobrinhas sobre seu ego. Enquanto g\u00eanios vivem e morrem na sombra, temos todo santo dia o vivaracho e o canastr\u00e3o, sem esquecer do pol\u00edtico e o empres\u00e1rio da hora, a falar sobre educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e outros \u201cdiferenciais\u201d. Hoje, reiterar o Mesmo \u00e9 insistir na diversidade. Se algu\u00e9m apostar na uniformidade, ser\u00e1 marginalizado. N\u00e3o h\u00e1 vida poss\u00edvel para quem n\u00e3o concorde que a unanimidade seja, invariavelmente, burra. A aritm\u00e9tica, por exemplo, \u00e9 uma unanimidade, e por isso talvez o fato de algu\u00e9m saber a tabuada de c\u00f3r \u00e9 tido como uma idiotice.<\/p>\n<p>Falei em g\u00eanios que vivem na sombra. Perdemos recentemente Jos\u00e9 Gomes, maestro, compositor, int\u00e9rprete, pesquisador de m\u00fasica popular. Revolucionou a m\u00fasica de raiz ao fazer os arranjos do antol\u00f3gico disco do grupo \u201cOs Gaud\u00e9rios\u201d no final dos anos 1950, mas n\u00e3o ficou no nativismo. Criou projetos de artesanato e fabrica\u00e7\u00e3o de instrumentos como rabeca ac\u00fastica, chorongo , baixo ac\u00fastico, calimba crom\u00e1tica, violino mudo. Esse tipo de informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 na Internet, mas jamais vi Z\u00e9 Gomes na televis\u00e3o a falar sobre suas especialidades ou mesmo interpretando suas obras (duas de suas can\u00e7\u00f5es, com muita honra, s\u00e3o com poemas meus). Agora \u00e9 tarde demais. O pa\u00eds est\u00e1 surdo, com os sentidos manipulados pela cultura de pular sanga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1bitos adotados hoje faziam parte do index na minha inf\u00e2ncia. Roupa cortada na altura da canela, por exemplo, a famosa \u201ccal\u00e7a de pular sanga\u201d, n\u00e3o era admiss\u00edvel para os garotos. Se o tecido chegasse at\u00e9 a segunda metade da perna, teria de seguir at\u00e9 o ch\u00e3o. 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