{"id":3530,"date":"2012-03-06T18:41:46","date_gmt":"2012-03-06T21:41:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3530"},"modified":"2012-03-06T18:41:46","modified_gmt":"2012-03-06T21:41:46","slug":"vestido","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/vestido","title":{"rendered":"VESTIDO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Que os deuses do amor e da alegria te cerquem de do\u00e7ura nesta manh\u00e3. Que o prazer seja tua companhia e lembres de mim quando os ventos travessos levantarem teu vestido.<\/p>\n<p>Voc\u00ea estava toda lisinha no seu vestido fino, com as curvas emoldurando a paisagem. O desfecho foi um beijo suave e molhado antes que a noite viesse nos dizer obrigado.<\/p>\n<p>N\u00e3o acredito na minha sorte. Deverias estar encantando as estrelas mas preferes dividir comigo algo mais prosaico, um len\u00e7ol, um chuveiro.<\/p>\n<p>Quando o sil\u00eancio tem perfume, que exala naturalmente, \u00e9 porque algu\u00e9m se apaixonou e n\u00e3o quer dar bandeira. Acha que engana.<\/p>\n<p>Perguntam porque insistimos nisso. N\u00e3o sentem o mel escorrendo? Parece que n\u00e3o sei.<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00f3 um convite. N\u00e3o tira peda\u00e7o. Apare\u00e7a.<\/p>\n<p>Fiz a ronda nos canteiros. As flores dormiam, mas de um jeito diferente. Algumas p\u00e9talas respiravam sonhos. Eras tu, comigo.<\/p>\n<p>Bem, j\u00e1 disse o que n\u00e3o devia. Agora parto num navio que sai agora. Mande mensagens. Eu pego na volta do apocalipse.<\/p>\n<p>Te fazem sofrer porque s\u00e3o aliens, vieram de planetas de mosaico. Ningu\u00e9m pode abalar uma rainha. Volte para a terra, magn\u00edfica.<\/p>\n<p>Fica pertinha que assim acostumo. Teu corpo de deusa como um para\u00edso<\/p>\n<p>Esquece o cara, cansei de ser teu confidente. Vou te contar um segredo: quero voc\u00ea para mim. V\u00ea se abre uma brecha.<\/p>\n<p>A poesia seca e considerada, com trocadilhos extremos, muito estudada, sonha em ser poema em teu colo, fada.<\/p>\n<p>Agora que ningu\u00e9m est\u00e1 vendo, invente uma rima. Preciso de m\u00fasica. Vinda de ti, musa.<\/p>\n<p>Os ventos correm como potros soltos pelo mar, levantando espuma e areia. A calmaria \u00e9 quando mergulham em busca das sereias.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7a quem lhe faz feliz.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o suporta xaveco, prefere temas mais contundentes, como achar meus poemas uma porcaria. Eu tento acertar, submisso. Tudo pode a realeza feminina.<\/p>\n<p>Guarde suas cr\u00edticas. Nem tudo \u00e9 poesia. Fique tranq\u00fcilo. Mais da metade \u00e9 s\u00f3 viagem na alegoria. Desfile de paix\u00f5es sem brilho. Esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>Elogio ofende. Seja duro. Diga que aquilo n\u00e3o presta. Se ela perguntar por que, desconverse. Jogue a charada no ar, depois roube um beijo.<\/p>\n<p>Certo, n\u00e3o vamos debater o que expressamos de mais fr\u00e1gil. N\u00e3o teria gra\u00e7a. Preferimos ficar em roda, trocando versos. \u00c9 a nossa for\u00e7a.<\/p>\n<p>Mirei no alvo mas parece que atirei a esmo. E sou bom de pontaria. \u00c9 que tinha muita gente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Que os deuses do amor e da alegria te cerquem de do\u00e7ura nesta manh\u00e3. Que o prazer seja tua companhia e lembres de mim quando os ventos travessos levantarem teu vestido. Voc\u00ea estava toda lisinha no seu vestido fino, com as curvas emoldurando a paisagem. O desfecho foi um beijo suave e molhado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[306],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3530"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3530"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3530\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3531,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3530\/revisions\/3531"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}