{"id":3589,"date":"2012-04-03T20:20:50","date_gmt":"2012-04-03T23:20:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=3589"},"modified":"2012-04-03T20:20:50","modified_gmt":"2012-04-03T23:20:50","slug":"leste","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/leste","title":{"rendered":"LESTE"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Deus escuta, mas poesia ele presta mais aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Leste banha a pomba no telhado e ro\u00e7a a luz na montanha, verde clara sob o c\u00e9u de um azul que desmaia.<\/p>\n<p>As letras s\u00e3o o corpo f\u00edsico do que pode ser lido no ar.<\/p>\n<p>Realidade e Fantasia s\u00e3o duas atrizes que trocam de papel nos exerc\u00edcios de um laborat\u00f3rio cont\u00ednuo. O poeta escreve a dramaturgia.<\/p>\n<p>Foto \u00e9 como estrela, tem a luz de momentos passados. Mas \u00e9 real, assim mesmo.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel enfrentar um batalh\u00e3o armado sem piscar o olho. Mas n\u00e3o a decis\u00e3o de te telefonar sem suar frio.<\/p>\n<p>N\u00e3o se esconda, nua. Flua, com tua pele de seda.<\/p>\n<p>Olhas subitamente para tr\u00e1s e l\u00e1 estou eu, flagrado em pleno encantamento.<\/p>\n<p>T\u00e3o juntinha que muda o paradigma. Me estudas enquanto respiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o se entregue ao verso conhecido.Palmilhe outro c\u00edrculo. H\u00e1 desperd\u00edcio de espera por ti em lugares ermos. Abra a porta n\u00e3o percebida.<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 minha car\u00edcia. Sei, palavra repetida. Mas o corpo n\u00e3o se importa, fala outra l\u00edngua.<\/p>\n<p>Fique comigo. O melhor est\u00e1 por vir, estribilho.<\/p>\n<p>Quero-te, espanto. N\u00e3o h\u00e1 como escapar da curva do teu corpo.<\/p>\n<p>N\u00e3o fique no canto quando canto. A poesia \u00e9 o som das cordas que o cora\u00e7\u00e3o fia.<\/p>\n<p>Fiquei um tempo longe do teu la\u00e7o. Ex\u00edlio \u00e9 pouco para tanta falta.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o apenas palavras que nos enredam no mesmo linho. \u00c9 esse desalinho, territ\u00f3rio comum da poesia a dois.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos n\u00e3o falo sobre teus l\u00e1bios. Silencio sobre teu maior charme.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixe que o tempo roube os minutos que me deste nas tardes imaginadas de conversa.<\/p>\n<p>Abandono depois da sedu\u00e7\u00e3o: ser\u00e1 remorso, prud\u00eancia, suspeita ou uma frase errada?<\/p>\n<p>O brilho do dia convida para um olhar mais largo, fora do limite imposto pela burocracia, a carestia e a viol\u00eancia dos poderes brutos.<\/p>\n<p>Tens outros poetas, mas n\u00e3o por muito tempo. Acabas sempre grudada em meu soneto.<\/p>\n<p>Fui dormir pensando em ti. Acordei num sonho, que sonhavas por mim.<\/p>\n<p>Passou da meia noite. Essa me passou. Quando vi, j\u00e1 era alto mar no mar da noite.<\/p>\n<p>N\u00e3o fui embora, fiquei na cidade. Queria que contasses os dias desperdi\u00e7ados, arrependida.<\/p>\n<p>CRESCENTE<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 Crescente, na companhia de V\u00e9sper. Duas que aprontam no c\u00e9u do Outono.<\/p>\n<p>Crescente \u00e9 como tu, cada vez mais pr\u00f3xima do limite, quando ent\u00e3o brilhar\u00e1s sobre o cosmo escuro<\/p>\n<p>Hoje a Crescente quer causar espanto. Armou-se de luz como se fosse Cheia. E ilumina a noite, convidando ao beijo.<\/p>\n<p>Espero que retomes o ritmo. Me ver a cada volta da Lua.<\/p>\n<p>Lembro esta manh\u00e3, quando tocaste meu ombro. Faz tanto tempo que d\u00f3i.<\/p>\n<p>\u00c9 cedo para acumular tanta poesia. Vamos deixar que a Lua se encarregue do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Amor, palavra sagrada. Pisa devagar quando chegares \u00e0 sua morada. E abra as janelas quando o ar falta, para que vejas a Lua enquanto te acabas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Deus escuta, mas poesia ele presta mais aten\u00e7\u00e3o. O Leste banha a pomba no telhado e ro\u00e7a a luz na montanha, verde clara sob o c\u00e9u de um azul que desmaia. As letras s\u00e3o o corpo f\u00edsico do que pode ser lido no ar. 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