{"id":354,"date":"2009-12-10T12:59:26","date_gmt":"2009-12-10T14:59:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=354"},"modified":"2010-07-09T17:56:52","modified_gmt":"2010-07-09T20:56:52","slug":"almoco-de-negocios","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/almoco-de-negocios","title":{"rendered":"ALMO\u00c7O DE NEG\u00d3CIOS"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: x-small;\"><strong>Nei Ducl\u00f3s <\/strong><\/span><\/p>\n<p>Atribuir aos outros as pr\u00f3prias prefer\u00eancias chama-se marketing. Por exemplo: quem suporta ler apenas duas ou tr\u00eas frases sobre qualquer assunto tenta provar que esse \u00e9 o f\u00f4lego da maioria dos consumidores de not\u00edcias. Quando vemos manchetes maiores do que os textos, tentamos entender porque decidem isso nas cozinhas altamente especializadas da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das express\u00f5es mais enigm\u00e1ticas que existe \u00e9 almo\u00e7o de neg\u00f3cios. Como algu\u00e9m pode definir o comportamento de uma empresa sorvendo rocambole de br\u00f3colis com maracuj\u00e1? Criado na mesa paterna em que era proibido falar antes da sobremesa, para que todos pudessem comer em paz, considero absurdo o expediente de misturar picanha com o debate sobre o pre\u00e7o ideal da mortadela para a pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 os \u00e1gapes coletivos, misturados a discursos, em que os convivas ficam com o talher suspenso no ar, enquanto o anfitri\u00e3o ou convidado fala sobre os benef\u00edcios exalados da sua pr\u00f3pria compet\u00eancia. O aplauso final \u00e9 apenas o al\u00edvio para quem n\u00e3o consegue mascarar a ansiedade de finalmente tra\u00e7ar um prato de legumes ex\u00f3ticos ao bafo. Um dia, numa frondosa celebra\u00e7\u00e3o de fim de ano, reclamei do arroz carreteiro cru servido com peito de perdiz esturricado. &#8220;Meu pai fazia melhor na beira do rio&#8221; disse, e ningu\u00e9m acreditou que era a pura verdade, pois o chef em quest\u00e3o tinha, digamos, design.<\/p>\n<p>No fundo, \u00e9 a moda de dourar imaginariamente a p\u00edlula dos encontros com o consenso correto das tend\u00eancias. Para ser chic, \u00e9 necess\u00e1rio ser aut\u00eantico. E para obter lucro, \u00e9 importante pensar pela maioria e achar que \u00e9 ingenuidade levantar alguma lebre que escape desse c\u00edrculo mortal de certezas. Quando o assunto me interessa ou me invoca, gosto de ler textos longos, mas quem cede a esse v\u00edcio n\u00e3o entra nas estat\u00edsticas.<\/p>\n<p>Proponho que, durante os grandes almo\u00e7os de neg\u00f3cios, se distribuam card\u00e1pios que contenham, al\u00e9m da descri\u00e7\u00e3o do prato principal (polvo ao forno com batatas da Polin\u00e9sia) algum texto liter\u00e1rio para ser lido em sil\u00eancio enquanto rola o discurso. Prestar aten\u00e7\u00e3o no menu \u00e9 tolerado em eventos importantes. Melhor do que sofrer o jejum provis\u00f3rio namorando o p\u00e3ozinho com manteiga da entrada, que esfria miseravelmente ao som de palavras corporativas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das express\u00f5es mais enigm\u00e1ticas que existe \u00e9 almo\u00e7o de neg\u00f3cios. Como algu\u00e9m pode definir o comportamento de uma empresa sorvendo rocambole de br\u00f3colis com maracuj\u00e1? Criado na mesa paterna em que era proibido falar antes da sobremesa, para que todos pudessem comer em paz, considero absurdo o expediente de misturar picanha com o debate sobre o pre\u00e7o ideal da mortadela para a pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[271],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=354"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2176,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354\/revisions\/2176"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}