{"id":3485,"date":"2012-03-06T18:15:56","date_gmt":"2012-03-06T21:15:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3485"},"modified":"2012-03-06T18:15:56","modified_gmt":"2012-03-06T21:15:56","slug":"vocacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/vocacao","title":{"rendered":"VOCA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>A Lua \u00e9 poeira que n\u00e3o se dispersa, mant\u00e9m unida sua voca\u00e7\u00e3o de deserto, gira para dar forma ao o\u00e1sis da \u00e1gua inexistente que vertes.<\/p>\n<p>Vi quase de perto teu caminhar apressado e notei que tens um bot\u00e3o que enfeixa todas as linhas, um ponto em comum onde escondes o que h\u00e1 de mais formoso e ningu\u00e9m chega porque guardas para algu\u00e9m, que se n\u00e3o for eu, destruirei o mundo.<\/p>\n<p>Andavas na rua no mesmo passo e na mesma dire\u00e7\u00e3o. Parecia que eu te seguia, mas era s\u00f3 o Destino.<\/p>\n<p>T\u00e3o linda e inteira na minha frente, posso tocar num fio do teu cabelo?<\/p>\n<p>Amor \u00e9 quando algu\u00e9m respira a seu favor.<\/p>\n<p>D\u00e1s bandeira num gemido mas n\u00e3o te entregas no momento do visgo. O que h\u00e1, arisca?<\/p>\n<p>Tens medo do que farei contigo. Nada, que n\u00e3o consintas.<\/p>\n<p>Ouvimos uivos, gritos! disseram os vizinhos, alarmados. Estamos discutindo a rela\u00e7\u00e3o, disse ela. Preciso ser convincente.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero cair na mesmice. N\u00e3o sinto falta do conv\u00edvio. Apenas uma l\u00e1grima de fogo queimando o sonho.<\/p>\n<p>Pode esperar sentada o poema. N\u00e3o obede\u00e7o quando o desejo encomenda. Prefiro pular na tua cadeira.<\/p>\n<p>SUSSURRO<\/p>\n<p>Nada demais, apenas o sentimento que ficou agora \u00e0 toa. O que fa\u00e7o com ele? Afogo no po\u00e7o? Ou jogo um balde dele em cima de ti, no entrudo?<\/p>\n<p>Recuperei versos antigos e agora voltei a inventar as fantasias contigo. Escuta o que jamais se cala: a poesia feita no sussurro.<\/p>\n<p>Deves estar tecendo a roupa para o pr\u00f3ximo encontro, que ser\u00e1 com algu\u00e9m que desconhe\u00e7o. N\u00e3o invente, princesa do alvoro\u00e7o.<\/p>\n<p>Jamais voltamos ao que \u00e9ramos, aquele c\u00edrculo m\u00fatuo criado pelo amor e seus caprichos. O futuro \u00e9 sempre disperso, como os ventos sem dono que um dia levantaram teu vestido.<\/p>\n<p>Esqueci como eras. Tinhas um cabelo no ombro, um mar de a\u00e7\u00facar nos olhos, um perfil de est\u00e1tua. Eu era o escolhido. A\u00ed houve a ruptura, quando perdi a majestade<\/p>\n<p>\u00c9 uma contradi\u00e7\u00e3o. Tua cara impass\u00edvel e o recado dilacerado que me atiraste pela janela.<\/p>\n<p>Apaguei todos os teus vest\u00edgios. Ficaram apenas algumas p\u00e9talas que n\u00e3o teimam em murchar, grudadas no vidro \u00famido do dia.<\/p>\n<p>Prometi que desta vez deixaria andar. Mas teus passos ressoam em mim, deslizando sobre o que sobrou das minhas tardes sem ti.<\/p>\n<p>Por que consulto tanto meu e-mail? J\u00e1 disseram n\u00e3o.<\/p>\n<p>Sabe aquele lugar onde \u00edamos? Fui l\u00e1 ontem com outra pessoa. S\u00f3 o bentevi se ofendeu e ficou me advertindo.<\/p>\n<p>Nem pensei em ti. S\u00f3 para retaliar.<\/p>\n<p>Explorei os confins do universo. Te achei entre estrelas fazendo a sesta. N\u00e3o quis te acordar, bizarra.<\/p>\n<p>O assunto \u00e9 aquele de passar a m\u00e3o no ombro e esperar o sim para ir adiante.<\/p>\n<p>A Crescente \u00e9 um borr\u00e3o branco no azul da tarde. Parece pequena nuvem que a m\u00e3o de um anjo prejudica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s A Lua \u00e9 poeira que n\u00e3o se dispersa, mant\u00e9m unida sua voca\u00e7\u00e3o de deserto, gira para dar forma ao o\u00e1sis da \u00e1gua inexistente que vertes. 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