{"id":3554,"date":"2012-03-06T18:55:55","date_gmt":"2012-03-06T21:55:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3554"},"modified":"2012-03-06T18:55:55","modified_gmt":"2012-03-06T21:55:55","slug":"olhar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/olhar","title":{"rendered":"OLHAR"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Por duas vezes nossos caminhos se cruzaram novamente. A \u00faltima ainda sangra<\/p>\n<p>Esqueci, jurei. At\u00e9 que teu olhar me flagrou na mentira.<\/p>\n<p>Tantos contigo, por que me tentas? Me deixe. S\u00f3 tu sabe onde fica V\u00eanus, ela disse.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea me quiser, eu moro. Se voc\u00ea n\u00e3o me quiser, eu morro.<\/p>\n<p>Se ela n\u00e3o estiver na sua, n\u00e3o entre em p\u00e2nico, nem d\u00ea esporro. Aliste-se na Legi\u00e3o Estrangeira, pegue uma nave para J\u00fapiter. H\u00e1 sempre uma sa\u00edda para esse amor cachorro<\/p>\n<p>Ela varreu teu rosto de toda lembran\u00e7a. E foi-se, recolhendo na bolsa as palavras que lhe deste entre promessas.<\/p>\n<p>N\u00e3o deveria lembrar essas coisas. Mas houve aquele \u00faltimo passeio, em que rompemos. Pessoas ainda enxergavam em n\u00f3s o futuro. Mas nossas m\u00e3os n\u00e3o alimentavam mais os p\u00e1ssaros.<\/p>\n<p>Voltaste uma vez, por curiosidade. Viste apenas uma cidade vazia. Era meu cora\u00e7\u00e3o, acostumado ao teu ex\u00edlio.<\/p>\n<p>Dizem: por que n\u00e3o voltam? N\u00e3o voltamos. Os ventos n\u00e3o sopram ao contr\u00e1rio, flor da minha vida.<\/p>\n<p>Estou bem, disse naquela visita. E me joguei na escadaria.<\/p>\n<p>Adeus, me conformei. E em seguida te roubei de onde estavas, irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre assim. O amor \u00e9 cinza. A\u00ed voc\u00ea pisa e se queima.<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 meu \u00fanico bem, ela disse. N\u00e3o fuja. Fique comigo. Mesmo que estejas no lado escuro da Lua.<\/p>\n<p>Se ela n\u00e3o estiver na sua, n\u00e3o entre em p\u00e2nico, nem d\u00ea esporro. Aliste-se na Legi\u00e3o Estrangeira, pegue uma nave para J\u00fapiter. H\u00e1 sempre uma sa\u00edda para esse amor cachorro.<\/p>\n<p>Onde estiveste todo este tempo, sumiste? perguntaram. Fiquei invis\u00edvel, falei, depois que parti da esta\u00e7\u00e3o dos seus olhos.<\/p>\n<p>Amor \u00e9 ins\u00e2nia. Voc\u00ea se apaixona por um gr\u00e3o de areia, a \u00fanica pessoa viva longe do o\u00e1sis<\/p>\n<p>N\u00e3o me venha com lareira e vinho. Ou chocolate caro. Ou eski nos Alpes. Ou camarote carioca. Quero s\u00f3 a prova que estavas s\u00f3 quando te liguei \u00e0 noite.<\/p>\n<p>Amor \u00e9 isso: Sou bonito, disse o texugo. Lindo, falou a ariranha. Agora dancem um tango, disse o porco espinho.<\/p>\n<p>Nem precisamos de barco. Navegamos no Sena s\u00f3 com nosso grude.<\/p>\n<p>Enamorado de ti soa melhor. O amor \u00e9 hisp\u00e2nico.<\/p>\n<p>Amor n\u00e3o \u00e9 dengue, rom\u00e2ntico n\u00e3o \u00e9 dengoso. Dengue \u00e9 epidemia, o amor \u00e9 raro.<\/p>\n<p>O que vai fazer hoje \u00e1 tarde? Pegar chuva? Deixa que eu leve as capas para a lavanderia. De l\u00e1 saio sem camisa, minha top de linha.<\/p>\n<p>\u00c9 torrencial a \u00e1gua deste dia dedicado \u00e0 paix\u00e3o. Ou voc\u00ea aproveita a deixa e pega a gueixa ou deixa.<\/p>\n<p>Sabe aquela estrela? \u00c9 o pingente de uma deusa. Ela est\u00e1 \u00e0 espera do amor, que n\u00e3o chega, debru\u00e7ada no cosmo frio do Valentine\u00b4s Day.<\/p>\n<p>Sabe aquela deusa? Est\u00e1 muda. Aguarda a voz que lhe foi roubada de um anjo, que sumiu sem deixar pista, a n\u00e3o ser umas penas de asas fugitivas.<\/p>\n<p>Sabe aquele anjo? \u00c9 sacana. Achou que podia pegar carona num cometa e acabou perdido no piso de um buraco negro. Grita por seu amor, que est\u00e1 morno.<\/p>\n<p>Vamos espichar esse dia de namoro at\u00e9 ele chegar novamente no pr\u00f3ximo ano?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Por duas vezes nossos caminhos se cruzaram novamente. A \u00faltima ainda sangra Esqueci, jurei. At\u00e9 que teu olhar me flagrou na mentira. Tantos contigo, por que me tentas? Me deixe. S\u00f3 tu sabe onde fica V\u00eanus, ela disse. Se voc\u00ea me quiser, eu moro. Se voc\u00ea n\u00e3o me quiser, eu morro. 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